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Mazda CX-3: teste do crossover compacto

Carro vermelho Mazda CX-3 em movimento numa estrada cercada por árvores e montanhas.

O que é?

O CX-3 é, na prática, o “irmão mais novo” do simpático crossover CX-5 da Mazda. Trata-se de um modelo menor, derivado de um carro de porte subcompacto, pensado para encarar diretamente rivais como Nissan Juke e Vauxhall Mokka.

Com proporções bonitas e uma carroçaria bem robusta, o CX-3 usa a mesma base do novo Mazda 2 - e isso é uma ótima notícia. O motivo é simples: gostamos da forma como o 2 se comporta, com condução ágil e um temperamento leve e bem-humorado, muito graças a uma boa dose da engenharia “SkyActiv” da Mazda, focada em reduzir peso.

A lógica por trás disso é cortar massa para ganhar agilidade e, de quebra, colaborar com a camada de ozônio. E essa estratégia trouxe retorno não só no novo roadster MX-5 - que já esperávamos que fosse divertido - como também na família 2, 3 e 6. Portanto, um crossover com visual caprichado montado nesse conjunto tem tudo para virar um carrinho muito competente.

Como o Mazda CX-3 dirige?

Pode soar estranho, mas dá para falar bem da condução do CX-3 antes mesmo de ligar o motor. Ainda perseguindo o seu lema de “cavalo e cavaleiro em harmonia”, o CX-3 deixa os concorrentes no chinelo quando o assunto é ajuste da posição de dirigir. O volante tem ampla regulagem de profundidade e altura, e o banco, além de oferecer bom apoio, desce bastante. Em segundos, você se sente mais “vestido” no carro, em vez de sentado alto como num banquinho.

Em movimento, o CX-3 também agrada ao volante. Os comandos não foram artificialmente aliviados, então dá para sentir o peso da direção rápida e do câmbio manual de engates diretos e curso curto. Ele enfrenta a tendência ao subesterço com mais disposição do que alguns rivais e mantém a aderência com teimosia.

Por outro lado, a suspensão traseira é relativamente firme: ao passar por irregularidades, o CX-3 reage como uma bicicleta de mountain bike com suspensão dianteira, amortecendo bem na frente, mas dando umas “quicadas” atrás.

Não é o tipo de carro que você vai levar para uma esticada ao amanhecer de domingo, porém o Mazda é tão capaz quanto o Juke - só que com uma posição de dirigir melhor resolvida.

Motores: quais são as opções?

Há apenas três motores disponíveis. O turbodiesel 1,5 litro é um quatro-cilindros bem “falante”, com 105 cavalos e 199 libra-pé (cerca de 270 Nm), com consumo declarado equivalente a 70 milhas por galão e emissões de 105 g/km.

Nos a gasolina, a Mazda vai contra a maré e dispensa turbo. A marca insiste que seu 2,0 litros, em versões de 118 cavalos ou 148 cavalos, é a escolha mais inteligente “no mundo real”, por oferecer resposta rápida ao acelerador e um consumo mais condizente com o dia a dia.

Curiosamente, o motor a gasolina parece mais feliz em rotações baixas, quando entrega um empurrão moderado com pouco barulho. Uma ida rápida para acima de 4.000 rpm, porém, traz um ronco áspero e insistente - nada agradável. E sim, o “empurrão” de um turbo como o de um VW Tiguan é um pouco mais conveniente. Não chega a ser um problema decisivo, mas é algo que exige adaptar o estilo de condução.

Por dentro: acabamento e ergonomia

A Mazda claramente se empenhou em elevar a qualidade da cabine. A base do painel do CX-3 vem diretamente do subcompacto 2, que por sua vez pega emprestadas algumas ideias do MX-5 - um começo promissor.

Instrumentos, projeção no para-brisa (head-up display) e saídas de ar ficam bem agrupados na região à frente do motorista. Há a tradicional central multimédia com tela “flutuante” sobre o painel, e os aperfeiçoamentos recentes nos controles giratórios ao estilo iDrive deixaram a operação um pouco mais intuitiva.

Algumas escolhas de materiais atrapalham ligeiramente: um plástico texturizado tenta imitar um efeito de fibra de carbono, e há outras peças plásticas fingindo ser metal. Mesmo assim, o conjunto passa sensação de foco no motorista e um ar esportivo, com bastante vermelho para dar vida ao ambiente sem parecer forçado.

E o espaço?

Ele oferece mais espaço do que um Nissan Juke ou um Vauxhall Mokka, e fica no mesmo nível de Renault Captur e do ainda mais “diferentão” Citroën C4 Cactus. Crianças não devem reclamar, e dá para levar quatro adultos sem câimbras nas pernas nem pescoços tortos. O porta-malas tem 350 litros, mas o nosso principal incômodo vem como efeito colateral do desenho.

A linha de cintura alta e os pilares traseiros grossos ficam ótimos, porém reduzem a entrada de luz e pioram a visibilidade pela traseira. Diretamente atrás, até vai; já a visão por cima do ombro é irritantemente limitada. Ainda assim, Jeep Renegade e Nissan Juke sofrem exatamente do mesmo tipo de chateação.

Isso basta para desanimar?

De jeito nenhum. Num crossover pequeno, ter aparência atraente já é meio caminho andado, mas o CX-3 soma espaço interno competente, equipamentos bem calibrados e condução agradável para reforçar o argumento - apesar do preço.

A versão mais barata do CX-3 já vem bem recheada, com itens como navegação com tela sensível ao toque, piloto automático, espelhos elétricos aquecidos e rodas de liga leve de 16 polegadas, mas parte de £17.595. É uma aposta ousada. Um CX-3 diesel automático totalmente equipado, com tração integral, faróis de LED e limpadores inteligentes, encosta nos £25.000.

A categoria de “subcompactos aventureiros” está lotada, mas mesmo com essa etiqueta de preço e com motores barulhentos, a Mazda entrou na briga com um concorrente de verdade.

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