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No Reno, Energyminer investe em turbinas flutuantes para driblar a calmaria de vento e sol em Sankt Goar

Homem em barco realiza testes com equipamento submerso em rio próximo a vilarejo e castelo ao fundo.

Quando as turbinas eólicas param e os painéis solares entregam pouco, a rede sente - e a discussão sobre como atravessar esses períodos de baixa geração volta ao centro. A proposta aqui não é construir mais barragens nem “segurar” um rio com concreto, mas buscar energia num lugar menos óbvio: alguns metros abaixo da superfície do Reno.

Uma empresa jovem da Baviera quer colocar no Médio Reno um tipo de usina bem diferente: nada de represa, nada de paisagem alagada. Em vez disso, um “enxame” de pequenas turbinas trabalhando dentro do próprio fluxo do rio. A aposta é produzir eletricidade contínua, sem depender do clima, ajudando a reduzir o impacto das temidas Dunkelflauten (os períodos de “apagão” de vento e sol) no sistema energético alemão.

Wie schwimmende Turbinen die Stromlücke schließen sollen

A energia eólica e a solar já respondem pela maior parte da geração renovável de eletricidade na Alemanha. Em dias nublados e sem vento, porém, a potência costuma ficar aquém do necessário. Aí entram em cena usinas a gás e a carvão - justamente o tipo de apoio que a transição energética pretende deixar para trás.

É nesse ponto que entra o conceito das chamadas usinas de energia de correnteza (Strömungskraftwerke) no Reno. Elas aproveitam a velocidade natural da água para gerar eletricidade 24 horas por dia. Sem esperar sol, sem depender de rajadas: as turbinas trabalham enquanto o rio continuar correndo.

A ideia: o Reno não é represado; ele é usado como uma espécie de “esteira” natural de energia.

A tecnologia é da Energyminer, de Gröbenzell, perto de Munique. A startup quer instalar, perto de Sankt Goar, no Médio Reno, um enxame com 124 turbinas compactas. Três unidades já operam no Reno, e a autorização do primeiro enxame completo é vista como um marco para todo o setor.

So funktionieren die „Energie-Fische“ im Detail

Por fora, o rio em Sankt Goar parece o mesmo de sempre. A tecnologia, porém, fica totalmente escondida sob a superfície. Cada “Energyfish” é, na prática, uma pequena usina hidrelétrica flutuante.

Aufbau und Leistung der Mini-Kraftwerke

Cada módulo mede cerca de 2,8 × 2,4 metros e pesa por volta de 80 quilogramas. A turbina fica presa a um ponto de ancoragem no leito do rio e “flutua” na correnteza, como uma pipa presa por uma linha. A água empurra as pás do rotor, e um gerador transforma a rotação em energia elétrica.

  • instalação totalmente submersa, sem estrutura visível na margem
  • fixação no leito do rio por um sistema de ancoragem
  • acionamento apenas pela correnteza natural
  • transporte da energia por cabos subaquáticos até a margem
  • injeção na rede elétrica existente

Em condições ideais, uma turbina chega a cerca de 6 quilowatts de potência. Segundo o fabricante, um conjunto de 100 módulos gera aproximadamente 1,5 gigawatt-hora por ano. Isso é suficiente para abastecer cerca de 400 a 500 lares com quatro pessoas. Com 124 turbinas planejadas em Sankt Goar, o potencial estimado sobe proporcionalmente.

Os custos por quilowatt-hora devem ficar em uma ordem de grandeza semelhante à de aerogeradores modernos e sistemas fotovoltaicos.

Warum ausgerechnet der Rhein bei Sankt Goar?

Usinas de correnteza só fazem sentido econômico onde a água corre rápido o suficiente e o rio tem profundidade adequada. O Médio Reno, na região de Sankt Goar, oferece exatamente esse cenário. Nos vales mais estreitos, o fluxo acelera, e velocidades entre 1,5 e 2 metros por segundo não são raras por ali.

Isso cria uma espécie de corredor natural de energia: sem barramento, sem desnível extra - apenas a força da água em movimento, que já existe. A Energyminer testou a tecnologia antes em menor escala, inclusive no Auer Mühlbach, em Munique. Essas instalações-piloto serviram para checar confiabilidade e eficiência em condições reais.

Fische im Fokus: wie das Schutzsystem arbeiten soll

A hidrelétrica costuma gerar debate rapidamente na Alemanha - principalmente porque muitos rios foram modificados no passado. Represas clássicas com grandes reservatórios interrompem rotas de migração, alteram habitats e afetam ecossistemas de forma profunda.

A nova instalação no Reno pretende evitar exatamente esse erro. Os enxames funcionam sem represar o rio, e o curso d’água, em princípio, permanece inalterado. Ainda assim, uma pergunta delicada continua: o que acontece com os peixes que passam pela área das turbinas?

