Estratégia da Vauxhall e a questão da imagem
À primeira vista, a estratégia da Vauxhall parece estar mais do lado da temeridade do que da coragem. Depois de não ter conseguido causar impacto contra rivais como o Golf Cabrio com o Astra Twin Top, a marca decide substituí-lo por um carro consideravelmente mais caro - e mirando uma concorrência ainda mais complicada. Complicado. Quem compra conversíveis costuma se preocupar acima da média com imagem, e a Vauxhall não é exatamente uma marca associada a status.
E como uma marca vira “marca de imagem”? Mantendo, sem oscilar, um compromisso claro com o produto: carros bem construídos, corretamente engenheirados, com estilo. Se isso for feito por tempo suficiente, os compradores aparecem. Já cortar caminho na engenharia e apelar para descontos agressivos para encher a capacidade de fábrica acaba envenenando o valor da marca com uma depreciação em queda livre. Sinceramente, mesmo que este Cascada seja excelente, eu impediria qualquer amigo de colocar dinheiro nele. Mas, se a Vauxhall der sustentação ao modelo durante o seu ciclo de vida, uma próxima geração - posicionada com consistência - talvez passe a fazer sentido. Ir para o premium significa firmar um pacto de longo prazo com o cliente.
Design e acabamento do Vauxhall Cascada
E a verdade é que o Cascada é, sim, um bom carro - e também um carro com presença. O teto de lona (capotas rígidas retráteis já parecem coisa do ano passado) desenha uma silhueta bem alinhada, como um terno sob medida. Por dentro, o painel recebe revestimento de couro com costuras aparentes, e o restante da cabine, em geral, acompanha esse nível. O ponto que realmente destoa é a tela vermelha, de aparência barata, com matriz de pontos, posicionada entre os mostradores.
Plataforma, dimensões e suspensão HiPerStrut
No exterior, ele não “pega emprestada” uma única peça de carroceria de qualquer outro Vauxhall. Por baixo, adota a suspensão HiPerStrut do Insignia VXR, embora com calibração mais macia. As bitolas são, na prática, mais largas do que as do Insignia, mas o entre-eixos é mais curto. De todo modo, trata-se de um carro grande - mais comprido do que um Audi A5 e, segundo a Vauxhall, com preço de um A3 Cabrio.
Motores: 1.6 turbo e alternativas
O melhor motor da gama é um 1.6 turbo totalmente novo, com injeção direta. A Vauxhall estava há um bom tempo precisando de novos motores a gasolina de porte intermediário, e este é o primeiro da família. Ele tem força em baixa rotação e sobe de giro com suavidade - ainda que, neste acerto, não com aquela animação - até o limite. Combina com o jeito do Cascada: silencioso, discreto, mas disposto a responder. Só não espere desempenho de esportivo. Seus 170bhp e o câmbio alongado, voltado para economia, ficam “amarrados” pelos 1,660kg. Uma versão de 200bhp chega mais tarde, ainda neste ano. Também experimentei o 1.4 turbo mais antigo, mas ele exige mais paciência do que eu tenho.
Dirigibilidade e conforto
O Cascada é um carro tranquilo, não um carro que envolve. O rodar é impressionantemente macio. A direção aponta com precisão, porém sem muita sensação; a estrutura não demonstra torção, e isso o torna bem menos incomodado por asfalto remendado do que um A5 de tração dianteira. Justo. Há valor em um carro em que se sentir bem não depende de fritar pneus e conviver com freios cheirando a queimado.
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