Contrato de US$ 205 milhões com a Marinha dos EUA
A RTX (empresa do setor de defesa) anunciou em 8 de setembro a assinatura de um contrato de US$ 205 milhões com a Marinha dos Estados Unidos, voltado à continuidade da produção do sistema de armas de curto alcance Phalanx (CIWS). A Zona Militar conversou com a RTX para entender o peso do acordo e também o interesse da empresa em disponibilizar o Phalanx para marinhas e exércitos da América Latina.
Por que o Phalanx CIWS interessa a marinhas da América Latina
Segundo um porta-voz da RTX: “As marinhas latino-americanas que buscam melhorar sua segurança marítima e proteger ativos críticos podem se beneficiar do sistema Phalanx.” A companhia explicou à ZM que o sistema reúne “tecnologia avançada de radar e canhão, o que permite a detecção, rastreamento e enfrentamento rápido de ameaças em aproximação”, acrescentando que “sua facilidade de integração em plataformas existentes e seus mínimos requisitos de manutenção o tornam uma opção ideal para marinhas que operam em ambientes diversos e exigentes”.
Na América do Sul, estaleiros vêm construindo patrulheiros, fragatas e navios de transporte multipropósito para atender às marinhas locais. A Leonardo, por exemplo, será a fornecedora do canhão principal do programa de fragatas da Colômbia. Nesse contexto, outros ministérios da defesa, marinhas e estaleiros podem enxergar o Phalanx da RTX como uma alternativa de defesa secundária.
A RTX define o Phalanx como um canhão de alta cadência, operado por computador e orientado por radar, projetado para “neutralizar mísseis antinavio e outras ameaças de curto alcance que consigam penetrar as camadas anteriores de defesa”. Sobre desempenho, a empresa informou à ZM: “O Phalanx pode disparar até 4.500 projéteis por minuto”.
Uso operacional e perspectivas de novas vendas do Phalanx
Nos Estados Unidos, o Phalanx equipa navios de combate de superfície. Relatórios indicam, por exemplo, que o navio de assalto anfíbio USS Wasp (LHD 1) e outras unidades da classe Wasp operam com três sistemas Phalanx a bordo.
O sistema é utilizado por até 24 aliados dos EUA. No fim de 2023, o estaleiro britânico Babcock comunicou uma extensão contratual de três anos para apoiar os sistemas Phalanx da frota do Reino Unido. Na ocasião, a empresa detalhou: “O contrato dará suporte a até 41 sistemas, incluindo nove reformas e modernizações”. Entre os meios que operam o Phalanx está o porta-aviões HMS Prince of Wales (R09), da classe Queen Elizabeth.
Mais recentemente, no começo deste ano, o destróier HMS Dauntless, um Type 45 da Royal Navy britânica, conduziu no Indo-Pacífico um teste de tiro real contra sistemas não tripulados - incluindo o sistema aéreo não tripulado QinetiQ Banshee Whirlwind e o veículo de superfície não tripulado Hammerhead. Para neutralizar o enxame de ameaças de pequeno porte, aéreas e de superfície, o navio empregou o canhão automatizado Phalanx da RTX, além de outros armamentos embarcados.
A RTX também vê espaço para novas negociações do Phalanx no curto prazo. Cingapura procura novos navios de guerra para atualizar sua frota e buscou na Coreia do Sul e no Japão potenciais fornecedores. A agência de notícias de defesa Shephard noticiou que o Japão poderia repassar até cinco escoltas-destróieres de segunda mão da classe Abukuma, equipados com o Phalanx.
Já na Turquia, segundo a agência de defesa Janes, uma fragata da classe Barbaros concluiu recentemente sua modernização de meia-vida, que incluiu a instalação de um sistema Mk 15 Phalanx CIWS sobre o hangar.
A RTX apresenta o Phalanx como uma “última linha de defesa” para navios de superfície, capaz de executar diferentes tarefas: busca, detecção, avaliação de ameaças, rastreamento, enfrentamento e verificação de destruição.
De acordo com o site da RTX, a variante Block 1B traz estações de controle que permitem aos operadores rastrear e também identificar visualmente os alvos antes do engajamento. Essa versão foi usada pelo destróier da classe Arleigh Burke USS Gravely (DDG-107) no Mar Vermelho para destruir um míssil lançado por rebeldes houthis.
A companhia ainda desenvolveu uma versão terrestre, empregada pelo Exército dos EUA e por aliados. Nesse caso, exércitos latino-americanos também poderiam usar o Phalanx para a proteção de infraestrutura crítica e de pontos estratégicos.
Texto original de: Wilder Alejandro Sanchez
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