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Citroën C3 Aircross: para competir com o Dacia Duster, sete ocupantes e preços de combate

SUV Citroën C3 Aircross verde com detalhes laranja exibido em salão de automóveis.

Segredo está na plataforma

Para conseguir ficar abaixo da fasquia dos 20 000 euros, foi decisivo o novo Citroën C3 Aircross recorrer à nova plataforma global Smart Car da Stellantis, otimizada com o apoio da indiana Tata.

Esta base - que também serve o novo Citroën C3, o Opel Frontera e o FIAT Grande Panda - dá acesso a uma gama de motorizações multienergia e oferece uma versatilidade considerável de configurações.

Basta olhar para as dimensões: o C3 Aircross tem mais 38 cm do que o Citroën C3, o que lhe permite disponibilizar - opcionalmente e por mais 700 euros - uma configuração de sete lugares.

Durante esta apresentação internacional do modelo não estavam disponíveis para teste as versões de sete lugares. Ainda assim, e como pode ver no vídeo em destaque, fiquei satisfeito com o espaço das variantes de cinco lugares, sobretudo na segunda fila.

Influências «Olinianas»

Perdoem-me o trocadilho com o nome do Citroën Oli, um protótipo que tivemos oportunidade de conduzir em 2022 e que, aos poucos, tem vindo a moldar a imagem dos novos modelos da marca francesa.

A frente mais vertical, com o novo logótipo da Citroën e a assinatura luminosa em «C», é um ótimo exemplo disso, mas não é o único: os para-choques proeminentes, as cavas das rodas com proteções em plástico salientes e as linhas mais retilíneas também reforçam bastante o aspeto robusto deste SUV.

A influência do Oli também aparece no interior, marcado pela simplicidade. À imagem do que a Dacia faz (e muito bem) há vários anos, a Citroën focou-se no essencial para a maioria dos condutores - e essa intenção fica clara desde o momento em que nos sentamos ao volante do C3 Aircross.

Os plásticos de toque duro estão presentes em vários pontos, é verdade, mas a montagem é sólida e transmite confiança. Além disso, esse ambiente é equilibrado por tecidos feitos de materiais reciclados, que ajudam a subir a perceção geral de qualidade.

Não falta sequer um ecrã tátil de 10,25” (disponível a partir do nível de equipamento Plus), ar condicionado automático, câmera de estacionamento traseira e integração sem fios com Android Auto e Apple CarPlay.

Além disso, há sempre um head-up display projetado no topo do tabliê, que substitui o painel de instrumentos tradicional.

E, claro, vale lembrar o conjunto alargado de ajudas à condução de série, como alerta de atenção do condutor, reconhecimento de limites de velocidades, alerta de manutenção em faixa e cruise control com limitador.

Versões para (quase) todos

A estratégia da Citroën para os próximos anos passa por uma abordagem multienergia, e isso fica evidente no novo C3 Aircross, que está disponível com três motorizações diferentes.

A porta de entrada na gama é uma motorização 1.2 Turbo de três cilindros com 100 cv e caixa manual de seis velocidades, sem qualquer tipo de eletrificação.

Acima dela surge a versão híbrida, que combina um motor 1.2 Puretech com 136 cv com um sistema mild-hybrid de 48 V, um motor elétrico de 21 kW (28 cv) - integrado na caixa e-DCT - e uma pequena bateria com 0,89 kWh de capacidade.

Por fim, a grande novidade do novo C3 Aircross é a estreia de uma opção 100% elétrica, que usa a mesma solução técnica do ë-C3. Ou seja, traz um motor elétrico de 83 kW (113 cv) e uma bateria LFP de 44 kWh, para uma autonomia máxima de até 306 km.

Foi exatamente esta versão que tive oportunidade de conduzir nos arredores de Barcelona e não foram precisos muitos quilómetros para perceber que pouco muda face ao ë-C3 que conduzi há uns meses, na Áustria:

Conforto é prioridade

Logo nos primeiros quilómetros dá para perceber que o conforto foi uma das prioridades dos engenheiros franceses no desenvolvimento deste modelo. Para isso, recorre ao conhecido sistema de suspensão da marca com duplo batente hidráulico, que ajuda a limitar os movimentos verticais da carroçaria e melhora de forma significativa o pisar em estrada.

É verdade que a direção é leve e um pouco vaga, algo que provavelmente não vai agradar a quem procura uma proposta mais dinâmica. Mas, se o objetivo é conforto, então este é o SUV.

A simplicidade do desenho exterior e do habitáculo tem reflexo na utilização, que também é bastante descomplicada. Não espere acelerações de tirar o fôlego - para isso existem outros elétricos.

Mas em contexto urbano, onde este elétrico e esta autonomia fazem mais sentido, pode contar com um modelo ágil e muito fácil de conduzir.

E já que falamos em autonomia, durante este primeiro contacto tive alguma dificuldade em manter ritmos que me permitissem ficar dentro dos valores anunciados pela marca.

Contudo, para saber os consumos que estamos a fazer, por enquanto é preciso recorrer a papel, caneta e uma calculadora. Pelo menos até a marca francesa lançar a atualização que permitirá ver os consumos em tempo real na instrumentação digital, o que deverá acontecer nos próximos meses.

Escolha racional

Independentemente da versão escolhida, há uma palavra que manda: racionalidade. Seja qual for a motorização, seja qual for o nível de equipamento, o C3 Aircross entrega sempre uma das melhores relações qualidade/preço do segmento.

E já agora, falando de preço, aqui fica a tabela para Portugal:

No caso das empresas e dos empresários em nome individual, as benesses fiscais fazem da versão elétrica a única que faz sentido escolher. Já para clientes particulares, tudo depende do tipo de uso e da possibilidade de carregar em casa ou no trabalho.

Se conseguir fazê-lo, os custos de utilização da versão elétrica são imbatíveis. Se tiver de carregar na rede pública, vou ser amigo e poupar-lhe uma enorme dor de cabeça ao dizer: “não compre elétrico”.

Assim, é o preço da versão 1.2 Turbo que salta imediatamente à vista, sobretudo se o que procura é espaço. Porque por mais 700 euros tem acesso a um SUV com capacidade para sete pessoas - um argumento que, certamente, ajudará o C3 Aircross a triunfar em Portugal.

Veredito

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