A nova Volkswagen Multivan chega para preencher o espaço deixado pela Sharan - o monovolume histórico fabricado em Palmela - dentro da linha da marca alemã, mas faz isso de um jeito, no mínimo, bem… diferente.
E há um detalhe curioso por trás disso: a Multivan foi desenvolvida pela divisão de veículos comerciais da Volkswagen - mesmo sem existir, ao menos por enquanto, qualquer versão comercial do modelo. Essa escolha da direção da marca teve efeitos importantes no resultado final - e, como fica claro ao longo deste teste, na maior parte deles para melhor.
Para começar, em vez de um MPV com linhas mais suaves e com jeito de carro de passeio, como era a Sharan, aqui temos um MPV com desenho mais reto e vertical, mais próximo do que vemos em modelos como a Transporter.
Mas a pergunta que fica é: o novo MPV da Volkswagen consegue fazer a gente “esquecer” a Sharan? É o que vamos conferir neste teste com a Volkswagen Multivan que passou pela Razão Automóvel, na versão mais longa e bem equipada, com o conhecido 2.0 TDI.
Espaço para tudo (e mais alguma coisa)
Se a Sharan jamais foi um carro apertado, ao lado da Multivan ela chega a parecer um monovolume compacto, de tanto espaço que existe dentro da nova proposta da Volkswagen. A Multivan é mais alta e mais larga e, mesmo na configuração curta, já é 12 cm mais comprida que a Sharan - diferença que sobe para 32 cm nesta variante longa.
Depois de já ter rodado em uma Sharan da última geração, entrar na Multivan me deu a sensação de acessar um “universo à parte”.
Afinal, quantos modelos de passageiros entregam 1,31 m de altura interna útil, piso praticamente plano e ainda permitem passar da primeira para a segunda fileira sem precisar sair do veículo?
Para completar o pacote, há também um console central que corre sobre trilhos - e que pode “virar” uma mesa -, bancos individuais tão confortáveis que lembram poltronas e ainda uma boa quantidade de porta-objetos.
E, por ser a versão longa da Multivan, a unidade testada trazia um porta-malas com 514 litros de capacidade mínima… com todos os bancos instalados! E esse número pode aumentar.
Isso porque os bancos da segunda e da terceira fileiras podem ser removidos, transformando a Multivan alemã na companheira ideal para uma visita à famosa loja sueca e voltar para casa com móveis novos.
Sim, é verdade que modelos como a Peugeot e-Traveller têm dimensões próximas às da Multivan, mas não chegam ao mesmo nível da Volkswagen quando o assunto é versatilidade a bordo.
Dirige como um carro “normal”
Eu seria desonesto se dissesse que os 5,17 m de comprimento da Multivan na versão longa não “impõem respeito” na primeira vez ao volante - principalmente quando a comparação é com a Sharan, bem mais compacta.
Ainda assim, a ampla faixa de ajustes do banco e do volante, somada à grande área envidraçada, faz com que conduzir a Multivan seja uma tarefa surpreendentemente simples.
Depois de alguns quilômetros, as dimensões deixam de pesar, e a gente passa a valorizar os pontos fortes do MPV da Volkswagen. Construída sobre a plataforma MQB - sim, a mesma base usada pelo menor Golf -, a Volkswagen Multivan se mostrou confortável e, acima de tudo, muito estável.
Na estrada, chama atenção não só pela capacidade de lidar com ventos laterais, como também pela sensação de segurança que transmite a motorista e passageiros, mesmo em velocidades mais altas. Já no uso urbano, é o raio de giro curto que ajuda a encarar o trânsito sem medo de virar um “trambolho” no caminho dos outros.
Deixei para o fim o comportamento em curvas, mas aqui as notícias também são boas - e ela não decepciona nessas situações. Pelo contrário.
A Volkswagen Multivan se comporta de forma previsível e segura; a suspensão controla bem os movimentos da carroceria e a direção também é precisa. Como um carro pensado para a família, a Multivan entrega viagens confortáveis e sem sustos.
Diesel, é você que eu quero?
Se na apresentação e no primeiro contato o grande destaque ficou com a motorização híbrida plug-in, a nossa Multivan estava equipada com um tipo de motor que não tem tido “vida fácil” nos últimos anos - mas do qual eu continuo gostando: o 2.0 TDI na versão de 150 cv, combinado ao câmbio DSG de sete marchas (há também uma opção a gasolina).
Ele segue sendo a escolha mais lógica para quem precisa rodar muitos quilômetros sem ficar tão preocupado com o consumo - mesmo a híbrida plug-in sendo bem mais potente e rápida, graças aos 218 cv de potência máxima combinada, além de permitir percorrer algumas dezenas de quilômetros no modo 100% elétrico.
O 2.0 TDI responde desde baixas rotações e favorece um estilo de condução que, na minha visão, combina muito com a Multivan: tranquilo, mas sem ser lerdo. Precisa ultrapassar? É só usar as borboletas no volante, reduzir uma marcha e deixar os 150 cv e 360 Nm fazerem o trabalho.
Quer seguir viagem com a família? Ative o cruise control e a Multivan consegue manter velocidades de cruzeiro acima do moderado, enquanto entrega médias entre 6,0 l/100 km e 6,5 l/100 km.
Mesmo quando “apertamos o ritmo”, as médias não passam muito dos oito litros - um número que pode parecer alto à primeira vista, até lembrar do porte do carro e das mais de duas toneladas que ele registra na balança.
Aliás, preciso admitir: a Volkswagen Multivan foi um dos modelos que eu mais gostei de dirigir recentemente. Do alto conforto a bordo à resposta do motor suave, tudo parece somar para uma experiência relaxante, que faz deste modelo um veículo f eel good (sentir bem), muito alinhado à herança das icônicas “Pão de Forma”.
É o carro certo para você?
É difícil encontrar uma opção mais interessante do que a Volkswagen Multivan quando a necessidade é levar sete passageiros e suas bagagens com conforto - e ainda sobra espaço.
Eu comecei este texto perguntando se a Multivan faria a gente esquecer a Sharan. Talvez ela não apague totalmente a memória, mas é inegável que a Multivan representa uma evolução considerável.
E não é só pelo ganho de espaço a bordo - consequência também das dimensões maiores. É, sobretudo, pela modularidade e pela versatilidade do interior, sem fazer você se sentir ao volante de um derivado de veículo comercial.
Isso apesar de o desenho externo dialogar mais com esse tipo de veículo, mas não vejo isso como um obstáculo para quem busca um modelo realmente focado nas tarefas do dia a dia em família.
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