Para isso, a Energyminer desenvolveu um sistema próprio de proteção. Ele combina o formato da turbina, a disposição das pás do rotor e componentes técnicos adicionais que devem manter os peixes longe das zonas de risco - ou permitir a passagem sem danos. Especialistas da Universidade Técnica de Munique (TUM) analisaram o sistema.

Resultado do estudo da TUM: espécies migratórias no Reno não são significativamente ameaçadas pelas turbinas; não foram observadas mudanças de comportamento fora do padrão.

Para a licença em Renânia-Palatinado, esse parecer foi decisivo. Sem dados convincentes sobre compatibilidade ambiental, dificilmente haveria sinal verde.

Signalwirkung für die Energiewende

Para a startup, Sankt Goar é mais do que um ponto no mapa. Internamente, a empresa chama o projeto de “Proof of Scale” - a comprovação de que o sistema não funciona só em testes, mas também em quantidade e com viabilidade econômica.

A ministra do Clima de Renânia-Palatinado, Katrin Eder, elogia a abordagem como uma “forma eficiente de geração de eletricidade” e espera novas instalações em locais adequados. Com isso, outros rios com condições semelhantes entram no radar.

Wo noch Potenzial schlummert

Nem todo trecho de rio serve para essa tecnologia. Os critérios principais são:

  • profundidade de água suficiente
  • velocidade de correnteza constantemente alta
  • densidade de navegação compatível
  • exigências ambientais e licenças locais

Apesar dessas limitações, especialistas enxergam um potencial considerável. Além do Reno, trechos de Mosela, Weser e Elba também são vistos como possíveis, desde que correnteza e profundidade sejam adequadas. A licença no Médio Reno pode virar um caso de referência para outros estados e até para países vizinhos.

Fluss Mögliches Einsatzprofil
Rhein hohe Strömung, starke Schifffahrt, Pilotprojekte in Engstellen
Mosel einzelne Abschnitte mit guter Fließgeschwindigkeit, teils bereits stark reguliert
Weser Potenzial in tieferen, breiteren Abschnitten abseits dichter Häfen
Elbe technisch interessant, aber mit strengen Naturschutzauflagen

Wie verlässlich ist Strom aus Strömungskraftwerken?

O maior trunfo das usinas fluviais é a previsibilidade. Enquanto vento e sol oscilam bastante, a correnteza de um grande rio tende a ser relativamente constante. Variações existem, sobretudo em cheias ou em estiagens extremas - mas elas costumam ser bem mais fáceis de prever do que mudanças repentinas no tempo.

Para operadores do sistema elétrico, isso tem um apelo claro: a injeção de energia pode ser integrada com mais confiança ao planejamento diário e semanal. Especialmente quando falta geração solar e eólica, usinas de correnteza podem fornecer uma espécie de “base” renovável contínua.

Quanto mais fontes renováveis diferentes entram no mix, mais estável fica amortecer a Dunkelflaute.

Claro que um único projeto no Reno não substitui grandes usinas. Mas uma rede densa de instalações do tipo em vários rios poderia somar contribuições relevantes - sobretudo quando combinada com armazenamento, como baterias, usinas reversíveis (pumped storage) ou plantas de hidrogênio.

Chancen, Risiken und offene Fragen

Por mais promissora que a ideia pareça, ela traz pontos em aberto. Qualquer instalação interfere em usos já existentes do rio - da navegação à pesca, passando pela conservação ambiental. Conflitos são previsíveis e precisam ser resolvidos caso a caso.

Há também desafios técnicos: os módulos têm de resistir a cheias, detritos flutuantes e formação de gelo. A manutenção submersa é mais trabalhosa do que o serviço em um aerogerador em terra. E ainda faltam dados de longo prazo, por exemplo sobre desgaste dos rotores ou sobre a potência real após vários anos de operação.

Por outro lado, alguns fatos pesam a favor do conceito: nada de grandes reservatórios, nada de vales inundados, nenhum “monumento” de concreto visível no horizonte. Em um país densamente povoado e com rios já bastante regulados, uma forma “invisível” de usar a energia da correnteza pode ser politicamente mais fácil de defender do que novas barragens.

Quem até aqui via a Dunkelflaute apenas como um fantasma abstrato da transição energética ganha, com os “peixes de energia” no Reno, um contraponto bem concreto. A ideia de enfrentar a lacuna de eletricidade com um enxame de pequenas turbinas parece simples à primeira vista - mas o verdadeiro teste começa agora, na operação real em Sankt Goar. Se funcionar, um projeto de nicho no Médio Reno pode virar um componente replicável em muitos rios da Alemanha.

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