O gigantesco Antonov AN-225 Mriya (Sonho) era uma aeronave sem igual no mundo. O que foi o maior avião em operação no planeta acabou entrando para a lista de danos colaterais da invasão russa à Ucrânia.
Base em Hostomel e importância do Aeroporto Antonov
O AN-225 ficava baseado no aeroporto de Hostomel, na região metropolitana de Kiev. O local também é chamado de Aeroporto Antonov - em referência à fabricante aeronáutica - e funcionava tanto como aeroporto internacional dedicado a operações de carga e descarga quanto como centro de testes da Antonov.
O ataque a 24 de fevereiro e a incerteza inicial
Considerado um ponto de alto valor estratégico, esse aeroporto esteve entre os primeiros alvos bombardeados pelas forças militares russas a 24 de fevereiro.
Logo depois, imagens de satélite passaram a indicar que o hangar onde o AN-225 estava havia sido atingido. Ainda assim, a cauda do avião parecia permanecer intacta nas fotos, e não havia confirmação se o cargueiro tinha, de fato, sofrido danos.
Confirmação da destruição do Antonov AN-225 Mriya
Depois de vários dias de dúvida, uma reportagem exibida recentemente na TV estatal russa confirmou a destruição do Antonov AN-225.
A TV estatal russa divulgou uma reportagem do Aeroporto de Gostomel, Kiev. Ao fundo, é possível ver os restos do AN-225, que foi completamente destruído. pic.twitter.com/BgDAVhcqIa
- Aurora Intel (@AuroraIntel) 4 de março de 2022
Antonov AN-225 Mriya
Derivado do AN-124, o Antonov AN-225 entrou em serviço no fim de 1988 e tinha entre seus objetivos transportar o ônibus espacial soviético Buran.
Com o colapso da União Soviética, no começo dos anos 90, esse plano acabou inviabilizado. Anos depois, na virada do século, o AN-225 foi recuperado e passou por modernizações, sendo então empregado como avião de transporte para cargas especiais.
Especificações do Antonov AN-225 Mriya: dimensões, motores e alcance
Com envergadura de 88,4 m e comprimento de 84 m, ele foi o maior avião operacional do planeta. Sua carga útil é de 250 toneladas, e a aeronave pode decolar com até 600 toneladas de peso bruto.
Para colocar esse colosso no ar, eram necessários seis motores (três por asa) ZMKB Progress Lotarev D-18T, cada um capaz de entregar 229,5 kN de propulsão, e tem um.
Com os tanques cheios, seu alcance passa de 15 mil quilómetros; já quando está totalmente carregado, a autonomia cai para 4500 km.
O segundo exemplar do AN-225
Com o avião agora destruído, a única possibilidade de ver esse colosso voando novamente depende da conclusão do segundo exemplar do AN-225.
Ele começou a ser construído na mesma época do primeiro, mas, também em razão do colapso da União Soviética, a obra foi interrompida. Houve a expectativa de finalização nos primeiros anos deste século, porém isso acabou não se concretizando.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário