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Efeito sanfona: revisão tranquiliza quem tenta perder peso

Pessoa sentada à mesa com laptop, prato de comida saudável, copo d'água, balança e fita métrica.

Muita gente quer emagrecer, mas acaba nem começando. O receio é recuperar os quilos depois e terminar pior do que estava.

Esse medo específico influencia conselhos sobre dieta há anos. Ele gira em torno do chamado efeito sanfona - o vai e vem de perder peso e ganhar de novo.

O alerta mais repetido sempre esteve por toda parte. Dietas muito restritivas seguidas de recuperação do peso eram tratadas como uma armadilha a evitar.

Só que dois cientistas revisaram estudos anteriores sobre o efeito sanfona. O que encontraram deve tranquilizar muitos dieters apreensivos.

Preocupações que podem estar exageradas

A revisão foi liderada pelo professor Faidon Magkos, da Universidade de Copenhague, em parceria com um colega.

“Muchas pessoas deixam de tentar emagrecer porque temem que o ganho de peso posterior possa prejudicar o corpo ou o metabolismo. Nossa revisão indica que essas preocupações são em grande parte infundadas”, afirmou o professor Magkos.

“Na maioria dos casos, os benefícios da perda de peso superam os possíveis riscos de um ganho de peso posterior.”

O trabalho reuniu evidências variadas. Incluiu estudos observacionais, ensaios clínicos e pesquisas com animais, avaliando peso corporal, composição corporal e metabolismo.

A conclusão principal contraria décadas de cautela. É um afastamento claro do aviso tradicional.

De volta ao ponto de partida

Quando o peso retorna, as pessoas realmente devolvem parte dos ganhos de saúde obtidos. O risco sobe novamente.

“Quando o peso volta, você se aproxima de um nível de risco semelhante ao de antes - não acima dele. Há uma diferença crucial entre perder benefícios e causar dano”, disse Magkos.

Essa distinção sustenta todo o raciocínio. Voltar atrás não é o mesmo que cair abaixo do nível de onde se saiu.

Mesmo cada ciclo de emagrecimento ainda traz algo de útil. O corpo passa um período concreto em um peso menor e mais saudável.

Como a má fama se espalhou

Com o tempo, o efeito sanfona ganhou uma reputação sombria. Houve quem afirmasse que ele faria mais mal do que simplesmente permanecer com excesso de peso.

A lista de danos suspeitos cresceu rápido. Entre eles, mais gordura corporal, perda de massa muscular, metabolismo mais lento e maior chance de diabetes tipo 2 e doença cardíaca.

Essas preocupações não ficaram apenas nas manchetes. Elas moldaram a comunicação pública e recomendações clínicas por muitos anos.

As evidências não sustentam

Boa parte desse alarme se apoia em bases frágeis. Muitos dados vêm de relatos das próprias pessoas sobre seu peso, e esse tipo de informação frequentemente é pouco confiável.

Além disso, separar causa e efeito é complicado. Os números podem sugerir uma associação sem esclarecer o que a provocou.

Há ainda outro fator que embaralha o quadro. Muitas vezes não fica claro se alguém perdeu peso por escolha própria ou por causa de uma doença.

“Quando se leva em conta doença preexistente, envelhecimento e a exposição global à obesidade, os supostos efeitos nocivos do efeito sanfona em grande parte desaparecem”, disse o professor Norbert Stefan, do Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes.

Ao retirar esses elementos, o risco aparente diminui. Em muitos casos, o problema não era a dieta em si.

O excesso de peso é o problema

Diversos estudos grandes apontam para um responsável mais simples. A quantidade de excesso de peso, e não o quanto ela sobe e desce, parece ser o principal motor das doenças metabólicas.

Com isso, a culpa sai do ciclo de perda e ganho de peso e recai sobre a obesidade em si.

Essa mudança altera onde a atenção deveria estar. O foco passa a ser reduzir o excesso de peso, e não vigiar cada oscilação.

O que isso significa para medicamentos

Essa discussão é ainda mais relevante hoje. Medicamentos para emagrecer se disseminaram rapidamente, e interrompê-los costuma trazer de volta grande parte do peso.

Muitos usuários vão pausar ou abandonar o tratamento em algum momento. O que ocorre depois virou uma questão urgente.

Os autores defendem que esse retorno do peso não precisa ser interpretado como algo prejudicial. Mesmo um período temporário de melhor saúde tem valor real.

Alguns meses bons continuam sendo meses bons. Isso pode significar glicemia mais estável, mais facilidade para se movimentar e melhora no dia a dia.

Esse novo enquadramento alivia uma preocupação comum entre pacientes. O medo de recuperar peso não deveria impedir alguém de usar um tratamento que ajuda.

Tentativas “fracassadas” também contam

A maioria das pessoas que consegue manter o peso no longo prazo tropeça várias vezes antes. Uma tentativa que termina com ganho de peso pode ser um passo rumo àquela que finalmente dura.

Nessa perspectiva, recuperar peso não é sinônimo de fracasso. Muitas vezes, faz parte do caminho até dar certo.

Isso importa para a forma como as pessoas se sentem. Um revés não precisa ser visto como prova de que o esforço foi inútil.

Nada disso é um sinal verde para dietas irresponsáveis e extremamente restritivas. A mensagem é mais específica e mais serena do que isso.

Mudanças graduais ainda são melhores do que oscilações intensas. O achado apenas sugere que essas oscilações não são o vilão que pareciam.

O debate continua

Esta análise é uma Visão Pessoal, um formato em que cientistas ponderam as evidências existentes e apresentam um julgamento fundamentado.

Outros pesquisadores podem interpretar os mesmos estudos de outro modo. Os autores expõem um argumento, não um veredito definitivo.

“Pessoas com sobrepeso não devem ser desencorajadas a tentar perder peso, mesmo que considerem difícil manter no longo prazo”, observaram os pesquisadores.

“Tentativas malsucedidas de perda de peso não são prejudiciais, mas desistir completamente pode ser.”

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