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Com um aporte acima de R$ 120 milhões, a Omnisys - subsidiária brasileira da Thales - eleva sua capacidade de fabricação em dez vezes, amplia sua engenharia, passa a ser o polo mundial de produção de radares para aviação civil e controle do tráfego aéreo e reforça sua participação no desenvolvimento de soluções estratégicas para defesa.
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A Omnisys, subsidiária da Thales no Brasil e reconhecida como Empresa Estratégica de Defesa (EED), oficializou nesta terça-feira (28) a maior ampliação industrial de toda a sua trajetória. Com investimento superior a R$ 120 milhões, a companhia aumenta em mais de 40% a área fabril, multiplica por dez a capacidade produtiva e reposiciona a planta de São Bernardo do Campo como um dos principais polos tecnológicos do Grupo Thales voltado ao desenvolvimento, à produção e à sustentação de sistemas de radar.
A confirmação ocorreu em um encontro com clientes, representantes das Forças Armadas, autoridades e parceiros. No dia anterior, a convite da Omnisys, o correspondente do Zona Militar no Brasil, Angelo Nicolaci, e um grupo seleto de jornalistas especializados estiveram na unidade e receberam, com antecedência, informações sobre os investimentos executados e sobre as diretrizes estratégicas que orientarão a próxima etapa da empresa. A programação incluiu apresentações de Luciano Macaferri, Vice-Presidente da Thales para a América Latina e Diretor-Geral da Thales no Brasil, e de Rodrigo Modugno, presidente da Omnisys, que explicaram o peso da expansão tanto para a operação brasileira quanto para a organização global do grupo.
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Na prática, a ampliação elevou em mais de 40% o espaço industrial, levou a capacidade de produção a um patamar dez vezes maior e aumentou em cerca de 70% o quadro de colaboradores. Foram contratados mais de 150 novos profissionais altamente qualificados para as áreas de Engenharia, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Serviços, o que reforça a Omnisys como um dos principais centros de engenharia da Thales fora da Europa.
Ainda assim, esses indicadores contam apenas uma parte da mudança em curso.
Brasil assume papel estratégico na estrutura global da Thales
Durante a visita às instalações, Luciano Macaferri e Rodrigo Modugno informaram que a Omnisys passa a desempenhar uma atribuição inédita dentro do ecossistema mundial da Thales: a unidade brasileira torna-se o centro global de produção dos radares destinados ao controle do tráfego aéreo e à aviação civil.
Em termos práticos, isso implica que sistemas utilizados em aeroportos e centros de controle de diversas regiões do planeta passarão a sair do Brasil, firmando São Bernardo do Campo como referência internacional para essa família de radares. Vale lembrar que, atualmente, o Brasil é o maior cliente da Thales nesse segmento.
O movimento, contudo, não se limita à linha de montagem.
A Omnisys também passa a centralizar, em escala global, o suporte pós-venda e a manutenção desses sistemas, assumindo o acompanhamento de todo o ciclo de vida dos equipamentos entregues pela Thales aos seus clientes.
Com isso, a subsidiária brasileira deixa de atuar somente como fábrica e assume funções de maior valor agregado, que reúnem produção, engenharia, suporte técnico, manutenção e relacionamento com operadores em diferentes continentes.
Para a Base Industrial de Defesa brasileira, a decisão marca um ponto relevante: poucas empresas instaladas no país ocupam posição equivalente dentro da estrutura mundial de um dos maiores grupos de defesa, aeroespacial e alta tecnologia do mundo.
O maior investimento está nas pessoas
Apesar de a expansão física da planta ser significativa, Luciano Macaferri e Rodrigo Modugno destacaram que o foco principal do investimento está no fortalecimento da engenharia no Brasil.
De acordo com os executivos, a estratégia da Thales inclui ampliar as equipes de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e consolidar a Omnisys como um dos centros de competência tecnológica mais importantes do grupo.
