Nova Toyota Hilux agora 100% elétrica
Há carros que viram referência e, depois disso, qualquer mudança vira assunto. A Toyota Hilux é exatamente esse caso: está em todo lado e, dentro da história da marca japonesa, só perde para o Corolla em volume de vendas. Uma verdadeira instituição no universo das pick-ups.
Talvez por carregar esse peso, a Toyota levou 10 anos - sim, uma década inteira! - para apresentar esta nova geração. Prudência a mais? Pode ser. Mas, em tecnologia, este é o maior salto de sempre na Hilux. Nota-se no design, no interior e, sobretudo, no que fica escondido à primeira vista.
“A Hilux não segue modas nem pode falhar”, explicou-me Makoto Inoue, um dos responsáveis pelo desenvolvimento desta 9.ª geração, durante a apresentação do modelo. As expectativas estão lá em cima, mas a concorrência também não para de apertar.
Não há motivo para alarme. As versões Diesel da Toyota Hilux vão continuar a existir - falaremos disso mais adiante. Mas o grande destaque é, sem dúvida, a estreia de uma versão 100% elétrica. É a primeira vez em quase 60 anos de história.
Está equipada com dois motores elétricos, um em cada eixo, alimentados por uma bateria de 59,2 kWh, que garante cerca de 240 km de autonomia (WLTP).
A potência total combinada é de 145 kW (197 cv). Ainda assim, mais relevante do que o número em kW é o binário: o motor dianteiro entrega 205 Nm e o traseiro 269 Nm, o suficiente para assegurar tração integral permanente e capacidade de reboque até 1600 kg.
Em termos de altura ao solo, a Hilux BEV fica lado a lado com as irmãs a combustão. Já em autonomia, a história é outra. Com 240 km, esta Hilux BEV será uma opção para tarefas bem específicas e que não peçam muitos quilómetros por dia.
Nós já a conduzimos e, em breve, vamos publicar esse teste aqui no website e também no YouTube da Razão Automóvel. O ensaio aconteceu nos arredores de Paris, num centro de testes, longe de olhares curiosos.
Interior Land Cruiser e tecnologia moderna
Por dentro, a evolução da nova Toyota Hilux é impossível de ignorar. O tabliê bebe diretamente do irmão Land Cruiser, com linhas retas, um novo ecrã central de 12,3″, instrumentação digital e botões físicos para os comandos principais - uma decisão claramente orientada para a funcionalidade.
Não falta quase nada no habitáculo desta nova Hilux, que também ganhou em insonorização e conforto. Durante a apresentação, tivemos oportunidade de experimentar a geração atual e esta nova geração e… os 10 anos de diferença sentem-se.
Mas com tanto “burguesismo” a capacidade de trabalho ficou pelo caminho? Para Makoto Inoue, responsável pelo desenvolvimento desta nova geração, “isso nunca foi uma possibilidade. Sabemos muito bem qual é o papel da Hilux no mercado global”.
A nova Hilux estreia ainda direção assistida elétrica (EPS), atualizações remotas, monitorização do condutor, assistência à saída segura e um novo sistema Toyota Safety Sense com deteção de fadiga e travagem automática de emergência.
Motor Diesel na Hilux é para continuar
A versão BEV pode roubar as atenções, mas as vendas continuarão a ser dominadas pela Toyota Hilux convencional com motor Diesel. Segundo a marca, “o Diesel continua a ser a escolha mais racional para trabalho pesado e longas distâncias”, e tudo indica que será o mais vendido na Europa.
O motor 2.8 Turbo Diesel com tecnologia mild-hybrid de 48 V mantém-se no catálogo, com 204 cv de potência e capacidade de reboque de 3500 kg. Nem podia ser de outra forma.
A Toyota confirmou também o lançamento de uma Hilux Fuel Cell, movida a hidrogénio, com chegada prevista para 2028. O protótipo, já em testes no Reino Unido, partilha tecnologia com o Toyota Mirai e surge como mais uma aposta da marca na diversificação energética.
A mesma de sempre mais moderna
No total, já foram vendidas mais de 21 milhões de unidades da Toyota Hilux desde 1968. A nova geração será produzida em seis países e vendida em mais de 180 mercados - Portugal incluído - com chegada prevista para o primeiro semestre de 2026.
Quanto a preços, ainda vamos ter de esperar mais alguns meses para perceber o que vem aí. Mas as diferenças face à geração atual não devem ser grandes. Até porque, no essencial, a nova Toyota Hilux continua a ser o mesmo cavalo de trabalho de sempre. Agora, felizmente, mais confortável…
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário