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Novo Opel Astra L: detalhes da chegada a Portugal

Carro sedan esportivo verde limão modelo Astra L 2025 em ambiente interno com chão brilhante.

O novo Opel Astra L está a poucos passos de estrear em Portugal trazendo chassi, motores e boa parte da tecnologia herdada do antigo Grupo PSA - hoje Stellantis. Foi justamente esse grupo que, há quatro anos, comprou a marca alemã e a recolocou no caminho do lucro.

A Opel construiu uma história longa no universo dos compactos. O Kadett original apareceu em 1936 e, em 1991, o nome deu lugar ao Astra, denominação que permanece até hoje.

Desde então, o modelo soma cerca de 15 milhões de unidades vendidas. Agora, a sexta geração do carro que sempre tentou - sem conseguir - derrubar o Volkswagen Golf do topo do ranking europeu está para desembarcar com uma ruptura clara em relação ao passado recente.

O motivo é simples: este é o primeiro Astra a abandonar a base técnica da General Motors e a adotar a mesma arquitetura do novo Peugeot 308, usando a plataforma EMP2, que ainda este ano começará a rodar nas estradas portuguesas.

O Opel Astra L também marca o fim de uma era iniciada em 1991 (quando o Astra substituiu o Kadett) ao ser o último a oferecer motores a combustão: a Opel pretende ser 100% elétrica a partir de 2028. Outra estreia importante é a chegada, pela primeira vez neste compacto alemão, de versões híbridas plug-in. Mas vamos por etapas.

Novo design

O visual traz de volta a “cara” Vizor desenhada por Mark Adams, chefe de design da Opel, para os modelos mais recentes. Ela apareceu primeiro no Mokka e é composta pelo conjunto escurecido que integra faróis e grade, lembrando uma máscara.

Segundo o próprio Adams, o conceito foi "inspirado no meu Opel preferido de todos os tempos, o Manta", como nos confessa.

Chamam atenção também a coluna traseira bastante inclinada para a frente, o aumento de largura e, igualmente, o crescimento da distância entre-eixos (em 1,3 cm) e do comprimento total da carroceria, que subiu de forma marginal (0,4 cm).

Na frente, a bitola foi ampliada em 5,1 cm, enquanto a altura diminuiu 1,5 cm, chegando a 1,47 m. A combinação, em teoria, ajuda a reduzir o balanço da carroceria em movimento. Essas mudanças de proporções também contribuíram para elevar o porta-malas de 370 l para 422 l.

O último Astra que solta fumaça

A Opel planeja vender apenas carros 100% elétricos na Europa a partir de 2028. Antes disso - já dentro de três anos - toda a linha terá ao menos uma opção eletrificada, seja híbrida plug-in ou elétrica.

Em outras palavras, em sete anos os motores exclusivamente a combustão sairão de cena, e o sucessor deste Astra já não deverá ter versões com escapamento. No caso deste Astra L que aqui lhe apresentamos, a sua versão 100% elétrica surge no princípio de 2023, um ano depois do início de comercialização das demais motorizações.

Nesse contexto, dá para entender por que a Opel não parece disposta a investir pesado em motores térmicos com “prazo de validade” curto. Assim, a oferta a gasolina fica restrita aos 1.2 turbo de três cilindros, com 110 cv e 130 cv - um pacote que tende a ser pouco para enfrentar, no topo da faixa, rivais fortes como Volkswagen Golf (GTI, R….) e Ford Focus (ST).

Não haverá versões OPC. A transmissão automática, quando presente, é apenas a de oito marchas com conversor de torque (que, no uso diário, pode ser melhor do que muitas de dupla embreagem - estas, por sua vez, são mais rápidas em versões esportivas que… não vão existir). Também não há indícios de tração integral nem de amortecedores eletrônicos de ajuste variável, algo que “nem” o primogênito 308 recebeu.

Do lado do diesel, o conhecido 1.5 de quatro cilindros - já familiar em Peugeot e Opel (entre outras marcas) - segue em serviço por ainda haver alguma procura no mercado europeu. Ele será oferecido apenas com 130 cv, com duas opções de câmbio: manual de seis marchas ou automático de oito marchas.

Híbridos plug-in pela primeira vez

Pela primeira vez, o Astra ganha variantes híbridas plug-in. Elas combinam o já conhecido 1.6 turbo a gasolina com 150 cv ou 180 cv e 250 Nm, com um motor elétrico no eixo dianteiro de 110 cv e 320 Nm. O resultado aparece em dois patamares de potência máxima: 180 cv e 225 cv.

