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Apesar do progresso registrado nos últimos meses, variáveis como a inflação, a elevação de custos e a instabilidade nas cadeias globais de suprimento podem comprometer o cronograma de produção do caça KF-21 Borame, da Força Aérea da Coreia do Sul (ROKAF). Conforme informações levadas à Assembleia Nacional sul-coreana, a ampliação do orçamento do programa estaria fazendo a Administração do Programa de Aquisições de Defesa da Coreia do Sul (DAPA) e a força aérea considerarem possíveis atrasos na incorporação das aeronaves previstas até 2032.
De acordo com os dados encaminhados pela DAPA ao deputado Kang Dae-sik, integrante do Comitê de Defesa da Assembleia Nacional, a estimativa de custo para produzir os 80 caças da segunda fase do programa saltou de 14,24 trilhões de won (USD 9,55 milhões) para 18,44 trilhões (USD 12,35 milhões). Essa nova projeção significa um aumento de 4,19 trilhões de won (USD 2,81 milhões), o que corresponde a uma alta de 29,5% em relação ao valor aprovado em agosto de 2024 no plano de defesa de médio prazo.
Aumento de custos e fatores apontados pela DAPA
A DAPA relacionou a revisão orçamentária a vários elementos: inflação, valorização do câmbio, fragilidade das cadeias de suprimento em função de conflitos internacionais e a adição de novas capacidades de ataque ar-superfície. O valor final destinado a essa etapa de produção será confirmado mais adiante no ano, após as consultas previstas com o Ministério das Finanças da Coreia do Sul.
A primeira etapa de produção também passou por reajustes. O montante originalmente calculado em 7,93 trilhões de won para os primeiros 40 aviões foi posteriormente revisado para 8,38 trilhões após atualizações orçamentárias feitas pelas autoridades. Segundo a DAPA, a mudança refletiu a evolução do câmbio, o ambiente inflacionário e uma reavaliação mais precisa dos requisitos técnicos do programa.
Fases de produção e entregas previstas do KF-21 Borame
O programa do KF-21 Borame está estruturado em duas fases. Na primeira, está prevista a fabricação de 40 aeronaves com foco predominante em missões ar-ar. Já a segunda fase abrange mais 80 caças, equipados com mísseis ar-superfície de longo alcance desenvolvidos no país.
Pelo planejamento original, a ROKAF deveria receber os primeiros 40 exemplares entre 2026 e 2028. Em seguida, as 80 aeronaves restantes seriam incorporadas entre 2029 e 2032, até completar uma frota total de 120 unidades.
No entanto, a elevação dos custos estaria levando as autoridades sul-coreanas a analisar alterações no calendário de entrega. Entre as possibilidades em discussão, está a conclusão da entrega dos primeiros 40 caças apenas em 2029, um ano depois do previsto inicialmente. Além disso, a entrada em serviço das outras 80 aeronaves poderia ser adiada em mais dois a três anos, deslocando o horizonte de implantação para 2034 a 2035.
Evolução do programa
O desenvolvimento do KF-21 Borame teve início oficial em 2015 e conta com um orçamento de desenvolvimento de 8,81 trilhões de won. Ao considerar os custos de produção estimados para as 120 aeronaves - calculados em cerca de 26,8 trilhões de won - e as despesas previstas de operação e manutenção ao longo dos próximos 30 anos, em torno de 26 trilhões, o custo total do programa pode ultrapassar 60 trilhões de won.
Mesmo com os possíveis atrasos e com o aumento das despesas, o programa KF-21 segue acumulando avanços técnicos e operacionais. Em abril de 2026, o primeiro KF-21 Borame de produção realizou seu voo inaugural a partir de Sacheon apenas 22 dias após a apresentação oficial. Já em maio, a DAPA informou que o caça concluiu com êxito sua última avaliação de prontidão para o combate, após aproximadamente três anos de testes.
Imagens meramente ilustrativas.
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