Os carros estão ficando cada vez mais caros, mas a realidade é que, na maioria dos casos, a margem de lucro das construtoras por unidade vendida passa longe de ser impressionante. Isso acontece porque a alta no preço para o consumidor também reflete o aumento dos custos para quem fabrica.
Ainda assim, alguns modelos favorecem mais a rentabilidade do que outros: um automóvel de luxo feito sob medida tende a render muito mais do que um utilitário compacto. E é justamente isso que este exercício, assinado pela Car Industry Analysis, ajuda a enxergar - ao menos em parte.
A seguir, você encontra as cinco marcas que mais lucraram por cada carro vendido em 2025 e, como dá para notar, os valores podem ser realmente notáveis. Mas é importante não interpretar esses números como absolutos: vender automóveis não é a única fonte de receita das fabricantes. Aqui, o resultado vem de uma simplificação, dividindo o lucro operacional pelo total de unidades vendidas.
Como esse lucro por carro é estimado
O cálculo usado neste recorte é direto: pega-se o lucro operacional e divide-se pelo número de carros entregues no período. Isso ajuda a comparar marcas com estratégias muito diferentes, mas também tem limitações, já que não captura outras linhas de negócio além da venda de veículos.
Ferrari na liderança isolada
Não é preciso olhar duas vezes para perceber que a Ferrari é, com folga, a marca que mais dinheiro ganha por cada unidade vendida. E os motivos, em linhas gerais, também são fáceis de entender.
No topo da “cadeia alimentar” do setor automotivo, a marca de Maranello se beneficia tanto da exclusividade dos seus produtos quanto do fato de operar de forma independente.
Vale lembrar que, embora a Exor seja sua principal acionista, a Ferrari não faz parte do universo industrial da Stellantis, que a mesma holding controla de maneira mais direta.
Enquanto esse grupo está fortemente exposto a dinâmicas de volume, escala e sinergias industriais, a Ferrari funciona com uma lógica própria: foco em exclusividade, margens elevadas e controle rigoroso da produção, preservando autonomia estratégica nas decisões.
Um bom exemplo é que marcas como Bentley ou Lamborghini teriam, em teoria, condições de se aproximar dos números da Ferrari. No entanto, por estarem dentro do Grupo Volkswagen, suas margens mais altas acabam diluídas nos resultados consolidados do grupo.
Uma questão de posicionamento
Logo atrás da Ferrari, não aparece a Porsche como em 2024 - a construtora teve um 2025 terrível -, e sim uma surpreendente JLR. À primeira vista, e considerando o ciberataque sofrido no ano passado, que forçou uma longa paralisação da produção, esse desempenho parece fora do esperado.
Na prática, o grupo anglo-indiano consegue tirar excelente proveito do seu posicionamento de mercado e da exclusividade dos seus produtos. E isso em um ano em que vendeu apenas SUVs. A Jaguar praticamente não vendeu nada em 2025, por conta do processo de reinvenção em andamento.
Mesmo assim, para termos uma noção mais clara da dimensão do valor alcançado pela Ferrari, a JLR precisaria vender 12 carros para igualar a margem de lucro gerada por um único Ferrari neste exercício.
Já a Tesla, uma das poucas construtoras focadas exclusivamente em elétricos que consegue gerar lucros, garante um lugar no pódio graças a um modelo de negócios bem diferente do padrão do setor. Ainda assim, para cada carro vendido pela Ferrari, a Tesla teria de vender 38 carros para alcançar o lucro da Ferrari.
Por fim, Mercedes-Benz e BMW - as duas marcas premium alemãs que fecham este Top 5 - precisam vender 45 e 55 automóveis, respectivamente, para chegar às margens da marca italiana.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário