Esse pode ser mesmo o nome dele?
Nome e posicionamento do Mercedes-AMG GLE 63 S 4MATIC Cupê
Mercedes-AMG GLE 63 S 4MATIC Cupê. Sim, é isso mesmo. A lógica é simples (ainda que o nome não seja): trata-se da versão mais apimentada (S) da versão AMG do modelo cupê da linha GLE da Mercedes. E, caso você ainda esteja acompanhando, o GLE é o carro que antes atendia pelo nome de Classe ML.
O “4MATIC” só serve para avisar que a tração é integral - mas, na prática, é um detalhe quase redundante, já que não existe opção com tração em duas rodas. Talvez seja melhor assim, considerando que há cerca de 593 cv e 759 Nm para colocar no chão. Com esses números, ele entra direto no pelotão mais alto dos SUVs de altíssima potência.
O mundo precisa de mais um cupê de cinco portas fora de estrada?
Precisar, não precisa. Querer, ao que tudo indica, quer - e bastante. O BMW X6 pode não ser um exemplo de beleza, mas vendeu o suficiente para a BMW lançar também o X4. Dentro dessa lógica, o GLE Cupê acaba fazendo mais sentido do que parece.
Além disso, ele é bem mais harmonioso no visual do que o novo GLE “convencional”. E não é só aparência: o cupê é mais largo e mais baixo, o que ajuda no comportamento dinâmico. Os para-lamas ainda acomodam sem dificuldade as opções gigantes de rodas aro 22 (como as do nosso carro de teste).
Visto de trás, o GLE Cupê combina a janela arqueada, colunas que afunilam, ombros marcados e lanternas horizontais de um jeito que lembra o cupê da Classe S. E, olhando com boa vontade - talvez através do fundo de um copo de cerveja - dá até para notar um quê de AMG GT. Ainda assim, há espaço de sobra para adultos no banco traseiro e o porta-malas é enorme.
Porta-malas? Mas isto é um AMG - e na frente, o que tem?
Desculpe, você tem razão. O que interessa está sob o capô: um V8 biturbo. Não é o novo 4,0 litros, e sim o 5,5 litros mais antigo - e mais “cheio” em torque. E ele trabalha de forma brilhante.
Em baixa rotação, responde ao que você pede com uma facilidade quase total, sem esforço aparente. Mas, quando você aumenta os giros e abre mais o acelerador, o carro engole o horizonte. A entrega é tão eficiente (e tão pouco teatral) que às vezes você nem se dá conta do quão absurda é a performance - embora seja possível liberar uma sequência de pipocos e estalos no escape ao selecionar os modos esportivos do motor ou do câmbio.
Essa capacidade fica ainda mais óbvia nas ultrapassagens, que são, no fundo, o grande talento do carro. A posição de dirigir elevada ajuda a “ler” o trânsito e prever a janela, e a tração colossal permite até colocar uma roda na borda empoeirada do asfalto enquanto você passa como um foguete.
Ele faz curvas?
Faz - com força impressionante e uma sensação de segurança que não balança. Na traseira, há a opção de pneus 325/35 montados em rodas aro 22. A suspensão usa bolsas de ar que abaixam a carroceria em alta velocidade, amortecedores adaptativos e barras estabilizadoras ativas para conter a tendência natural de inclinação de um SUV alto. Resultado: a banda de rodagem desses pneus fica sempre bem assentada no chão.
Não surpreende que apareça um subesterço leve se você entrar rápido demais numa curva fechada, nem que surja um sobresterço igualmente discreto se você “martelar” o acelerador cedo na saída. O ponto fraco é que ele não entrega a mesma comunicação dos rivais - Cayenne, Range Rover Sport SVR ou X6M. E, convenhamos, nem esses três são exatamente falantes. Nesta categoria, a força bruta quase sempre vem antes de qualquer outra coisa.
Dá para conviver com ele no dia a dia?
Dá, e com facilidade. O rodar não é duro demais, embora exista uma tremedeira de fundo em algumas situações. Por dentro, o acabamento é excelente, e a Mercedes segue refinando tanto o sistema multimídia quanto os assistentes de segurança.
Em rodovias, ele praticamente se conduz sozinho. Aliás, como o sistema opcional Distronic Plus (controle de cruzeiro adaptativo por radar com assistente de direção) existe, ele realmente consegue “dirigir” por conta própria. Só que não pode - então, a cada 10 segundos aproximadamente, o carro avisa para você voltar as mãos ao volante. É apenas uma das coisas que este AMG é capaz de fazer, mas que, no geral, não é permitido fazer. A maioria delas tem relação direta com os cerca de 593 cv sob o capô...
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