Horacio Pagani, fundador e CEO da Pagani Automobili, já havia declarado que não via sentido em fabricar hipercarros elétricos - e voltou a reforçar essa posição com novas críticas aos veículos movidos a bateria.
Durante uma conferência on-line voltada a estudantes e profissionais de Design e Engenharia, realizada em Santa Fé (sua cidade natal, na Argentina), Pagani comentou a origem da marca, mencionou até alguns concorrentes e aproveitou para entrar no tema da eletrificação e nos obstáculos que, na sua visão, ainda estão no caminho.
Horacio Pagani e as críticas aos carros elétricos
Na leitura do “chefe” da Pagani, a transição para a mobilidade elétrica estaria sendo empurrada de forma forçada e em dose exagerada, enquanto a infraestrutura disponível ainda mostra limitações relevantes.
"Acredito que a indústria automóvel mundial está a exagerar um pouco ao forçar o carro elétrico quando ainda não temos uma infraestrutura capaz de suportar os carregamentos."
Horacio Pagani, diretor executivo da Pagani Automobili
Pagani foi além e deixou um alerta: “ainda não temos infraestrutura para suportar os carregamentos nem capacidade para produzir um número tão grande de baterias. É um exagero que pode prejudicar a indústria”, afirmou.
O exemplo do Tesla na rotina da família
Mesmo com essa visão crítica, ele fez questão de sustentar o ponto com uma experiência pessoal: revelou que tem um Tesla em casa e o considera “muito interessante”, embora avalie que, como ocorre com outros elétricos, “é um problema”.
“Temos um Tesla na família e só o usamos para andar pelo nosso bairro. Muitas vezes temos que viajar em trabalho a Milão, que está a 200 km da nossa fábrica, mas não podemos ir com o Tesla”, contou.
“Se chegas a Milão e não encontras um carregador livre, tens que ficar lá a dormir. O Tesla é muito interessante, mas é um problema. Em três ou quatro anos que o temos não o usámos uma única vez para fazer mais de 200 km”, completou.
Algum dia vamos ver um Pagani elétrico?
Depois de relatar essa vivência com carros elétricos, Horacio Pagani voltou ao tema de um possível Pagani elétrico. Mais uma vez, indicou que isso ainda está bem distante, inclusive porque, segundo ele, não há demanda.
"Nenhum cliente da Pagani me está a pedir um carro elétrico."
Horacio Pagani, diretor executivo da Pagani Automobili
Ainda assim, o executivo contou que “já há cinco anos que temos uma equipa a trabalhar num possível superdesportivo elétrico da Pagani”. Na sequência, ponderou: “Talvez nunca venha a ser colocado à venda, mas dispomos da tecnologia da Mercedes-Benz (a marca germânica fornece motores à Pagani) e é um desenvolvimento muito interessante”.
Independentemente de qualquer plano, Pagani foi categórico ao avisar: “Quero que isto fique bem claro: se algum dia lançarmos um automóvel elétrico, não esperem que resolva nenhum problema do planeta”.
“Não vai salvar os passarinhos nem solucionar os problemas das pessoas. Não vai fazer nenhuma contribuição para a humanidade, apenas satisfazer um desejo dos nossos clientes”, concluiu.
Fonte: Motor.es
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