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Ciência e Meio Ambiente

Nova espécie de sapinho-abóbora é descoberta na Serra do Quiriri

Sapo amarelo com manchas pretas em folha verde com caderno e rádio comunicador ao fundo em paisagem montanhosa.
Neste artigo
  1. Um novo sapinho-abóbora na Serra do Quiriri
  2. Como o B. lulai foi identificado
  3. Conservação das rãs da Serra do Quiriri

Um novo sapinho-abóbora na Serra do Quiriri

Nas montanhas do sul do Brasil, um sapo de cor laranja intensa, com pouco mais de 1 centímetro de comprimento, chama a atenção.

O minúsculo sapinho-abóbora é uma espécie nova de rã com aparência de sapo, que nunca havia sido formalmente descrita.

Essa rã miniaturizada e altamente endêmica ocorre apenas em uma estreita faixa de floresta montanhosa, onde vive entre a serapilheira. Para garantir seu futuro - e proteger parentes ameaçados - conservacionistas defendem que a região seja resguardada da exploração humana.

A espécie vive acima de 750 metros de altitude, na Serra do Quiriri, no estado de Santa Catarina, no sul do Brasil.

Segundo os cientistas, ela integra a família Brachycephalidae, e dois de seus parentes alaranjados vivem nas proximidades, em outras pequenas porções das montanhas da Serra do Quiriri.

Nos últimos sete anos, pesquisadores brasileiros têm procurado catalogar todas as populações de Brachycephalus da região - esforço que os levou à descoberta da nova espécie.

Como o B. lulai foi identificado

Embora sua coloração seja chamativa, foi o canto do pequeno anfíbio que revelou definitivamente a espécie.

Os cientistas localizaram os machos ao escutar seus coaxos de acasalamento. Já as fêmeas, mais silenciosas, foram coletadas “ao acaso”.

De volta ao laboratório, a equipe examinou cuidadosamente os exemplares, realizando sequenciamento genético e estudos morfológicos para compará-los com outras espécies estreitamente relacionadas.

Com base nessa análise, os pesquisadores declararam uma nova espécie, batizada de B. lulai em homenagem ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Por meio desta homenagem, buscamos incentivar a ampliação de iniciativas de conservação voltadas à floresta Atlântica como um todo e, em particular, às rãs miniaturizadas altamente endêmicas do Brasil”, escrevem Marcos Bornschein, herpetólogo da Universidade Estadual Paulista, e seus colegas no artigo publicado.

Conservação das rãs da Serra do Quiriri

Apesar de sua distribuição restrita, B. lulai aparentemente vive em um ambiente relativamente preservado. Por isso, os pesquisadores a classificam, do ponto de vista da conservação, como de “menor preocupação”.

No entanto, outras rãs de Santa Catarina estão criticamente ameaçadas. Assim, é essencial um plano para protegê-las da perda contínua de habitat, sobretudo diante de ameaças como queimadas em campos, pastoreio de gado, espécies vegetais invasoras, turismo, mineração e desmatamento.

Os anfíbios são a classe de vertebrados mais ameaçada do mundo.

Atualmente, está em andamento uma discussão formal para criar uma unidade federal de conservação em Santa Catarina, garantindo a proteção da floresta sem que o governo precise comprar terras privadas.

“Espera-se que uma amostragem adicional de espécies de Brachycephalus amplie significativamente nossa compreensão da variação intraespecífica, além de contribuir para a revisão dos limites entre espécies”, escrevem Bornschein e seus colegas.

“A falta de recursos para apoiar pesquisas de campo e a dificuldade de acesso a algumas áreas montanhosas continuam sendo obstáculos para aumentar a amostragem, que às vezes só é possível após a abertura de muitos quilômetros de trilhas em florestas densas.”

O estudo foi publicado na PLOS One.

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Mariana Figueiredo Nascimento

Engenheira eletricista e especialista em transição energética, com atuação em projetos de geração solar e eólica, armazenamento e integração à rede no Brasil. No newenergybrasil.com, acompanha tendências, políticas públicas e inovação em energias renováveis, com foco em eficiência, descarbonização e oportunidades para o mercado brasileiro.

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