Plataforma Estratégica de Superfície (PES) e a primeira fragata nacional
Com o corte da primeira chapa de aço, teve início a construção da primeira fragata a ser feita no próprio país para a Marinha Nacional da Colômbia: a chamada Plataforma Estratégica de Superfície (PES). A embarcação será construída pela Corporação de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Naval, Marítima e Fluvial (Cotecmar), dando largada ao projeto naval mais relevante do país até agora. Será também a primeira fragata a ser incorporada às Forças Armadas da Colômbia.
Durante a cerimónia oficial na Planta Mamonal da Cotecmar, em Cartagena, o vice-almirante Luis Fernando Márquez Velosa, presidente da Cotecmar, afirmou: “Na Cotecmar vamos continuar avançando, construindo o futuro e demonstrando que a engenharia naval colombiana é de classe mundial.”
Projeto baseado no SIGMA 10714 da Damen e substituição da classe Almirante Padilla
A nova fragata foi concebida para substituir, de forma gradual, as fragatas lança-mísseis da classe “Almirante Padilla” (FS-1500). O projeto tem como base a classe SIGMA 10714 do grupo Damen Shipyards, que será ajustada às necessidades da Marinha Colombiana.
As dimensões previstas são: 107.5 metros de comprimento, 14.02 metros de boca e 3.90 metros de calado. O casco será montado a partir de 52 blocos de aço naval.
Além de substituir as quatro fragatas da classe Almirante Padilla - Almirante Padilla, Independiente, Caldas e Antioquia - e a corveta classe Pohang ARC Tono, o objetivo é cumprir metas mais amplas do Plano de Desenvolvimento Naval 2042. A entrega da última unidade é esperada entre 2040 e 2042.
Empregos e cadeia industrial durante a construção até 2030
A expectativa é que, ao longo do ciclo de construção até 2030, o programa gere cerca de 1,500 empregos diretos e mais 4,000 empregos indiretos e induzidos, tornando-se um importante motor de trabalho e atividade económica na Colômbia e na região.
Ao incluir transferência de tecnologia no contrato entre a Cotecmar e a Damen, projeta-se que, a partir da segunda ou terceira fragata, a dependência de elementos estrangeiros diminua e o cronograma de construção se torne mais eficiente.
Cronograma de contratos para o codesenvolvimento e a integração tecnológica da fragata
Em 2022, a Marinha Colombiana e a Cotecmar assinaram o contrato número 0005-ARC-JOLA-2022, cujo objetivo é: “CONSTRUÇÃO, INTEGRAÇÃO, TESTES, APARELHAMENTO E COMISSIONAMENTO A CUSTO TOTAL DE GRANDES UNIDADES À FLOTE / ATIVOS NAVAIS PARA A ARC”; o acordo abrange a construção de novos navios, como um Navio de Apoio Logístico, um Navio-Patrulha Oceânico, a Plataforma Estratégica de Superfície (PES) e outras unidades estratégicas.
Em agosto de 2024, Cotecmar e Damen firmaram um contrato estimado entre 435 e 440 milhões de dólares. O entendimento prevê suporte técnico, engenharia detalhada e a aquisição de materiais e equipamentos necessários para construir a primeira unidade em Cartagena. Também contempla uma licença para a Colômbia produzir navios complexos sob o modelo SIGMA 10514 (ajustado para o desenho 10714 no país).
Em fevereiro de 2025, a Damen e a sueca Saab assinaram um acordo para fornecer e equipar a fragata com o sistema de gestão de combate 9LV e o seu sistema de controle de tiro, além de diversos sensores e radares, incluindo o sistema eletro-óptico EOS 500, o radar Ceros 200 e radares Sea Giraffe 4A.
No mesmo ano, em 25 de junho, Damen e Kongsberg Maritime fecharam um contrato para entregar o sistema integrado de propulsão da fragata, incluindo dois hélices de passo controlável (CPP). Esse tipo de hélice permite alterar o ângulo das pás sem mudar o sentido de rotação do motor, aumentando a manobrabilidade, além de incluir os sistemas de eixos associados.
No fim de setembro, a Damen concluiu um acordo para o fornecimento de cerca de 1,325 toneladas métricas de aço, incluindo chapas e perfis de aço naval de alta resistência aprovados para construção militar, com a fornecedora De Jong e Lavino (Países Baixos). Foram definidos lotes de entrega para 2025 e 2026, de modo a acompanhar o plano de montagem por blocos.
Com a implementação da PES, a Colômbia deixa de ser apenas compradora de tecnologia e passa a atuar como desenvolvedora de soluções soberanas. O programa não só moderniza a frota, como também reforça a autonomia estratégica do país nos seus dois oceanos. Assim, a Colômbia projeta-se ao mundo não apenas como guardiã das suas águas, mas como uma potência naval, capaz de exportar inovação e liderança a partir do coração do Caribe.
Imagem de capa usada apenas para fins ilustrativos.
Traduzido por Constanza Matteo
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