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Conforme divulgado no relatório recente “U.S. Navy´s Shipbuilding Plan 2026”, a Marinha dos Estados Unidos confirmou que o próximo couraçado da nova classe Trump virá equipado com um sistema de propulsão nuclear. Caso se concretize, será o primeiro navio de combate de superfície da força - além dos porta-aviões das classes Nimitz e Gerald R. Ford em serviço - a empregar tecnologia nuclear como forma de propulsão desde a retirada, nos anos 1990, dos cruzadores lança-mísseis da classe Virginia.
O documento também destaca, de forma específica, o papel esperado para esse futuro navio de superfície. Segundo o texto: “O couraçado de propulsão nuclear foi projetado para proporcionar à frota um aumento significativo do poder de combate graças a uma maior autonomia, uma velocidade mais elevada e a capacidade de acomodar os sistemas de armas avançados que a guerra moderna exige.” Ainda no mesmo trecho - e não como detalhe secundário - o relatório ressalta que o couraçado “não se trata de um substituto do destróier”, numa referência direta aos destróieres de mísseis guiados da classe Arleigh Burke, hoje a espinha dorsal da frota de superfície e de escolta dos EUA.
Como a Zona Militar informou em dezembro de 2025, a futura classe Trump prevê couraçados (designados pela Administração como battleships, termo que deixou de ser usado após a baixa definitiva dos couraçados da classe Iowa no início dos anos 1990) com deslocamento aproximado entre 30.000 e 40.000 toneladas. A concepção atribui a essas unidades a capacidade de liderar missões de defesa aérea, guerra antissuperfície e antissubmarino, realizar ataques de longo alcance e, além disso, assumir funções de controle e comando tático como uma plataforma integrada de combate.
Entre os recursos tecnológicos previstos, são citados sistemas de lançamento vertical de mísseis - incluindo mísseis hipersônicos, mísseis antiaéreos Standard e mísseis de ataque terrestre Tomahawk -, armas de energia dirigida, canhões navais de 5 polegadas, canhões eletromagnéticos e, adicionalmente, o emprego de armas nucleares táticas. Esse conjunto de atributos permitiria ao navio integrar um Grupo de Ataque de Porta-Aviões (Carrier Strike Group, na tradução do inglês), chefiar um Grupo de Ação de Superfície (Surface Action Group) ou operar de forma independente.
O início da construção do primeiro couraçado da classe Trump, o USS Defiant (BBG 1), está previsto para o ano fiscal de 2028, com investimento superior a 17.000 milhões de dólares. Na sequência e conforme o projeto avance, a Marinha dos Estados Unidos daria continuidade com a segunda unidade couraçada - ainda sem nome oficial - em 2030, estimada em 13.000 milhões de dólares, e com o terceiro exemplar da classe no ano fiscal de 2031, ao custo de 11.500 milhões de dólares.
Navios de superfície na atualidade
Depois do anúncio oficial do presidente Donald Trump em dezembro de 2025, dentro da iniciativa Golden Fleet, a Marinha dos Estados Unidos passou a projetar a retomada de capacidades de combate de superfície por meio de unidades modernas equipadas com propulsão nuclear. No fim da década de 1990, a instituição retirou de serviço os cruzadores lança-mísseis de propulsão nuclear da classe Virginia, tendo o USS Arkansas (CGN-41) sido o último a operar, até 1998.
Desde então, a frota norte-americana de navios de superfície com esse tipo de propulsão ficou restrita aos porta-aviões da classe Nimitz - em processo de retirada - e aos novos Gerald R. Ford. Em comparação, a Rússia é o único país cuja marinha mantém em operação unidades de superfície com propulsão nuclear, como o cruzador Piotr Velikiy (também conhecido como Pedro, o Grande), da classe Kírov, navio-capitânia da Frota do Norte desde 1998. O futuro dessa embarcação ainda não está definido, sendo discutido entre os comandos navais russos entre a recuperação e modernização ou a retirada e desmonte.
A classe Kírov da Marinha da Rússia previu quatro cruzadores de batalha de propulsão nuclear com capacidade de lançamento de mísseis guiados. Desses, dois estão inoperantes (o Kírov/Almirante Ushakov e o Frunze/Almirante Lázarev) e um segue em processo de reaparelhamento, o Almirante Nakhimov - anteriormente conhecido como Kalinin. Essa última unidade iniciou sua modernização em 2014 e, no fim de 2025, concluiu testes de mar antes do retorno ao serviço na Marinha russa.
Perspectivas dos couraçados da classe Trump
Fontes oficiais citadas por veículos norte-americanos apontam para a aquisição de 15 couraçados dessa classe em desenvolvimento ao longo de 30 anos. Outras estimativas sugerem uma frota entre 20 e 25 couraçados, embora sem confirmação oficial.
O programa emergente anunciado pelo presidente Trump é descrito como um avanço relevante, tecnológico e industrial, nas capacidades de combate de superfície da Marinha dos Estados Unidos, ao prever novas plataformas multifunção voltadas ao serviço na chamada Frota do Futuro. Ao mesmo tempo, é plausível supor que o tema se torne foco de disputa em administrações futuras, diante do custo que esse tipo de navio com propulsão nuclear envolve quando comparado a plataformas semelhantes, porém com propulsão convencional.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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