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Teste do Nissan Juke Hybrid Tekna: vale o preço a mais?

Carro SUV compacto vermelho Nissan Juke Hybrid estacionado em ambiente interno iluminado e moderno.

Depois de avaliarmos o Juke Kiiro, voltamos a encarar o crossover japonês - agora para conhecer a sua inédita opção eletrificada: o Nissan Juke Hybrid, aqui na configuração topo de linha Tekna, a mais completa.

Além de, como é natural, assumir o posto de Juke mais econômico da gama, essa nova alternativa híbrida chega acompanhada de outras mudanças, incluindo ajustes visuais.

A dúvida é se ele é mesmo o “Juke certo para escolher”. Afinal, mesmo entregando consumo menor e potência superior, o Juke Hybrid também custa consideravelmente mais do que as versões restantes do Juke.

Igual a si próprio

Começando pela parte estética, gostei das alterações. Elas são discretas - para-choque dianteiro, grade e spoiler novos -, mas basta colocá-lo lado a lado com um Juke “antigo” para perceber que as diferenças aparecem com clareza.

Por dentro, o Juke segue sendo um bom exemplo de ergonomia, com exceção da localização do seletor dos modos de condução e do “e-Pedal”. O visual continua atual, porém o sistema de infoentretenimento já pede atualização, e a montagem poderia ter mais capricho.

Como acontece em outras soluções híbridas, o Juke Hybrid perdeu espaço no porta-malas em relação aos Juke apenas a combustão: caiu de excelentes (para o segmento) 422 l para 354 l. No uso diário, ainda assim, essa redução quase não chama atenção.

Mecânica conhecida

O conjunto híbrido do Juke Hybrid não utiliza a tecnologia e-Power da Nissan que vemos no Qashqai maior. Em vez disso, o sistema foi “emprestado” de outro integrante da Aliança: o Renault Clio E-Tech.

Na prática, a receita junta um quatro cilindros em linha 1,6 l aspirado, com 94 cv e 148 Nm, a um motor elétrico de tração de 36 kW (49 cv) e 205 Nm. Soma-se ainda um motor-gerador de 15 kW (20 cv), além de inversor e uma bateria com refrigeração líquida de 1,2 kWh.

No total, o novo Juke Hybrid declara 105 kW ou 143 cv de potência máxima combinada - ou seja, mais 29 cv do que o 1.0 DIG-T.

Um ponto que merece destaque é a transmissão, feita por uma caixa multimodal de baixa fricção. Ela traz quatro marchas para o motor a combustão e duas para o motor elétrico e dispensa embreagem convencional: para trocar de relação, usa embreagens de patilhas em vez de anéis sincronizadores tradicionais.

Como tudo isto se traduz no «mundo real»?

Ao assumir o volante do Juke Hybrid, a primeira impressão é positiva: o sistema híbrido funciona com suavidade e permite realizar boa parte das manobras em modo elétrico, em total silêncio.

Com o carro em movimento, a resposta do conjunto também agrada.

Se no Juke a combustão o modo “Eco” restringia demais as reações do motor, no híbrido a calibração ficou mais acertada. Na verdade, acaba sendo uma opção bem equilibrada, pelo bom meio-termo entre desempenho e consumo.

No modo “Sport”, as melhorias também ficam claras. No Juke a combustão, a maior sensibilidade do câmbio - e até do acelerador - atrapalhava a progressividade. No híbrido, isso não acontece: a suavidade que define o sistema não é “quebrada”.

O mais curioso é que, embora “no papel” o ganho de desempenho não pareça tão grande (10,1s contra 11,1s no 0 a 100 km/h, por exemplo), no dia a dia a versão híbrida se mostra mais rápida e, principalmente, mais gostosa de conduzir, sobretudo na cidade.

Bem mais económico

Como era de se esperar, não é só em desempenho que a eletrificação faz diferença; onde o Juke híbrido mais se destaca é na economia.

Com o Juke Hybrid, não vi o computador de bordo passar de 5,8 l/100 km - mesmo depois de explorar a “veia mais dinâmica” do modelo. O contraste é grande com o Juke a combustão que testei recentemente, no qual as médias não baixavam de 6,6 l/100 km.

Quando devolvi o Juke Hybrid à Nissan, após quase 1000 km rodados, a média ficou em 5,1 l/100 km. E isso sem grandes preocupações em economizar, encarando todo tipo de trajeto: de rodovia ao anda-e-para urbano, além de rodar com o carro cheio de passageiros e bagagem.

Ainda mais fácil de conduzir

Além de melhorar consumo e desempenho, a eletrificação ainda deixou o Juke mais simples de dirigir - e não é que o a combustão já não fosse “fácil de levar”. Mas, no ambiente urbano, o Juke Hybrid está “em outro patamar”.

Parte dessa sensação vem do sistema “e-Pedal”, que aqui funciona como um “modo B” da transmissão, elevando a regeneração na desaceleração. Ele é bem suave; o único porém é que a ativação fica em um botão ao lado do comando do freio de estacionamento, e não na alavanca do câmbio, como costuma ser.

O comportamento dinâmico do Juke Hybrid também merece elogios. Ele não é tão divertido quanto o antecessor - nem quanto um Ford Puma -, mas o que perdeu em diversão compensou com mais eficiência, maior estabilidade em rodovia e melhor conforto ao rodar, atributos importantes em um carro que provavelmente terá uso familiar.

É o carro certo para si?

Mesmo com desempenho superior, é na cidade que o Nissan Juke Hybrid mais brilha. Se esse é o seu principal cenário de uso, o crossover japonês merece entrar na lista de candidatos. A eletrificação tornou o Juke especialmente fácil e agradável no trânsito urbano, sem sofrer quando vai para a rodovia.

Além disso, essa versão híbrida acrescentou ao Juke uma nova qualidade: ser econômico no consumo de combustível.

No entanto, nem tudo “são rosas”. Existe, literalmente, um preço a pagar: cerca de mais 5000 euros em relação aos Juke equivalentes com motor a combustão.

Vale colocar a calculadora na mesa - levando em conta a quilometragem anual e o tipo de trajeto - para entender se esse “salto” realmente compensa.


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