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Marinha Chinesa acelera a construção de submarinos nucleares no Estaleiro Bohai

Dois trabalhadores com capacetes brancos revisam projeto em frente a um submarino preto em estaleiro.

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No contexto mais amplo de modernização e ampliação de suas capacidades navais, a Marinha Chinesa avança de forma constante na construção de novos tipos de submarinos nucleares no Estaleiro Bohai, a um ritmo de produção superior ao atualmente registrado pela indústria naval dos Estados Unidos, sua principal referência hoje. Uma série de imagens divulgadas há alguns meses pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), obtidas por satélites operados pela Vantor, comprova esse cenário: nelas, é possível acompanhar tanto a construção progressiva de novas instalações quanto o surgimento de novas embarcações.

👉 Leia mais: Yasen-M russo vs. Virginia dos EUA: como se comparam os submarinos nucleares de ataque

Ato I: Obras no Estaleiro Bohai

Para compreender a variedade de submarinos que hoje pode ser observada nessas instalações - e a dimensão que será analisada mais adiante neste artigo -, é preciso destacar inicialmente que a China vem realizando, há vários anos, obras relevantes para ampliar sua capacidade industrial. Neste caso, o período entre 2015 e 2022 é especialmente esclarecedor, pois o Gigante Asiático parece ter dado um salto considerável nos investimentos em instalações modernas no Estaleiro Bohai.

Nas imagens mencionadas, analistas do IISS observaram que, nesse intervalo, o estaleiro praticamente duplicou a área destinada aos edifícios empregados na construção de submarinos. Dentro desse amplo projeto, o primeiro conjunto de instalações foi erguido entre 2015 e 2017. Posteriormente, entre 2019 e 2022, as obras avançaram em outras duas unidades, situadas em cada lado do complexo original.

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O que foi apresentado até aqui não será um caso isolado para os leitores que acompanham de perto a infraestrutura militar chinesa e sua rápida expansão. Como exemplo, ainda no âmbito naval, vale citar a Base Naval de Yuchi, na cidade de Qingdao, onde a força realizou obras para receber um número maior de grandes navios de superfície, incluindo porta-aviões.

Ato II: Novos submarinos nucleares chineses

Com o cenário definido, entram em cena seus principais protagonistas: os novos submarinos construídos em Bohai para equipar a Marinha Chinesa. Nesse sentido, o principal modelo identificado nas fotografias é designado Tipo 093B, também chamado Shang III, por se tratar de uma evolução derivada do Tipo 093A, ou Shang II.

Embora não existam informações oficiais sobre suas principais características, analistas ocidentais já haviam apontado que seria uma versão aperfeiçoada, dotada de um novo sistema de lançamento vertical (VLS) capaz de disparar mísseis guiados. Segundo o relatório do IISS citado anteriormente, cujas imagens também teriam sido verificadas pelo governo dos EUA, ao menos cinco submarinos desse tipo foram construídos entre 2022 e 2024. Outros dois foram lançados no ano seguinte, e mais um durante o primeiro semestre deste ano. A velocidade desse processo certamente chama a atenção.

Além desse projeto, o estaleiro também avançou na construção de uma quantidade significativa de submarinos Tipo 094 Jin. As estimativas atuais indicam que a China conta agora com cerca de oito novas unidades produzidas nos últimos anos. Esse número se baseia em imagens de satélite das bases navais de Jianggezhuang, Xiaopingdao e Yalong, além do próprio Estaleiro Bohai.

Ato III: A vantagem dos EUA diminui

Em março deste ano, noticiamos que a Marinha dos EUA havia manifestado preocupação com os ambiciosos planos chineses de expandir sua frota de submarinos, e que até metade da frota do país poderia ser movida a energia nuclear em meados da próxima década. A fonte foi o depoimento prestado à Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China pelo Contra-Almirante Michael Brookes, que compareceu como Comandante do Escritório de Inteligência Naval e enfatizou a necessidade de acompanhar atentamente o ritmo acelerado da construção de submarinos pela indústria naval chinesa.

As observações tinham fundamento. Uma análise da tonelagem de submarinos nucleares produzida pelo Gigante Asiático desde o início do século revela um crescimento expressivo: a China saiu de um patamar muito inferior ao dos Estados Unidos para ultrapassá-los com folga atualmente. Isso fica evidente na comparação elaborada pelo IISS, segundo a qual, entre 2006 e 2010, a China produziu 23.000 toneladas, ante 47.600 toneladas dos Estados Unidos. Já no período de 2021–2025, os números foram de 79.000 toneladas para a China e 55.500 toneladas para os Estados Unidos.

É verdade que essa evolução não ocorreu de maneira totalmente linear, mas a direção assumida nos últimos anos é inequívoca. Ao considerar os dados citados, basta compará-los com os planos futuros de geração de forças da Marinha dos EUA para perceber que a China já alcançou metas de produção que Washington havia definido como objetivos futuros. Mais precisamente, a meta era atingir um modelo de produção 1+2, composto por um SSBN e dois SSGNs por ano.

A principal vantagem que Washington ainda mantém, ao menos no papel, está na qualidade dos submarinos que produz. Esse também é um aspecto frequentemente destacado por analistas ao avaliarem outros setores da indústria de defesa chinesa, apesar de sua expansão acelerada. Dessa forma, as críticas se concentram sobretudo nos cascos e nos sistemas de propulsão dos submarinos Tipo 093 e Tipo 094, que a Marinha dos EUA classificou, em 2009, como “mais barulhentos e, portanto, mais fáceis de detectar” do que seus principais equivalentes ocidentais.

Créditos das imagens de satélite: IISS – Vantor – Planet

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