O líder da bancada socialista na Câmara de Gaia, João Paulo Correia, classificou como uma "irresponsabilidade" a intenção do executivo comandado por Luís Filipe Menezes de "pagar menos 70% à Suldouro", responsável pela reciclagem de resíduos, e avisou que a decisão pode virar um "barril de pólvora" para os próximos anos.
Pagamento à Suldouro e alerta de "barril de pólvora"
Durante a reunião de câmara desta terça-feira, o vereador do PS afirmou que a medida "não é suportada por qualquer parecer jurídico" e sustentou que, na prática, "custará muito caro" ao município.
A Suldouro atua no aterro de Sermonde, onde faz o tratamento e a reciclagem dos resíduos, devolvendo valor à matéria-prima reaproveitada. Trata-se de uma empresa participada pelos municípios de Gaia e de Santa Maria da Feira.
Na avaliação de João Paulo Correia, a redução do pagamento por parte de Gaia tende a "descapitalizar a empresa". O socialista disse falar em "barril de pólvora" porque, se a Suldouro decidir recorrer à Justiça, o desfecho pode "custar milhões de euros à autarquia, incluindo juros de mora".
Avença na Águas de Gaia e críticas ao Governo
João Paulo Correia também argumentou que essa linha de atuação "servirá para justificar a avença de 14 mil euros mensais auferida por Poças Martins na Águas de Gaia". Acrescentou que, caso o impasse esteja ligado aos valores pagos pelas matérias recicladas, então Menezes "tem que reclamar com a ministra do Ambiente, que é quem define os valores".
Nesse contexto, o vereador socialista considerou que a capacidade de influência do autarca junto ao Governo é limitada, sobretudo quando comparada à de Pedro Duarte, que preside a Câmara do Porto.
"Denúncia às autoridades" e "populismo"
A propósito do concurso aberto pela câmara para 93 cargos de chefia, o PS apontou "nulidade". Segundo o partido, o processo está "viciado" e será apresentada uma "denúncia às autoridades".
Em relação ao encerramento do protocolo com oito IPSS, o socialista disse estar preocupado com a situação de 80 funcionárias. Elizabete Silva, vereadora da maioria PSD/CSD/IL, afirmou que "não há motivo para preocupação" e assegurou que "o serviço continuará". De acordo com a vereadora, será lançado um novo concurso, aberto a todas as IPSS do concelho - e não apenas às oito.
Ainda na reunião, Firmino Pereira, vice-presidente que conduziu os trabalhos no lugar de Menezes, atacou a atuação de João Paulo Correia e chamou-o de "populista". Para o "vice", a estratégia do PS é "radical" e "conduzirá o PS a ficar fora do poder durante pelo menos uma década".
A declaração veio depois de João Paulo Correia ter comentado à Agência Lusa a posição adotada pelo executivo de Gaia, acusando Menezes de "querer ser o dono disto tudo".
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