A bateria de íons de lítio tem 12,4 kWh. E, na comparação inevitável com o carro historicamente mais vendido do segmento na Europa - o Golf - o Astra novamente fica atrás, já que o rival também oferece duas opções plug-in, mas com 204 cv e 245 cv.

Talvez mais importante - e mais equilibrado - seja o alcance em modo 100% elétrico: o novo Opel Astra L promete 60 km, só um pouco abaixo do que a Volkswagen divulga para o Golf, entre 63 km (245 cv) e 71 km (204 cv).

O consumo de gasolina pode ficar abaixo de 2 l/100 km (desde que o carro seja conduzido com a bateria carregada e em trajetos de até a casa dos 100 km). Como o motor a gasolina perde protagonismo na tarefa de mover o carro, o tanque diminuiu de 52 l para 40 l - medida que também ajudou a aumentar o volume do porta-malas.

Interior “limpo” e digital

Depois de ter dirigido um Astra L 2022 ainda como protótipo de testes e camuflado (que podem ver mais abaixo), tive a chance de entrar em uma unidade final, igual às que chegarão às concessionárias da Opel no início do próximo ano.

A cabine segue uma linha bem “clean”, com bem menos botões físicos do que na geração anterior - embora os comandos essenciais permaneçam para um acesso mais rápido e direto. A instrumentação é digital e configurável, tal como o ecrã central de infoentretenimento, estando ambos (de 10” cada) harmoniosamente integrados debaixo da mesma pala (com construção robusta e de aspeto premium) e direcionados para o condutor. 

Por falar no condutor, este terá a ajuda de vários sistemas de assistência à condução e um avançado sistema de iluminação (Led Pixel com 168 elementos) inteligente, que a Opel usa no topo de gama Insignia.

Os materiais nas faixas superior e intermediária do painel têm toque macio e passam a impressão de lidar bem com ruídos internos. No banco traseiro, há bom espaço em comprimento e altura, com quatro dedos de folga acima da cabeça do passageiro. Existem saídas de ventilação voltadas para trás, e a elevação do assoalho no centro da segunda fileira é pequena.

A engenharia da Opel destaca especialmente os bancos, descritos como muito confortáveis, com possibilidade de ajustes elétricos e, dependendo da versão, funções de massagem e ventilação - algo que ainda é incomum nesta categoria.

Ao volante do Astra L híbrido plug-in de 180 cv

A primeira impressão é o silêncio de rodagem quando se dirige em modo totalmente elétrico. Mesmo quando o motor a gasolina entra em funcionamento, o ruído ao fundo segue baixo graças ao para-brisa com vidro laminado e às janelas laterais mais espessas.

A entrega do conjunto é tão suave que a passagem entre condução híbrida e elétrica acontece de forma progressiva e praticamente imperceptível. Ainda assim, como em soluções semelhantes de Peugeot e Citroën, a troca de modos de condução leva algum tempo.

Apesar do aumento de peso pelos componentes elétricos (principalmente a bateria), o conforto de rodagem é bom. Mesmo com a largura maior ajudando, ainda há certa tendência de inclinação da carroceria em curvas - um dos pontos em que os engenheiros que finalizam o acerto do chassi seguem trabalhando nesta reta final do desenvolvimento dinâmico. A direção é outro aspecto com espaço para evoluir, podendo transmitir mais sensação, sobretudo perto do centro.

Andreas Holl, um dos responsáveis pelo acerto dinâmico do novo Opel Astra, explica que "o novo Astra tem uma carroçaria 14% mais rígida do que a do seu antecessor e tem os componentes de chassis com rigidez transversal aumentada para que, partindo de uma boa base técnica, fosse possível dotá-lo um caráter de comportamento tipicamente Opel".

E, mesmo com o trabalho de calibração ainda incompleto (cerca de 80% já foi feito, mas o carro só chega às concessionárias em janeiro de 2022), o Astra L já parece mais competente na estrada do que o modelo anterior.

Quando chega?

O cenário é promissor quando Holl e sua equipe encerrarem o acerto final, permitindo que a produção na fábrica de Rüsselsheim comece em dezembro e que as primeiras entregas aos clientes ocorram a partir de janeiro.

Na Alemanha, a versão de entrada (1.2 turbo, três cilindros, 110 cv e câmbio manual de seis marchas) parte de 22 500 euros. Em Portugal, espera-se algo na casa de 25 500 euros. Já os híbridos plug-in devem começar acima de 40 000 euros.

Autores: Joaquim Oliveira/Press-Inform.


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