Mais de cem carros elétricos - principalmente unidades do Renault Zoe compradas de segunda mão em uma concessionária em Vila do Conde - estão hoje com as baterias bloqueadas, sem possibilidade de recarga.
De acordo com o Jornal de Notícias, não se trata de falha técnica do veículo, e sim do desfecho de um suposto esquema de fraude que já está sob apuração da Polícia Judiciária.
Quem adquiriu esses Zoe relata que, no momento da compra, acreditava estar levando um automóvel com bateria própria, sem qualquer contrato de aluguel. Essa modalidade existiu na Renault até 2021: o cliente comprava o carro por um valor menor (sem incluir a bateria) e passava a pagar uma mensalidade para usar a bateria.
O que os compradores pensavam estar comprando
A informação constava na documentação: na fatura, aparecia a indicação “viatura sem aluguer de bateria”. Ainda assim, agora muitos proprietários não conseguem carregar o carro - no painel, surge apenas o aviso “carga bloqueada”.
A frustração aumentou quando os atuais donos - entre eles pessoas físicas, empresas e até duas prefeituras - descobriram que, na prática, os veículos estavam vinculados a contratos de aluguel de bateria feitos no exterior (principalmente na França e na Alemanha). Com a falta de pagamento dessas mensalidades, o bloqueio teria sido aplicado sem aviso prévio.
Investigação em curso
As reclamações se acumulam na Justiça e também no Portal da Queixa. Os prejudicados afirmam ter em mãos tanto as faturas com a menção “viatura sem aluguer de bateria” quanto o registro de propriedade sem reserva. As denúncias, segundo a reportagem, já estão sendo investigadas pela Polícia Judiciária.
A suposta fraude envolve compras do Renault Zoe feitas na E-Drive, em Vila do Conde - estabelecimento que anunciava valores mais baixos. No entanto, os contratos de aluguel teriam sido assinados anteriormente pela importadora Famaburgo (que divide a mesma morada fiscal), responsável por vender os carros mais tarde para a E-Drive.
A E-Drive orienta os afetados a procurarem a Mobilize Financial Services (antiga RCI, detentora dos contratos de aluguel e parceira financeira da Aliança Renault Nissan Mitsubishi), por ter sido ela quem bloqueou as baterias.
Já a Mobilize Financial Services, citada pelo Jornal de Notícias, sustenta que “foi a própria E-Drive que solicitou o bloqueio” das baterias, com o objetivo de interromper o pagamento das rendas.
Regras do contrato de aluguel e o bloqueio remoto da bateria
Vale lembrar que um carro com contrato de aluguel de bateria pode, sim, ser revendido e até importado - desde que a Mobilize Financial Services seja comunicada sobre a transação e o comprador seja devidamente informado.
Depois disso, é necessário formalizar um novo contrato de aluguel de bateria. Se isso não ocorrer, a Mobilize Financial Services pode bloquear a bateria a distância, desativando-a ou impedindo o carregamento.
Além do bloqueio, a Mobilize Financial Services pode ainda «obrigar» concessionárias Renault e oficinas independentes a recusarem a manutenção da bateria.
Fonte: Jornal de Notícias.
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