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Teste do Chrysler 300C SRT-8 Touring

Carro prata modelo perua circulando em estrada sinuosa cercada por árvores e vegetação.

Este teste foi publicado originalmente na Edição 157 da revista Top Gear (2006).

Um prato cheio para filmes de perseguição

É daquelas peruas que parecem ter sido feitas sob medida para cenas de caçada de carro - e, melhor ainda, para o lado dos vilões. Potência não falta, a disposição para um sobresterço espalhafatoso “de bandido” também não, e o espaço para arma/refém/contrabando é grande demais para não seduzir qualquer motorista de fuga.

Só não espere vê-la em produções de Hollywood. Este é um modelo exclusivo da Europa. Nos EUA, a perua usa uma frente diferente e atende pelo nome de Dodge Magnum. É apenas por aqui que o 300C ganha a configuração Touring. Já o SRT-8 é o 300C apimentado - e ele já existe em versão com volante à direita, sedã, por apenas £39,040. Um carro que, por si só, já é “mais”. A Touring, prevista para chegar em alguns meses, eleva esse “mais” de novo.

Chrysler 300C SRT-8 Touring: motor, câmbio e tração

Sedã e perua têm a mesma sensação ao volante. Na parte que interessa, há um V8 de 6.1 litros com 425bhp ligado a um câmbio automático de cinco marchas com modo de troca manual (dá para “mandar” no câmbio quando quiser). Como todo bom antagonista, ele fala baixo - mas traz um porrete enorme. Se a sua ideia é derreter os pneus traseiros ou balançar a traseira no “pêndulo”, vá em frente; ainda assim, existe tração competente e, além disso, controles eletrónicos para manter tudo sob vigilância.

O eixo traseiro de origem Mercedes ajuda a entregar um comportamento mais refinado e uma rodagem bem aceitável, embora agitada - mas, com rodas de 20 polegadas (50,8 cm), você não estava à espera de um sofá flutuante, certo?

Em curvas e na autoestrada

É curioso: você sai brincando em uma sequência de curvas fechadas, dá aquela olhada no retrovisor para conferir se ninguém viu a sua arte, e percebe o vidro traseiro lá longe. Ele pode se comportar com mais compostura do que o tamanho sugere, mas continua sendo um carro realmente grande. Ainda assim, para os padrões europeus, não é um exagero.

Em autoestrada, o SRT-8 não passa aquela sensação de estar “colado aos trilhos” como os alemães rápidos. O volante enorme é um pouco leve e meio etéreo, então você fica corrigindo a trajetória em linha reta o tempo todo. Em compensação, ele roda silencioso, e o V8 fica murmurando, quase em marcha lenta, enquanto embala. E o som é do tamanho do Madison Square Garden.

Cabina, equipamentos e preço

Se a missão é entender por que ele custa £10k a menos do que a perua Mercedes E500 - que ainda por cima é mais lenta e menos recheada de equipamentos -, as respostas aparecem, claro. Não é só na quantidade de “redes de segurança” e numa leve falta de sofisticação dinâmica; também está nos materiais e no acabamento da cabina. A diferença existe e é evidente, mas não chega a ser tão absurda quanto você imaginaria. A Chrysler aprende rápido com a prima orgulhosa, sem abrir mão do próprio senso de humor.

Não vale a pena ficar implicando com miudezas. Aproveite a velocidade, a expressão no rosto de quem vê passar e o dinheiro que você poupou. Ou que “tomou emprestado”.

Veredito

Veredito: Imperfeito, mas insano do jeito certo, um ótimo negócio e uma alternativa maravilhosa para aqueles “sport SUVs” do tipo “vai-te catar”.

  • V8 6.1 litros
  • 425bhp, tração traseira (RWD)
  • 0-60mph em 5.1 secs (0-97 km/h), velocidade máxima 168mph (270 km/h)
  • 2,010kg
  • £40,250

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