Visual externo do Kia Soul: familiar à primeira vista, novo na prática
Soul totalmente novo? Para mim, ele parece muito com o anterior.
E não é por acaso. A Kia concluiu que, se a fórmula funciona, não faz sentido redesenhar por capricho. Por isso, a postura mais alta, as linhas bem retas, as grandes áreas envidraçadas e as lanternas traseiras posicionadas perto do teto continuam a ser marcas registradas - mesmo que, curiosamente, nenhum painel de carroceria do modelo antigo tenha sido reaproveitado.
Cabine e equipamentos: mais capricho, sem clima de “baratinho”
Bonito, mas com cara de econômico?
Não. Assim como a controladora Hyundai, a Kia deixou de viver apenas de “carro barato”. A percepção de qualidade deu um salto: os materiais melhoraram visivelmente e também houve ganho de espaço para quem vai na frente - mais folga para cabeça, pernas e ombros - além de um pequeno aumento na área para as pernas dos passageiros do banco traseiro.
Por dentro, o Soul também estreia uma cabine renovada e permite incluir itens bem “chiques” para a categoria, como central de navegação de 8 polegadas (aprox. 20,3 cm), controle de cruzeiro, revestimento em couro e diferentes assistências voltadas a quem dirige com mais cautela.
Ainda assim, é preciso escolher os opcionais com critério. Dá para combinar cores internas de um jeito um tanto estranho, e por fora existem 11 tonalidades, além de quatro opções de pintura em dois tons - suficientes para agredir as retinas de qualquer pedestre num raio de 500 jardas (cerca de 460 m). Se você errar a mão nessas combinações de estilo, pode sofrer para revender o seu Soul daqui a alguns anos.
Estrutura e dinâmica: plataforma, suspensão e motores
E por baixo da carroceria, mudou o quê?
O novo Soul adota uma base derivada do Kia cee'd mais recente, e dois terços da carroceria reprojetada usam aço super-resistente, o que rende 29 por cento a mais de rigidez torcional.
A Kia também trabalhou na parte de chassis: instalou a suspensão dianteira sobre um subchassi próprio com quatro buchas (no carro antigo, não havia nenhuma), recalibrou os amortecedores traseiros para aumentar o curso da suspensão e até reposicionou a caixa de direção. A intenção é clara: elevar tanto o conforto quanto a estabilidade.
Deu certo?
Se você costuma atacar passo de montanha nos Alpes como rotina, dificilmente vai sair correndo para a concessionária Kia mais próxima. Porém, como carro para rodar com tranquilidade no dia a dia, o Soul se comporta bem.
Há duas opções de motor 1,6 litro, mas a escolha sensata é sempre o diesel de 126bhp e 192lb ft (aprox. 260 Nm): o 1,6 a gasolina aspirado é completamente sem fôlego.
Com o diesel e o câmbio manual de seis marchas, o Soul não chega a brilhar em nenhum aspecto dinâmico específico - mas, usado do jeito que a fabricante imaginou, ele se mostra macio, silencioso e bastante refinado. E dá até para escolher as rodas de 18 polegadas (aprox. 45,7 cm) sem medo: no modelo anterior, elas eram praticamente uma sentença contra o conforto.
Então vale comprar?
Se você gosta do visual do Soul, não há um grande motivo para evitar. Além da garantia de sete anos que a Kia oferece em toda a linha, o carro pode ser personalizado quase sem limites - algo que, hoje, virou exigência obrigatória entre os crossovers do segmento B.
O fato de ele ser bonito por dentro e por fora, além de muito confortável, já serve como recomendação suficiente.
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