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XPeng P7+ chega à Europa mirando o Tesla Model 3

Carro elétrico prata XPeng P7+ exibido em showroom moderno com paredes de vidro e outros veículos ao fundo.

A XPeng quer ampliar sua presença na Europa e dá o próximo passo com o P7+, que chega com um objetivo bem definido: enfrentar o Tesla Model 3.

A marca é chinesa, mas vem trabalhando para ser percebida cada vez mais como europeia, inclusive com desenvolvimento e parte da montagem feitos localmente. Os SUVs G6 e G9, por exemplo, já são montados na Áustria, embora os componentes ainda sejam importados da China.

Essa ambição de crescer no continente ganha agora um reforço importante com o novo XPeng P7+. Trata-se de um sedã elétrico de perfil familiar, com mais de cinco metros de comprimento, carregado de tecnologia e que aponta, sem rodeios, para um rival específico: o Tesla Model 3.

Fomos a Barcelona, na Espanha, para dirigir pela primeira vez o novo topo de linha europeu da XPeng. Ao todo, foram cerca de 300 km ao volante do P7+. Ele tem argumentos para encarar um dos elétricos mais vendidos da Europa? Veja a seguir.

Visual imponente com foco na eficiência

“Gostos não se discutem”, como diz o ditado, mas há algo difícil de negar ao olhar o XPeng P7+: ele impõe presença. Isso se explica pelos mais de cinco metros de comprimento, pelos três metros de entre-eixos e pela largura em torno de dois metros.

Mais importante, porém, é o trabalho aerodinâmico. O XPeng P7+ está entre os carros com menor resistência ao ar do mercado, com coeficiente (Cx) de apenas 0,211.

Para chegar a esse resultado, ajudam as superfícies limpas, sem vincos desnecessários, a silhueta fastback com linha de teto baixa e as maçanetas embutidas, niveladas com a carroceria.

Qualidade interior em destaque

Por dentro, a mesma proposta “limpa” do exterior continua, com um desenho minimalista parecido com o de outros modelos da marca. O destaque vai para a tela central (15,6″), que concentra praticamente tudo, acompanhada por uma tela menor (8,8″) atrás do volante, funcionando como painel de instrumentos.

Ainda assim, é no acabamento que o XPeng P7+ mais se diferencia de parte dos concorrentes. Materiais e montagem estão em nível muito bom, e neste primeiro contato não notei ruídos parasitas.

Espaço também é um ponto alto do P7+, e é aqui que os três metros de entre-eixos aparecem com mais clareza. O porta-malas, com 573 litros, também não decepciona, embora a linha do teto restrinja o transporte de itens mais altos.

O XPeng P7+ também chama atenção pelo pacote tecnológico, mas ainda precisa evoluir em alguns aspectos. É pela tela central que se controla rigorosamente praticamente tudo no carro - quase não há botões.

Com isso, acabamos recorrendo com frequência à interface, o que exige um período de adaptação. O sistema de infoentretenimento não está entre os mais intuitivos e obriga a passar por vários menus até chegar à função desejada.

Um exemplo claro são os assistentes de condução, que se mostraram constantemente muito intrusivos. Dá para desativá-los - e é preciso fazer isso toda vez que ligamos o carro -, mas na prática eles continuaram interferindo.

Ao fim deste primeiro contato, fiquei com a sensação de que a tela menor atrás do volante acaba sendo redundante. Isso porque a unidade que dirigi tinha um head-up display com praticamente as mesmas informações e, quando era necessário algo a mais, eu acabava voltando para a tela central.

Conforto domina

Dirigindo, o XPeng P7+ deixa claro qual é sua prioridade: conforto. A suspensão adaptativa absorve bem as irregularidades, sobretudo na cidade, entregando uma condução bem macia. Há modos de condução, mas as diferenças são pouco perceptíveis, mesmo quando se escolhe uma configuração mais firme.

Essa ênfase no conforto aparece no comportamento dinâmico. A calibração mais macia da suspensão faz a carroceria balançar mais, inclusive em rodovia, e isso acaba tirando um pouco da confiança ao volante em situações mais exigentes.

O comportamento é sempre seguro e previsível, mas eu esperava mais no equilíbrio entre conforto e dinâmica.

É um sedã que parece mais à vontade em ritmos moderados, então os 230 kW (313 cv) da versão RWD Long Range Pro que pude dirigir são mais do que suficientes.

Alimentando o motor elétrico montado no eixo traseiro, há uma bateria de íons de lítio LFP (fosfato de ferro-lítio) que, em comparação ao P7 anterior, perdeu capacidade: 74,9 kWh contra 86,2 kWh.

Como consequência, a autonomia também caiu, de 576 km para 530 km. Para compensar, o P7+ aceita recarga em corrente contínua (DC) com potências tão altas quanto 446 kW - melhor, só outro XPeng, o G9 - graças à sua arquitetura elétrica de 800 V. Na prática, são necessários 12 minutos para ir de 10% a 80%.

Em consumo, espero ter outra oportunidade de passar mais tempo com o XPeng P7+ para medir a eficiência real do modelo, mas as primeiras impressões são animadoras. Nos cerca de 300 quilômetros que rodei, o consumo ficou na faixa de 15 kWh/100 km.

Já disponível para encomenda

O novo XPeng P7+ já chegou ao mercado nacional e a fase de pré-venda já começou, com preços a partir de 38 200 euros (+IVA) para a versão de entrada - o jeito como o preço é apresentado deixa clara a aposta em empresas e ENI (empresários em nome individual) -, que traz motor elétrico traseiro com 180 kW (245 cv) e bateria de 61,7 kWh, para autonomia de até 455 km (WLTP).

A versão RWD Long Range Pro, que eu dirigi, pode ser a escolha mais interessante, já que entrega mais potência 225 kW (313 cv) e mais autonomia, graças à bateria de 74,5 kWh.

Para quem busca mais desempenho, a XPeng também oferece o P7+ AWD Performance, que adiciona um motor elétrico no eixo dianteiro, garantindo tração integral e potência total de 370 kW (503 cv).

Veredito

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