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Ciência e Meio Ambiente

Estudo mapeia os répteis da Amazônia e revela áreas críticas

Jovem em área florestal analisando mapa colorido em tablet, com caderno e GPS sobre madeira.
Neste artigo
  1. Mapeamento dos répteis da Amazônia
  2. A riqueza de espécies mostra outro padrão
  3. Os rios perdem protagonismo
  4. Endemismo forma agrupamentos estreitos
  5. As bordas concentram riscos
  6. A proteção não alcança todas as espécies
  7. Registros raros são relevantes
  8. Reservas conectadas ajudam
  9. Limitações reforçam a cautela
  10. Protegendo todos os répteis da Amazônia

O mundo acompanha a Amazônia porque sua enorme diversidade de formas de vida contribui para estabilizar o clima global, mas ainda não se sabe plenamente onde muitas de suas espécies realmente ocorrem.

Um novo estudo mapeou os répteis da Amazônia e identificou 14 centros locais de espécies e 22 regiões distintas para serpentes e lagartos.

A descoberta serve de alerta para conservacionistas. O novo desenho do mapa mostra que diversas espécies em risco persistem nas bordas da floresta, onde estão perigosamente expostas e sem proteção.

Mapeamento dos répteis da Amazônia

Registros de coleções de museus e de trabalhos de campo na Amazônia somaram 100,966 ocorrências verificadas de répteis, revelando padrões que mapas mais amplos da floresta não haviam detectado.

Com base nesse acervo, Marco Antônio Ribeiro-Júnior, biólogo da Universidade de Tel Aviv, demonstrou que serpentes e lagartos seguem limites ignorados por muitos mapas de toda a floresta.

Os dados abrangiam répteis escamados - serpentes, lagartos e lagartos-vermes - de 780 espécies conhecidas, entre elas 536 encontradas exclusivamente na Amazônia.

Essa divisão exige que o planejamento de conservação vá além dos blocos florestais mais conhecidos e acompanhe pequenas áreas de distribuição escondidas em seu interior.

A riqueza de espécies mostra outro padrão

As maiores concentrações de espécies apareceram perto do curso médio do rio Amazonas, dos rios Madeira e Purus, no Brasil, e do Escudo das Guianas, um antigo planalto ao norte.

A vegetação explicou grande parte desse padrão, pois a cobertura florestal densa forma microambientes mais frescos e úmidos, nos quais os répteis podem se alimentar, se esconder e se reproduzir.

Regiões quentes, úmidas e produtivas reuniam muitas espécies, enquanto os sopés mais frios e as margens externas apresentavam menos espécies no total.

Por isso, apenas a riqueza de espécies oferece um mapa impreciso: uma área muito povoada por espécies ainda pode deixar de fora espécies locais raras em outros lugares.

Os rios perdem protagonismo

Durante décadas, os grandes rios amazônicos foram considerados fronteiras rígidas que mantinham os animais separados em margens diferentes.

As evidências sobre répteis enfraqueceram essa hipótese, já que a maioria dos centros de espécies locais atravessava rios ou se formava perto das cabeceiras, e não ao longo dos canais principais.

Pesquisas anteriores com aves também haviam constatado que os rios alteravam quais espécies de aves viviam juntas, sem delimitar de forma clara os centros de espécies locais.

Os rios continuam influenciando quais espécies coexistem, mas não explicam sozinhos os centros ocultos.

Endemismo forma agrupamentos estreitos

Os centros de espécies locais se destacaram sobretudo nas proximidades dos Andes, a cadeia montanhosa ocidental da América do Sul, do Escudo das Guianas e de algumas paisagens isoladas nas fronteiras.

Nessas áreas, o endemismo - a presença de espécies encontradas em apenas um lugar - aumentava onde rochas, inclinação do terreno, vegetação, temperatura e chuva variavam em curtas distâncias.

Alguns centros abrigavam linhagens antigas, enquanto outros reuniam espécies que parecem ter surgido mais recentemente no próprio local.

