A Lamborghini confirmou o encerramento da produção do Aventador e, com isso, também se despediu dos V12 naturalmente aspirados sem qualquer tipo de eletrificação. Esse momento serviu de pretexto ideal para voltarmos ao primeiro V12 que a marca italiana lançou no século XXI: o lendário Lamborghini Murciélago.
Apresentado ao público no Salão do Automóvel de Frankfurt de 2001, o Murciélago - antecessor espiritual do Aventador - foi criado para substituir o Diablo e levar o tradicional 12 cilindros de Sant’Agata Bolognese para uma nova era.
E ele cumpriu muito bem essa tarefa. No lançamento, o V12 de 6,2 litros entregava 580 cv, mas ao longo da sua trajetória (entre 2001 e 2011) o Murciélago foi evoluindo até chegar aos 670 cv.
De onde vem o nome Murciélago?
Antes de entrar nos detalhes técnicos, vale entender a origem do nome Murciélago (“morcego”, em espanhol), que, como é habitual nos modelos da “Lambo”, está ligada ao universo da tauromaquia.
Segundo a lenda - e como a própria Lamborghini relata - um touro com esse nome teria sido oferecido a Don Antonio Miura, e foi a partir desse animal que o famoso criador deu início à linhagem dos touros Miura.
Começou com 580 cv e “subiu” até aos 670 cv
Esclarecido o batismo, é hora de olhar novamente para a configuração original do Murciélago, com 580 cv: a marca anunciava 330 km/h de velocidade máxima e uma aceleração de 0 a 100 km/h em 3,8s.
Esse conjunto mecânico ficou disponível até 2007 (nas carrocerias cupê e roadster), quando foi apresentada a segunda fase do modelo, oficialmente chamada de Murciélago LP 640-4.
Como o nome indica, essa evolução manteve o V12 de 6,2 litros, agora com 640 cv, e permaneceu em linha até 2010. Foi justamente nesse ano que apareceu o Murciélago LP 650-4 Roadster, com capota de lona manual e um V12 de 6,5 litros ajustado para produzir 650 cv.
Na mesma altura, também surgiu o ponto mais alto da família Murciélago: o 670-4 SV (Super Veloce), com 670 cv, 341 km/h de velocidade máxima e 100 kg a menos, resultado do uso intensivo de fibra de carbono.
O último com motor V12 a ter câmbio manual
Em todas as variantes do Murciélago, havia dois elementos em comum: o sistema de tração nas quatro rodas (herdado do Diablo) e o câmbio manual de seis marchas - embora, mais tarde, a linha tenha passado a oferecer também uma transmissão automatizada eletrônica, com aletas atrás do volante. Ainda assim, este foi o último Lamborghini com motor V12 a ser vendido com câmbio manual.
Durante os 10 anos em que ficou no mercado, foram feitos 4099 exemplares do Murciélago. Nesse período, o modelo ganhou diferentes edições especiais, como a LP 640 Versace, e até uma versão dedicada ao Mundial de GT, a R-GT.
Recorde de velocidade em Nardò
Entre os capítulos mais marcantes dessa história, um dos principais aconteceu em fevereiro de 2002, quando a Lamborghini levou um Murciélago ao campo de provas de Nardò, na Itália, para tentar superar o recorde mundial de velocidade para um carro de produção em série.
Com o piloto de testes Giorgio Sanna (hoje ele é o “patrão” da Lamborghini Squadra Corse) ao volante, o Murciélago completou 305,048 km em uma hora; na volta mais rápida, registrou velocidade média de 325,98 km/h. Além disso, os recordes de 100 km e de 100 milhas também foram quebrados.
Aventador, o senhor que se seguiu
Como já apontamos no começo, o Murciélago deu lugar ao Aventador - que agora chega ao fim da sua trajetória -, com 11 465 unidades produzidas em 11 anos, tornando-se o Lamborghini com motor V12 mais vendido de todos os tempos.
O desempenho comercial do Aventador foi tão expressivo que, em apenas cinco anos, ele conseguiu superar o total de vendas do Murciélago.
Agora, resta descobrir quem será o próximo “senhor”, com a certeza de que o tradicional V12 de Sant’Agata Bolognese vai acabar se rendendo à eletrificação.
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