Como parte desse processo, a empresa tem atuado na repatriação de engenheiros e técnicos brasileiros que hoje trabalham em unidades da Thales no exterior, possibilitando que profissionais com experiência acumulada em programas internacionais retornem ao país para contribuir com novos projetos conduzidos pela subsidiária.
A iniciativa sinaliza confiança na capacidade técnica da engenharia nacional e deixa claro que o objetivo não é apenas elevar volumes de produção, mas também aumentar a geração de conhecimento e inovação em território brasileiro.
Ou seja, além de produzir equipamentos, a Omnisys busca avançar no desenvolvimento de tecnologia.
Expansão fortalece também os programas de defesa
Embora o crescimento da capacidade produtiva tenha como prioridade os radares voltados à aviação civil e ao controle do tráfego aéreo, os aportes também elevam de forma expressiva a aptidão da empresa para atender às necessidades do setor de defesa.
Na apresentação, os executivos ressaltaram que a nova infraestrutura amplia o desenvolvimento e a fabricação de soluções para vigilância, sensores eletrônicos, radares além do horizonte (OTH) e outras tecnologias estratégicas que compõem o portfólio da companhia.
Entre as iniciativas de maior destaque está o desenvolvimento de um novo radar naval em parceria com a Marinha do Brasil, considerado estratégico por contribuir para aumentar a autonomia tecnológica nacional em um segmento historicamente dominado por fornecedores estrangeiros.
Segundo a direção da empresa, o programa avança de maneira consistente e já atrai a atenção de outros países, que acompanham o projeto como uma possível solução para equipar suas próprias forças navais.
O esforço combina a experiência global da Thales em sensores e sistemas de missão com a capacidade de engenharia da Omnisys, evidenciando que a unidade brasileira não apenas fabrica, mas também participa diretamente da criação de tecnologias críticas para a defesa.
A ampliação anunciada cria condições para acelerar esses programas, aumentar a capacidade nacional de desenvolvimento tecnológico e reforçar a inserção da Base Industrial de Defesa brasileira no mercado internacional de sistemas de alta complexidade.
Um investimento que projeta o Brasil para o futuro
Hoje, a Omnisys já exporta tecnologia para 18 países, consolidando-se como fornecedora internacional relevante de soluções concebidas no Brasil.
Com a expansão agora finalizada, a expectativa é elevar essa participação e fortalecer ainda mais a presença da unidade brasileira na cadeia global de suprimentos da Thales.
Mais do que produzir mais, o investimento consolida uma virada estratégica: o Brasil passa a concentrar atividades de engenharia, desenvolvimento, integração, fabricação, suporte logístico e manutenção de sistemas críticos - uma combinação de competências que poucas unidades do grupo reúnem de forma integrada.
Em um contexto no qual diferentes países procuram ampliar autonomia tecnológica e reduzir fragilidades em cadeias globais de suprimentos, a decisão da Thales de expandir de forma significativa sua operação no Brasil reforça a confiança na engenharia nacional e na maturidade alcançada pela Base Industrial de Defesa brasileira.
Assim, a expansão da Omnisys vai muito além da entrega de uma nova estrutura industrial: ela representa a crescente integração do Brasil às cadeias globais de alta tecnologia, consolidando o país como protagonista no desenvolvimento, na produção e na sustentação de sistemas complexos.
Ao transformar a Omnisys em seu centro global de produção para radares de controle do tráfego aéreo e aviação civil, ao mesmo tempo em que fortalece a engenharia local e amplia a capacidade de criar soluções para defesa, a Thales deixa um recado objetivo ao mercado: o Brasil deixou de ser somente uma base regional de produção para assumir um lugar estratégico dentro de sua arquitetura tecnológica mundial.
Diante de um cenário internacional marcado pela intensificação da disputa por conhecimento e soberania tecnológica, investimentos desse porte fortalecem não apenas uma empresa, mas toda a Base Industrial de Defesa brasileira, mostrando que o país dispõe de capacidade técnica, engenharia e capital humano para assumir responsabilidades cada vez maiores no desenvolvimento de tecnologias críticas tanto para o mercado civil quanto para o de defesa.
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