Essa combinação alerta contra a proteção exclusiva das regiões mais ricas, pois espécies de distribuição restrita podem desaparecer em bordas negligenciadas.

As bordas concentram riscos

As bordas da floresta agora concentram grande parte do alerta para os répteis, especialmente no sul da Amazônia e nos sopés andinos, as encostas mais baixas junto aos Andes.

O desmatamento atingiu algumas das regiões de répteis mais afetadas, onde a perda florestal alcançou aproximadamente 18% a 30%.

Uma análise de 2024 sobre a floresta amazônica concluiu que 10% a 47% das florestas podem enfrentar perturbações combinadas até 2050.

Áreas que já ultrapassaram 20% de perda de floresta precisam de medidas mais rápidas, pois a morte das árvores e o ressecamento podem expandir os danos para fora.

A proteção não alcança todas as espécies

As áreas protegidas cobriam bem alguns desses refúgios, com uma região remota de planalto superando 90% de proteção.

Em contraste, o Vale do Mantaro, um vale no Peru, não tinha nenhuma cobertura protegida, embora seus répteis formassem um agrupamento local compacto.

Como uma avaliação global de répteis apontou que mais de um quinto das espécies de répteis está ameaçado, essas lacunas têm importância mundial.

A cobertura limitada é mais grave onde as espécies não conseguem simplesmente se deslocar, porque a perda florestal elimina todo o lugar que ocupam.

Registros raros são relevantes

Registros escassos frequentemente indicam locais onde a ciência quase não chegou, e não lugares onde as espécies estão seguramente ausentes.

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (Lista Vermelha da IUCN), banco de dados global sobre risco de extinção, classificou 69 escamados amazônicos como carentes de informação para uma avaliação clara.

Outras 125 espécies possuíam cinco ou menos registros na Amazônia e não tinham avaliação no conjunto de dados da equipe.

Esses registros limitados tornam urgentes os levantamentos de campo, pois uma espécie conhecida em uma única encosta pode desaparecer antes que alguém observe seu declínio.

Reservas conectadas ajudam

Uma rede voltada às fronteiras protegeria muitos centros locais e, ao mesmo tempo, desaceleraria a perda de habitat antes que ela alcançasse a floresta mais profunda.

Corredores ecológicos, faixas protegidas que permitem a continuidade do deslocamento da vida selvagem e dos processos naturais, podem conectar reservas através de fronteiras políticas.

As diretrizes internacionais sobre corredores indicam que reservas conectadas funcionam melhor do que reservas isoladas em paisagens fragmentadas.

Para répteis de pequena distribuição, a conexão significa menos populações isoladas e mais oportunidades para que animais jovens encontrem habitat adequado.

Limitações reforçam a cautela

Mapas extensos podem ocultar erros, e os autores reconheceram as limitações de delimitar distribuições de espécies em uma floresta tão vasta.

Eles empregaram polígonos convexos mínimos, formas simples traçadas ao redor dos registros conhecidos, porque muitas espécies raras não tinham pontos suficientes para modelos mais detalhados.

Essa decisão pode suavizar lacunas, mas manteve as comparações consistentes entre centenas de serpentes, lagartos e lagartos-vermes.

Descobertas futuras podem ajustar as fronteiras, mas o alerta geral deve permanecer: a conservação de répteis precisa de registros verificados, não de suposições.

Protegendo todos os répteis da Amazônia

Os répteis amazônicos transformaram registros dispersos de museus em um mapa de conservação mais preciso, no qual riqueza de espécies, singularidade local e risco florestal já não indicam os mesmos lugares.

Planejar a partir desse mapa poderia proteger répteis raros mais cedo, mas também exige mais trabalho de campo nas regiões de fronteira, onde o conhecimento continua mais limitado.

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Mariana Figueiredo Nascimento

Engenheira eletricista e especialista em transição energética, com atuação em projetos de geração solar e eólica, armazenamento e integração à rede no Brasil. No newenergybrasil.com, acompanha tendências, políticas públicas e inovação em energias renováveis, com foco em eficiência, descarbonização e oportunidades para o mercado brasileiro.

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