O Exército do Chile encerrou mais uma edição do Curso de Paracaidista Básico Militar, etapa formativa que resultou na graduação de uma nova turma de militares habilitados como paraquedistas - tradicionalmente reconhecidos como “Boinas Pretas”. A solenidade aconteceu no Campo Militar de Peldehue e marcou o término de um ciclo de instrução conhecido pelo elevado nível de exigência física, técnica e psicológica.
A capacitação foi conduzida pela Escola de Paraquedistas e Forças Especiais (ESCPAR) e teve duração de três semanas, consolidando-se como uma especialidade secundária voltada a ampliar e sustentar as capacidades aerotransportadas do Exército, especialmente em contextos de deslocamento rápido e operações especiais.
Curso de Paracaidista Básico Militar do Exército do Chile: objetivos e perfil de exigência
Ao longo do período, o foco esteve em preparar o efetivo para executar procedimentos padronizados de salto com segurança e autonomia, com progressão gradual de dificuldade. A formação combina treinamento técnico com controle emocional, aspectos essenciais para a atuação em ambientes de maior complexidade.
O Alferes Blanco Araneda ressaltou o grau de cobrança do curso, afirmando que “o processo foi árduo e altamente demandante, tanto no físico quanto no mental. É um curso que obriga a enfrentar e superar medos, especialmente no momento do salto, e que representa uma meta longamente esperada dentro da carreira militar”.
Já o Cabo Diego Ortega chamou atenção para o peso do preparo psicológico durante a instrução, destacando que “a fortaleza mental é determinante. Através da instrução progressiva e do apoio permanente dos instrutores, se adquire a confiança necessária para executar os procedimentos com segurança”.
Duas etapas de instrução: Fase de Terra e Fase de Ar
O programa foi organizado em duas etapas que avançaram de modo progressivo. A primeira, chamada Fase de Terra, concentrou-se no aprendizado e na padronização dos procedimentos técnicos indispensáveis ao salto. Nessa fase, os alunos receberam instrução e passaram por avaliações em diferentes áreas especializadas, incluindo arnês suspenso, arnês de balanço, técnicas de queda e aterrissagem, avião simulado e torre de salto.
Esses exercícios serviram para consolidar a execução correta dos procedimentos individuais, diminuindo riscos e reforçando a confiança antes do avanço para a etapa operacional.
Após vencerem essa etapa, os instruendos seguiram para a Fase de Ar, considerada o principal marco do curso. Nela, realizaram cinco saltos a partir de aeronaves, em condições diurnas e noturnas, com e sem equipamento de combate, aplicando as técnicas treinadas em situações reais.
A Fase de Ar foi finalizada com o salto realizado no próprio dia da cerimônia de formatura, quando os alunos se lançaram de uma aeronave CASA-212 a aproximadamente 1.200 pés (cerca de 366 m) de altura. A atividade foi acompanhada por autoridades militares, instrutores e familiares, funcionando como a validação final de todo o processo de instrução.
O uso de meios aéreos de asa fixa e a execução de saltos com diferentes níveis de equipamento contribuem para que o Exército mantenha e projete capacidades aerotransportadas compatíveis com as necessidades operacionais atuais.
Impacto institucional
O Curso de Paracaidista Básico Militar impacta diretamente o fortalecimento das capacidades operacionais do Exército do Chile, ao mesmo tempo em que estimula a coesão e o espírito de corpo entre os participantes. Além disso, reafirma a Escola de Paraquedistas e Forças Especiais como um pilar na formação de militares aptos a integrar unidades de alta exigência e de projeção estratégica.
A cada nova turma, o Exército segue garantindo a preparação de efetivos capazes de atuar em ambientes complexos, sustentando padrões de treinamento alinhados aos desafios presentes e futuros da defesa nacional.
Fotografias: Exército do Chile.
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