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Ferrari Luce: o teste decisivo, em carros de luxo, para os elétricos de alta performance

Carro esportivo vermelho Ferrari SF90 Stradale em garagem moderna com piso de mármore.

Ano após ano, os elétricos de luxo com alta performance continuam a esbarrar no mesmo obstáculo: a procura não acompanha a ambição.

Mesmo com números de desempenho de fazer cair o queixo, a maioria dos clientes deste segmento ainda quer o “bom e velho” motor a combustão. Para quem compra um carro de luxo, silêncio não é um argumento: o que se busca é barulho, emoção e um motor com história para contar.

É neste cenário que aparece o Luce, o primeiro elétrico da história da Ferrari. Mais do que um modelo inédito da marca italiana - e até heresia para alguns -, tudo indica que ele pode ser o teste mais importante para o futuro dos elétricos de luxo. Foi sobre esse peso que a Ferrari carrega que falamos no Auto Rádio, um podcast da Razão Automóvel com o apoio do PiscaPisca.pt. Ora veja:

Algo que ninguém consegue resolver

Os elétricos já provaram ser muito competentes em diversos segmentos. Mas o universo dos supercarros e dos carros de luxo joga com outras regras. Aqui, os números importam - só não explicam tudo.

A componente sensorial sempre foi parte central da fórmula: o som do motor, a vibração mecânica, o crescendo das rotações. Coisas que um motor elétrico simplesmente não consegue reproduzir. Não por acaso, várias marcas já começaram a admitir essa realidade.

A Rimac, que criou o que é hoje o hipercarro elétrico mais radical do planeta, o Nevera R, já reconheceu que os clientes com mais dinheiro continuam a preferir motores a combustão. E é por isso que o CEO da Bugatti Rimac, Mate Rimac, deu instruções para a Bugatti desenvolver um novo motor V16 híbrido com 1800 cv para o Tourbillon.

Mas a Rimac não é caso único, embora tenha a particularidade de tentar vender elétricos que custam mais de dois milhões de euros. Algumas centenas de milhares de euros abaixo, onde vamos encontrar o Ferrari Luce, era suposto existir um rival da Lamborghini - mas isso já não vai acontecer.

Stephan Winkelmann, diretor-executivo da marca de Sant’Agata Bolognese, tocou recentemente no assunto e foi direto ao afirmar que o interesse dos clientes é “perto de zero”. Por isso mesmo, ia reforçar a aposta nos motores de combustão interna, mas integrados em sistemas híbridos plug-in.

Tudo ou nada

Por tudo isto, fica cada vez mais claro que não é um problema técnico. É um tema emocional. E, se há marca capaz de mexer com os sentidos de quem gosta de automóveis, essa marca é a Ferrari.

Quando a Ferrari lança um novo modelo, o efeito costuma ir além do produto. A marca tem um talento raro para transformar engenharia em desejo: tantas vezes se diz que a Ferrari não vende carros, vende sonhos. E é exatamente isso que ela terá de fazer com o Luce.

Se o primeiro Ferrari elétrico conseguir conquistar os clientes da marca, pode abrir caminho para que outros lancem uma nova geração de elétricos de alta performance e luxo. Por outro lado, se nem a Ferrari convencer esse público, talvez fique demonstrado que há segmentos onde a eletrificação simplesmente não tem espaço.

Encontro marcado no Auto Rádio para a próxima semana

Não faltam, por isso, motivos para ver/ouvir o episódio mais recente do Auto Rádio, que volta na próxima semana às plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.

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