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Volkswagen Tiguan eHybrid híbrido plug-in: teste com 245 cv e até 49 km elétricos

SUV branco Volkswagen Tiguan híbrido plugado em estação de carregamento em ambiente interno.

O Volkswagen Tiguan fez algo que pouca gente imaginava: tomou do Golf o posto de carro mais vendido da marca alemã no mundo. Isso aconteceu porque ele é extremamente versátil, simples de conviver no dia a dia e entrega a competência que a fabricante de Wolfsburg costuma colocar nos seus modelos.

Agora, porém, o Tiguan ganhou um trunfo que pesa muito: a eletrificação. Em um cenário no qual a mobilidade com zero emissões vira uma exigência cada vez mais forte, a Volkswagen já não podia empurrar adiante a versão híbrida plug-in do seu SUV best-seller.

Por isso, a chegada do Tiguan eHybrid ao nosso mercado era aguardada com expectativa - mesmo que já tivéssemos tido um contato rápido com ele há cerca de um ano, na Alemanha. Desta vez, rodamos com o modelo por quase uma semana em estradas de Portugal e contamos como foi a experiência.

E faz sentido começar justamente pela base mecânica, porque é ela que separa este Tiguan dos demais. E, sem surpresa, o conjunto é o mesmo sistema híbrido que já conhecemos do Golf GTE e de outros carros do Grupo Volkswagen.

245 cv permitem ritmos elevados

O motor 1.4 TSI turbo a gasolina, com 150 cv e 250 Nm, trabalha em conjunto com um motor elétrico de 116 cv e uma bateria de íons de lítio de 9,2 kWh, instalada sob o assoalho do porta-malas.

Somando tudo, são 245 cv e 400 Nm de torque máximo combinados, enviados às rodas dianteiras por um câmbio automático de dupla embreagem e seis marchas. O resultado é aceleração de 0 a 100 km/h em 7,5s e velocidade máxima de 205 km/h.

Para chegar nesses números, porém, é preciso escolher o modo de condução GTE, que muda de ponta a ponta o comportamento deste SUV alemão. Nesse ajuste, a força elétrica fica disponível na função “boost” e a resposta do acelerador fica bem mais imediata.

Ainda assim, não espere um SUV com pegada esportiva. Mesmo assim, ele consegue surpreender pelo ritmo que aguenta sustentar e pela forma como sai das curvas, colocando a potência no chão com facilidade e sem indícios de perda de aderência.

Nem a inclinação lateral - algo natural em um carro com este porte - chega a comprometer o conjunto, porque ela permanece bem contida, ajudando a manter a trajetória de forma eficiente.

Nesse ponto, o que menos me convenceu foi o barulho do motor a combustão quando o “convocamos” com mais firmeza: ele se mostra um tanto ruidoso e acaba afetando o silêncio a bordo.

Até 49 km de autonomia elétrica

Mas o motor a combustão não precisa entrar em cena o tempo todo, já que o Tiguan eHybrid se sai muito bem quando rodamos no modo 100% elétrico.

Ele sempre parte em modo elétrico e, se não houver nenhuma aceleração mais forte - e se a bateria estiver carregada… -, pode seguir assim até passar dos 130 km/h. Nesse cenário, o silêncio só é quebrado por um som digital criado para evitar que pedestres sejam surpreendidos pela presença do SUV.

Mesmo usando apenas o sistema elétrico, o Tiguan segue ágil no trânsito urbano, e basta “pisar” um pouco mais para receber uma resposta rápida o suficiente.

E aqui, ao contrário do que acontece em alguns plug-in, não achei acelerador nem freio difíceis de dosar. Na função “B”, a regeneração durante a desaceleração aumenta e aparece sempre que tiramos o pé do acelerador, mas não a ponto de parar o carro sozinha - então ainda é necessário usar o pedal do freio. O comportamento, no geral, é previsível e progressivo, como em um automóvel apenas a combustão.

Somado a isso, a direção mantém a medida certa de assistência e um peso bem agradável, oferecendo naturalmente mais resistência quando se seleciona o modo GTE.

Conforto é palavra de ordem

Também chama atenção o conforto que este Tiguan entrega na maioria das situações. A suspensão é macia, inclusive em pisos mais castigados, e ajuda o fato de a unidade testada - com o pacote Life - vir com rodas de apenas 17”. Sinceramente, não vejo ganho em passar de 17” neste SUV, ainda que ele permita rodas de 20” com pneus de perfil baixo.

Outra boa surpresa é como a suspensão administra as transferências de peso: tudo fica sob controle, mesmo quando aumentamos o ritmo e encaramos curvas com mais vontade.

E os consumos?

Na cidade, com a bateria carregada, dá para ver consumo perto de 18,5 kWh/100 km, número que bate com os 49 km de autonomia elétrica informados pela Volkswagen.

Já no modo híbrido, consegui rodar em torno dos 6 l/100 km na cidade. Na estrada, em velocidades mais altas, esse valor subiu para perto dos 8 l/100 km.

Em viagens mais longas, depois de esgotar a carga da bateria, é relativamente simples ficar próximo de médias de consumo de dois dígitos.

É o carro certo para si?

Só em 2020, a Volkswagen vendeu mais de 590 000 unidades do Tiguan no mundo (em 2019 foram mais de 778 mil). Na Europa, ele foi o SUV mais vendido e deixou o Nissan Qashqai bem para trás. Isso por si só já ajuda a entender por que o Tiguan se consolidou como um dos modelos mais relevantes do portfólio da marca alemã.

Na versão híbrida plug-in, ele preserva exatamente os atributos que o levaram ao topo, mas soma a possibilidade de rodar quase 50 km em modo 100% elétrico - o que, para muitos clientes europeus, basta para ir e voltar do trabalho por dois dias.

Para quem se encaixa nesse perfil, migrar para este híbrido plug-in pode, de fato, reduzir o gasto mensal na “renda” destinada ao combustível, sem precisar adotar uma alternativa 100% elétrica.

Por outro lado, se você não tem onde carregar este Tiguan ou se seus deslocamentos diários são bem maiores do que a autonomia elétrica prometida, pode fazer mais sentido considerar o motor 2.0 TDI, que, na minha visão, continua combinando perfeitamente com este SUV.

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