Por que a nova Mercedes-Benz Classe B é tão importante
A Mercedes-Benz insiste que a nova Classe B é o “modelo mais profundamente transformado já lançado” pela marca. Exagero de marketing ou um jeito educado de reconhecer que o carro anterior não era grande coisa? Seja como for, a nova Classe B entra em cena como um assunto realmente grande. O motivo é simples: ela estreia a nova plataforma de compactos da Mercedes, base que também vai dar origem não só à próxima Classe A, como ainda a um mini-SUV, a um cupê pequeno e a mais um modelo por enquanto “a confirmar” (algo na linha de um crossover?). Ou seja: há, literalmente, muito em jogo.
A prova disso aparece na forma do CEO da Daimler-Benz, Dr. Dieter Zetsche, com seu bigode exuberante, que invade o lançamento em Viena para convidar a TopGear a um test drive e a uma conversa pessoal. Um agrado e tanto. Dr. Z é um dos pesos-pesados do setor. A chanceler alemã Angela Merkel deve estar sempre ao telefone lamentando a crise da zona do euro, e ainda assim ele arruma tempo para um momento de TG.
Motores, câmbios e o pacote de segurança
De saída, são sete versões diferentes da nova Classe B, variando em acabamento e proposta. Todas usam dois motores inéditos, de injeção direta, montados transversalmente e com turbocompressor: um 1,6 litro a gasolina com 122 ou 156 bhp, e um 1,8 litro diesel common-rail com 109 ou 136 bhp. O câmbio manual de seis marchas é padrão, e há a opção de um automático DSG - ambos também novos. Segundo o Dr. Z, a embreagem dupla é a solução certa para Mercedes com tração dianteira, mas não para modelos de tração traseira.
Entre os destaques de primeira linha, aparece de série mais um novo sistema de segurança Mercedes Assist, desta vez chamado Collision Prevention Assist (não era para isso que servia o pedal do freio?). Com base em radar, o conjunto emite alertas visuais e sonoros e ainda pré-carrega os freios para agir com força máxima. O chefe descreve como “uma inovação cara”, e completa: “[que] comparamos ao ESP da primeira Classe A, e desta vez não foi preciso um alce para chegarmos lá”.
Como era de esperar, o chassi também é novo, assim como a suspensão traseira multilink e a direção eletromecânica. Com assistência sob demanda, ela faz parte do pacote de medidas de economia ao lado do sistema de desligamento/ligamento automático em paradas e da recuperação de energia de frenagem. “Esta é a coisa mais significativa que a Mercedes fez em algum tempo”, reforça o executivo, quando começamos a rodar.
Design e aerodinâmica: eficiência como prioridade
A nova Classe B é bonita? Não exatamente, mas escolher uma minivan compacta pelo formato é como contratar Wayne Rooney para escrever uma tese sobre Nietzsche. Em prata e com as rodas certas, ela até fica bem: há o vinco na lateral que dá vida ao CLS, e o conjunto parece bem menos “desculpável” do que o modelo que sai de cena.
O ponto forte é a aerodinâmica. Na configuração Eco mais “barbuda”, o coeficiente de arrasto é de 0,24 Cd, sendo 0,26 Cd o valor típico na gama. Esse foco em aerodinâmica foi moda no começo dos anos 1980; agora, virou peça central na busca por menos emissões e maior eficiência. E o resultado aparece: a B180 CDI com DSG promete 22,7 km/l e 116 g/km de CO2, enquanto a B200 CDI passa um pouco da barreira dos 120 g/km.
Ergonomia, espaço interno e o que mudou na cabine
Quem tem filhos, já sofreu com a coluna, ou os dois, vai entender a importância do ponto “H” (de hip, quadril) na Classe B. Um bom ponto “H” é um dos motivos para optar por um carro assim, e há algo estranhamente divertido em, na prática, “entrar andando” na cabine.
Ao mesmo tempo, eu gosto de me sentar dentro de um carro, e não sobre ele - e é aí que a nova Classe B evolui muito em relação à antiga. Principalmente porque o sistema de piso duplo, incomum (e caro), saiu de cena, e os bancos agora ficam 86 mm mais baixos. Ao volante (o mesmo que você encontra no CLS, por coincidência), ela também deixa de parecer um pequeno ônibus Routemaster.
Na verdade, a sensação é de um Mercedes compacto, mas com substância: instrumentos claros, materiais com cara de premium, saídas de ar com um toque descolado e a mesma organização fácil de usar dos modelos maiores da marca. A tela de multimídia e navegação agora fica numa moldura posicionada acima das saídas de ar, fazendo uma imitação assustadoramente convincente de um iPad. A cabine passa uma sensação de claridade e leveza, com espaço de sobra para a cabeça, com ou sem teto panorâmico.
Atrás, também há bastante espaço. Os bancos correm para frente e para trás e rebatem de várias maneiras, do tipo que sempre parece mais confuso do que deveria. Ainda assim, o lugar do meio no banco traseiro não é lá grande coisa e, com cinco pessoas a bordo, o espaço para bagagem fica apertado. Em compensação, o “empacotamento” do novo carro já foi pensado para receber futuras versões elétricas e a célula a combustível - que, segundo o texto, estão sendo desenvolvidas agora.
Versões, pacotes e a lista de opções
Além das denominações SE ou Sport, a lista de opcionais é densa e cheia de tentações caras. Dá para escolher entre pacotes Cromado, Esportivo, Exclusivo ou Noturno, e boa parte dos equipamentos disponíveis veio de Mercedes maiores e mais sofisticados. Uma Classe B de £50k? Loucura, claro - mas perfeitamente possível.
Impressões ao volante: conforto em primeiro lugar
Dirigir a nova Classe B é bem agradável, sobretudo na versão B200 CDI Sport, mais esperta. Apesar de o centro de gravidade estar mais baixo que antes, ela ainda não é exatamente fã de ser levada além da própria zona de conforto - e as idiossincrasias da direção eletromecânica não ajudam muito.
Só que essa zona de conforto agora é realmente confortável. Ela roda macia - mesmo com rodas maiores e com o acerto mais firme da suspensão Sport - e isola bem ruídos de asfalto e vento. O diesel mais forte se sai melhor do que a versão a gasolina que experimentei, simplesmente por entregar um miolo de torque mais cheio. E, embora o novo câmbio manual seja muito bom, o DSG é ainda melhor.
O principal é que o conjunto inteiro dá um salto e coloca a Classe B em outro patamar. A antiga parecia um projeto feito sem muita convicção, daqueles carros que você sentia que até a Mercedes tratava com certa vergonha. A nova, por sua vez, transmite exatamente a sensação de um Mercedes “grande”, só que em tamanho menor. Com preços a partir de £21.290, o adicional cobrado pela marca premium fica mais fácil de defender - embora ainda valha a pena pesquisar. Hoje, esse segmento está bem disputado.
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