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CATL inicia produção em série de baterias de íons de sódio e investe no lítio-ar

Mulher cientista em laboratório analisando bateria cylindrical e sorrindo.

Num setor em que cada ponto percentual de participação vira vantagem estratégica, a CATL - que já controla quase metade do mercado chinês de baterias - quer ampliar ainda mais o seu alcance. A gigante chinesa vai iniciar ainda este ano a produção em série de baterias de íons de sódio, um passo que a colocaria como pioneira nessa escala dentro da indústria.

A informação foi revelada por Wu Kai, cientista-chefe da empresa e membro da Academia Chinesa de Engenharia, durante o Fórum de Equipamentos Industriais. Se a promessa se confirmar, o impacto pode ser relevante para o futuro da indústria automotiva.

Quais as vantagens das baterias de sódio?

O grande trunfo dessas baterias é o custo bem mais baixo, graças ao uso de sódio (na prática, compostos de sódio) e de outras matérias-primas mais abundantes e baratas. O sódio pode ser obtido da água do mar, como no caso do sal de cozinha. Além disso, baterias de íons de sódio tendem a oferecer maior estabilidade térmica e um desempenho melhor em ambientes muito frios.

Com um preço muito inferior - até mesmo quando comparado às baterias de íons de lítio com química LFP (fosfato de ferro-lítio) -, elas podem acelerar a democratização da mobilidade elétrica. Isso porque ajudam a atingir a desejada (pela indústria automotiva) paridade de custos entre carros a combustão e elétricos nos segmentos de entrada.

Somam-se a isso a possibilidade de diminuir a dependência de matérias-primas críticas e de dar mais previsibilidade aos custos de uma indústria cada vez mais pressionada.

Se já tínhamos noticiado que o primeiro modelo a receber as baterias de íons de sódio da CATL será o sedã Changan Nevo A06, o primeiro grande contrato para essa tecnologia terá um rumo bem diferente.

A CATL fechou uma encomenda de 60 GWh de baterias de íons de sódio - a maior já registrada no mundo para essa tecnologia - com a conterrânea HyperStrong, voltada ao negócio de armazenamento de energia.

Para o setor automotivo, a gigante das baterias pretende, no médio prazo, elevar a densidade energética das baterias de íons de sódio, para que fiquem tão competitivas quanto as populares baterias LFP.

CATL já imagina futuro para lá das baterias de estado sólido

Mas a CATL já enxerga um caminho que vai além do sódio - e até das baterias de estado sólido, que ainda não chegaram de fato ao mercado. A empresa está apostando na tecnologia lítio-ar, que usa, no cátodo, o oxigênio presente na atmosfera em vez de precisar armazenar na célula um elemento químico.

Isso permite reduzir bastante o peso do conjunto e superar com folga a densidade energética das baterias de estado sólido (podem chegar a 500 Wh/kg; hoje as baterias de íons de lítio chegam a cerca de 250 Wh/kg).

O potencial dessa tecnologia, ainda em fase de pesquisa, é grande, com a CATL a apresentá-la como uma possível sucessora das atuais baterias de íons de lítio.

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