Em Versalhes, durante um evento organizado pelo jornal Le Parisien - que antecede o início do Salão de Paris 2022 - Carlos Tavares voltou a fazer críticas duras ao rumo político adotado pela Europa, e especialmente por autoridades francesas, quando o assunto é o futuro da indústria automotiva e a mobilidade de milhões de pessoas.
Na ocasião, também esteve presente Luca De Meo, diretor executivo do Grupo Renault. Ainda assim, diante das perguntas dos jornalistas, foi Carlos Tavares quem acabou se destacando pelas declarações mais contundentes.
Fiel ao seu estilo, o CEO da Stellantis retomou sua leitura dos temas que dominam o setor hoje: a eletrificação, a falta de semicondutores, a dependência em relação à China e até a suposta “autofobia” dos franceses em relação ao automóvel.
Para Carlos Tavares, a Stellantis está pronta para a transformação em andamento. Isso, porém, não parece ser suficiente para acalmar a inquietação do português que comanda um dos “gigantes” globais da indústria automotiva.
Não querem automóveis? Carlos Tavares desconfia
Nos livros de psicologia, autofobia é o termo usado para descrever o “medo de ficar sozinho; medo da solidão”. Carlos Tavares, no entanto, atribuiu outro sentido ao conceito quando o aplica ao momento vivido na Europa e, em particular, na França.
O questionamento feito por ele não foi inocente. O diretor executivo da Stellantis quis sugerir que a mudança em curso na indústria - que prevê a proibição total de automóveis com motor a combustão até 2035 - talvez não esteja sendo devidamente refletida pela sociedade e, pior, possa nem ter passado por uma consulta real aos cidadãos sobre essa orientação política.
De acordo com nossos colegas da L’Automobile, Carlos Tavares foi além, retomando um argumento que já havia utilizado no início deste ano:
Carlos Tavares foi ainda mais longe, sobre as consequência desta mudança forçada para a eletrificação: “Se os veículos elétricos forem caros, serão elitistas, e não estarão ao alcance da classe média. Teremos então um problema de estabilidade social. A propósito disso, se não conseguirmos atingir volumes suficientes, também não teremos o impacto desejado no planeta”.
Vale lembrar que, no começo deste ano, Carlos Tavares já tinha dito que a transição total para veículos elétricos foi “uma decisão política e não da indústria”.
De todo modo, nas palavras do próprio Carlos Tavares, o Grupo Stellantis “está preparado” para o que vem pela frente - como indicam, por exemplo, os planos de marcas como a Peugeot, que em 2023 terá em sua gama mais de 23 alternativas de mobilidade eletrificada, entre automóveis e e-scooters.
Semicondutores. Luz ao fundo do túnel
A escassez de semicondutores na indústria automotiva - um componente indispensável para praticamente todos os dispositivos eletrônicos - foi outro ponto discutido.
Segundo Carlos Tavares, trata-se de um problema do presente, mas com solução encaminhada, graças aos investimentos da Europa e dos EUA para produzir internamente esses componentes.
É importante lembrar que a falta de semicondutores tem sido um dos fatores que mais têm afetado a produção de automóveis na Europa. Há uma demanda que as fábricas não estão conseguindo atender.
A ameaça chinesa e a estratégia europeia
A chegada de marcas chinesas ao mercado europeu foi outro tema sobre o qual Carlos Tavares fez questão de apresentar sua análise.
Na avaliação do executivo, a Europa deixou “a porta escancarada” para as exportações chinesas.
Como consequência, o continente agora “está sob enorme pressão, o que provavelmente obrigará os fabricantes europeus, nos próximos anos, a reduzirem os seus custos de forma significativa”, afirma o diretor executivo da Stellantis.
Fonte: Le Parisien via L’Automobile
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