Um ícone dos anos 80: BMW Série 6 Coupé (E24)
Quem é apaixonado por carros, como a gente, quase sempre carrega alguns ídolos desde a infância - aqueles modelos que viravam pôster na parede do quarto ou que faziam a gente desacelerar a folheada na revista por alguns segundos (ou por bem mais do que isso).
No meu caso, um desses ícones era o BMW Série 6 Coupé dos anos 80. E, naturalmente, a configuração que eu mais admirava era a preparada pelo braço de competição da marca: o BMW M635 CSi, com seis cilindros em linha e 286 cv - exatamente o mesmo motor do M1.
Sempre considerei esse carro belíssimo, com a silhueta elegante de cupê e a dianteira em “nariz de tubarão”, que marcava os BMW daquela época.
E, nas versões “M”, tudo ficava ainda mais especial: os para-choques eram mais robustos e esportivos, as rodas vinham em medidas maiores e as saídas do escapamento apareciam instaladas (quase) no centro da parte traseira.
O BMW Série 6 (E24), aliás, era praticamente o único motivo que me fazia acompanhar a série “Moonlighting” no fim dos anos 80 - ou “Modelo e Detetive”, como foi exibida em Portugal.
Afinal, o carro da Maddie (interpretada por Cybill Shepherd) era justamente um Série 6, ainda que não fosse um “M”. E, quando o David (vivido por Bruce Willis) aparecia ao volante, as cenas de direção passavam longe do que se poderia chamar de “dignas”.
Para completar, eu também tinha na memória as imagens de uma sessão fotográfica famosa com Nelson Piquet, que na época corria pela Brabham (com motores BMW M). Ele surgia com o capacete - e ao lado de um BMW M635 CSi em um vermelho bem vivo, no qual o para-choque dianteiro mais esportivo dessa versão ficava perfeitamente evidente.
E tudo isso, sem nunca ter dirigido um BMW M635 CSi
O BMW M635 CSi era (e continua sendo) um dos meus modelos favoritos. Até que, de um jeito totalmente inesperado, apareceu a chance de dirigir um.
Por meio de uma pessoa conhecida - que também nutria uma grande admiração por esse carro -, consegui finalmente sentar ao volante desse ícone e guiá-lo. Obrigado, Sérgio!
A busca, a importação e o conjunto deste BMW M635 CSi
Esse exemplar foi importado para Portugal depois de uma longa procura por “aquele” carro mais especial, com todas as características desejadas.
Ele era preto, mas com o interior em um tom mais claro, criando contraste. E isso acabou sendo perfeito para acompanhar um BMW Série 6 “dos novos” durante uma sessão de fotos.
Interior, comandos e mudanças para preservar as peças originais
Os bancos mais envolventes do BMW M635 CSi tinham ajustes elétricos - o que explicava a presença de uma console central com vários comandos específicos. E, para revesti-los, havia um couro mais especial, algo que na época era apenas opcional.
O escapamento já não era o original: tinha sido substituído por um conjunto um pouco mais esportivo. As rodas também foram trocadas por outras de desenho semelhante - neste caso, só para guardar as originais, que ainda estavam com os Michelin TRX de fábrica.
Antes mesmo de entrar no carro, passou pela minha cabeça aquela ideia de que “nunca devemos conhecer os nossos heróis”. Mas, dessa vez, a curiosidade falou mais alto.
Finalmente, ao volante
De cara, a sensação foi melhor do que eu esperava. Apesar de a coluna de direção não ter ajuste de altura, havia regulagem de distância. E, de um jeito meio inusitado, isso acabava entregando uma posição de dirigir excelente. A alavanca do câmbio caía exatamente onde deveria, e o painel já trazia um computador de bordo.
Na estrada, lembro que o ronco do seis-em-linha ficava ainda mais presente por causa do escapamento mais esportivo. Também me marcou a rolagem mais acentuada da carroceria, sobretudo quando comparo com carros atuais.
Ainda assim, o cheiro do interior, as colunas mais finas e a elegância desse cupê são daquelas características mais “analógicas” que só enriquecem a experiência.
Meu receio, no fim das contas, não tinha fundamento. Dirigir não me decepcionou, e o BMW M635 CSi continua firme na minha lista de desejos para “um dia”.
Nem que seja apenas para ficar olhando e rodar com calma, naquele ritmo típico de fim de semana. Por enquanto, já tenho as miniaturas em escala 1:18 e 1:43 na coleção. Falta mesmo só a 1:1.
E sim: a gente deve conhecer os nossos heróis de quatro rodas. Por que não?
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário