Carro zero-quilômetro nunca esteve tão caro. A alta de preços dos últimos anos atingiu o mercado inteiro, dos compactos urbanos aos superesportivos - e, em Portugal, esse cenário fica ainda mais evidente.
Boa parte disso passa pela “nossa” tributação automotiva, que continua muito baseada na cilindrada e acaba pesando mais sobre os modelos com motores maiores - justamente os que, muitas vezes, associamos aos carros mais divertidos de guiar.
E nem é preciso “visitar” motores de seis ou oito cilindros. Do jeito que Portugal encara os automóveis, um bloco “pequeno” de 2,0 litros já basta para acrescentar vários milhares de euros ao valor de um carro novo.
Ainda assim, quem procura um carro com pedigree esportivo não precisa desistir: no mercado de usados ainda aparecem boas oportunidades para quem quer desempenho de verdade e um acerto dinâmico bem marcado.
A seguir, reunimos cinco opções diferentes entre si, todas com argumentos fortes e presença real no mercado português. E há um ponto em comum entre elas: dá para encontrar por menos de 20 mil euros.
Mazda MX-5 (ND)
No Mazda MX-5 (ND), a marca voltou a apostar na leveza e na simplicidade que fizeram a fama do conceito original do roadster japonês - uma essência que muita gente considera ter se diluído um pouco na terceira geração (NC).
Apresentado em 2015, o MX-5 (ND) estreou com um visual totalmente renovado e mais agressivo, mas a receita manteve o que realmente importa: tração traseira, massa baixa (por volta de uma tonelada nas versões mais leves) e câmbio manual.
No começo, ele era oferecido com o Skyactiv-G (sempre aspirado) 1,5 litro de 131 cv e o 2,0 litros de 160 cv. Em 2018, o 1,5 litro ganhou 1 cv e o 2,0 litros passou a entregar 184 cv. O primeiro se destaca claramente pelo consumo, embora exija mais trabalho de câmbio. Já o segundo tem mais fôlego em baixa rotação e libera um nível extra de diversão no MX-5.
Por aqui, as versões 1,5 litro e os primeiros 2,0 litros de 160 cv costumam ser as que mais facilmente encostam no teto de 20 000 euros no mercado português. Há unidades nessa faixa de preço no PiscaPisca.
Seja qual for a configuração escolhida, o MX-5 não será o mais rápido desta lista, mas poucos entregam uma experiência de direção tão direta e “pura”.
Renault Clio R.S. 2.0 (197 cv)
A Renault Sport, que encerrou suas atividades em 2021, deixou uma herança que dificilmente sai da memória de quem gosta das versões mais “apimentadas” dos carros de produção.
Do Clio V6 ao Twingo R.S. Gordini, existem vários modelos que mereciam conversa, mas aqui a escolha recai sobre um dos que mais fazem falta: o Renault Clio R.S. 2.0, ou, como muitos preferem chamá-lo, o último Clio R.S. com motor aspirado.
E é justamente pelo 2,0 litros de 197 cv que a história precisa começar, porque ele era a alma e o coração do Clio de terceira geração na configuração R.S. Com câmbio manual de seis marchas, fazia 0 a 100 km/h em 6,9s e chegava aos 215 km/h de velocidade máxima.
Só que os números explicam apenas uma parte do encanto: o acerto de chassi ainda merece um lugar no “Monte Olimpo” dos hatches esportivos - onde também mora o Mégane R.S. de terceira geração.
Equilibrado, muito comunicativo e com entrega de torque progressiva, o Renault Clio R.S. 2.0 premiava quem gosta de trabalhar o câmbio e manter o motor em rotações mais altas.
No mercado português, ainda dá para achar exemplares entre 16 500 e 18 000 euros, variando conforme estado de conservação e quilometragem. No PiscaPisca, há pelo menos três carros nessa faixa.
Ford Fiesta ST200
Durante muito tempo, o Ford Fiesta ST foi um dos grandes nomes entre os hatches esportivos compactos. Ele só deixou de reinar porque a marca do oval azul decidiu encerrar a linhagem. Infelizmente.
Mesmo assim, no mercado de usados ainda dá para “apanhá-los”, e há várias unidades que cabem no limite de 20 mil euros definido para este exercício - basta abrir a ligação indicada. Você encontra opções de 2021 e 2022, já com o três-cilindros de 200 cv. Ainda assim, voltamos uma geração para recomendar o Fiesta ST200, que também pode ter um potencial de valorização diferente.
Lançado em 2013, o Fiesta ST daquela fase usava um 1,6 litro de quatro cilindros, com 182 cv e 240 Nm. Essa base abriu caminho para, três anos depois, a Ford apresentar o Fiesta de produção mais potente de sempre até então.
Assim surgiu o Fiesta ST200, com 200 cv (215 cv em overboost, durante 20s) e 290 Nm de torque. O 0 a 100 km/h acontece em cerca de 6,7 segundos, e a velocidade máxima fica na casa dos 230 km/h.
Mas o que realmente o separava dos demais era o conjunto: direção bem direta, eixo dianteiro afiado e uma traseira solta o bastante para deixar um sorriso no rosto.
Honda Civic Type R (EP3)
O EP3 foi o primeiro Civic Type R vendido na Europa e, apesar do visual mais “quadradão”, entregava um esportivo de alto nível. Talvez por isso, até hoje, siga como um dos hatches esportivos mais desejados da sua geração.
O porquê é simples: ele tinha quase tudo o que se espera nesse tipo de carro. Chassi extremamente bem acertado pelos engenheiros japoneses da Honda, direção comunicativa na medida certa (q.b.) e o conhecido motor K20A2 - 2,0 litros, aspirado, VTEC - com 200 cv e giro até 8100 rpm.
Somando-se a isso, vinha a reputação de robustez mecânica da Honda. Era um motor que aguentava até os piores abusos em pista. E é exatamente por esse motivo que não é raro ver unidades rodando com mais de 200 mil quilômetros, além de servir como ótima base para preparações de quem quer montar uma máquina infernal para dias de pista.
Os preços subiram nos últimos anos, mas ainda aparecem alguns exemplares abaixo de 20 000 euros, principalmente os mais rodados. Você pode encontrá-los no PiscaPisca.
MINI John Cooper Works (F56)
Para fechar, o MINI John Cooper Works: a leitura mais musculosa do MINI moderno. A geração F56, lançada em 2015, adota um 2,0 litros turbo de quatro cilindros, com 231 cv e 320 Nm - e era, naquele momento, o MINI de produção mais potente de sempre.
Com câmbio manual de seis marchas ou automático Steptronic, o MINI JCW (F56) cumpria o 0 a 100 km/h em 6,3 segundos (-0,2s com o câmbio automático), sem abrir mão da sensação de “kart” que sempre definiu o modelo.
Por outro lado, em comparação com os antecessores, ele parecia mais “crescido” e mais comportado, muito por conta de uma dianteira extremamente eficaz. Para quem busca algo com uma pegada mais analógica, pode fazer sentido olhar para a geração anterior, mas esta acaba sendo a alternativa mais equilibrada.
No mercado de usados em Portugal, os preços costumam ficar no limite dos 20 000 euros para as primeiras unidades de 2015: há alguns exemplares no site do PiscaPisca.
Dito isso, não existe escolha certa ou errada. São cinco carros com propostas diferentes e usos distintos. Mas qualquer um deles consegue entregar uma direção envolvente e deixar aquele sorriso de orelha a orelha. E, em um esportivo, isso vale mais do que todo o resto. Certo?
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