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Volkswagen Golf (8ª geração) pode seguir em produção até 2035

Carro elétrico Volkswagen Golf 2035 verde estacionado em garagem com estação de recarga.

A suposta morte anunciada do Volkswagen Golf (8ª geração) lembra o episódio envolvendo Mark Twain: ao ver seu obituário publicado nos jornais, o escritor respondeu que as notícias tinham sido “manifestamente exageradas” - uma história curiosa, bem detalhada em um artigo da Visão.

E, assim como o autor de As Aventuras de Tom Sawyer, o Volkswagen Golf (8ª geração) pode ter ainda muita estrada pela frente. Ao que tudo indica, os rumores sobre o fim do modelo também podem ter sido inflados.

Por que a Volkswagen reconsidera o futuro do Volkswagen Golf

Segundo Kai Grünitz, membro do conselho de administração da Volkswagen, em declaração à edição holandesa da Top Gear, o atual Volkswagen Golf pode seguir em produção até 2035. Esse é justamente o ano em que, se as regras permanecerem como estão hoje definidas, os europeus devem se despedir dos carros novos a combustão que emitam CO2.

Mas o que mudou para essa possibilidade voltar ao radar? Acontece que as projeções de vendas da direção da Volkswagen não se confirmaram - e as orientações também falharam. A ponto de o então CEO do Grupo VW, Herbert Diess, ter sido afastado.

Nesse cenário, há uma notícia ruim e outra boa: o Volkswagen ID.3 vem vendendo abaixo do esperado, enquanto o Volkswagen Golf continua emplacando como sempre. Por isso, a atual administração da Volkswagen está repensando o caminho comercial do Volkswagen Golf por três motivos.

Pelo menos mais 10 anos de Volkswagen Golf

Dois desses motivos já ficam claros: de um lado, a demanda ainda alta pelo Golf; de outro, uma migração para os 100% elétricos mais lenta do que se imaginava. O terceiro motivo aparece mais adiante: custos - ou, se preferir, margens de lucro…

Quando se olha para as tabelas de vendas, a idade parece não pesar para esse Volkswagen. Considerando os números do mercado europeu no primeiro semestre deste ano, o Golf segue firme no status de best seller: entre os 25 modelos mais vendidos na Europa, o Volkswagen Golf ficou no segundo lugar do pódio, com 126 993 unidades vendidas, atrás apenas do Dacia Sandero.

Dá para a Volkswagen abrir mão de uma força de vendas do tamanho do Golf? A resposta é claramente não.

Ainda assim, surgem outras dúvidas - especialmente sobre a idade da plataforma MQB. Lançada inicialmente em 2012, ela completaria mais de vinte anos em 2035. Para Kai Grünitz, porém, isso não deve ser um obstáculo.

O executivo chama a atual base de MQB Evo - uma evolução da plataforma original de 2012 - de “perfeita”. E, na visão dele, por que mexer no que já é “perfeito”?

Esse seria, aliás, o cenário “perfeito” para a Volkswagen: sem a necessidade de colocar na conta centenas de milhões de euros para modernizar fábricas e acomodar uma nova plataforma (robôs, máquinas, procedimentos, ferramentas etc.), mantendo o Golf à venda com atualizações pontuais até 2035.

Vale lembrar que, só na Autoeuropa, a Volkswagen vai investir mais de 600 milhões de euros para fabricar modelos com a plataforma MQB Evo. Sempre que a Volkswagen consegue esticar a vida útil de uma plataforma, também aumenta suas margens e reduz custos.

Um nuvem no horizonte: regulação

Mesmo assim, estender a produção desse modelo não depende apenas da “vontade” da Volkswagen: os regulamentos europeus têm a palavra final.

“Se forem introduzidas de repente novas regras de segurança que o Golf não cumpre, a sua atualização pode tornar-se muito cara para se manter a sua produção,” disse Kai Grünitz à Top Gear.

Esse temor também aparece em outras montadoras. Luca De Meo, CEO do Grupo Renault, por exemplo, já criticou as mudanças frequentes nas regras europeias, em uma carta direcionada a todos os cidadãos europeus.

Volkswagen Golf elétrico: convivência com o modelo a combustão

De todo modo, a marca já tem um Golf elétrico em desenvolvimento. Assim, a versão a combustão deve permanecer à venda em paralelo com o novo Golf 100% elétrico, que deve chegar ao mercado antes do fim desta década.

Fonte: Top Gear NL

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