A Xpeng, uma das montadoras chinesas que vêm sacudindo o setor automotivo europeu, está negociando a compra de uma fábrica da Volkswagen na Europa. E isso tem um peso considerável.
A Xpeng quer fabricar no continente. A montadora chinesa - que hoje tem seus carros montados por terceirização na Magna Steyr, na Áustria - confirmou que mantém conversas com a Volkswagen para encontrar um local de produção em território europeu. A informação foi divulgada por Elvis Cheng, diretor-geral da Xpeng para o Nordeste da Europa, durante o evento Future of the Car promovido pelo Financial Times.
Essa aproximação não surgiu do nada. Em 2023, a Volkswagen colocou 700 milhões de dólares para comprar 5% do capital da Xpeng, dentro de um acordo que também incluía o co-desenvolvimento de veículos elétricos na China. Trata-se, portanto, de uma parceria industrial já bem estabelecida - que agora pode entrar em uma nova fase.
Do lado da Xpeng, a lógica é direta: a linha de produção austríaca está chegando ao limite, e o grupo precisa de mais capacidade para acompanhar sua expansão internacional. Construir uma fábrica do zero segue sendo uma alternativa, mas adquirir uma unidade já pronta encurtaria prazos e reduziria custos.
Mas, afinal, quem é a Xpeng?
Criada em 2014 na cidade de Guangzhou, a Xpeng se define como uma empresa de mobilidade inteligente. Ela desenvolve internamente seu próprio sistema de assistência à condução e também seu sistema operacional. Essa integração vertical, pouco comum no setor, faz a companhia se parecer mais com uma empresa de tecnologia do que com uma montadora tradicional.
E os números de 2025 reforçam que a estratégia está dando resultado. A Xpeng entregou 429 000 veículos no ano, com receita de 76,7 bilhões de yuans. Mais importante ainda: a empresa registrou seu primeiro lucro líquido trimestral no quarto trimestre. É um marco relevante para um negócio que passou muito tempo no vermelho em um mercado chinês extremamente competitivo.
E a atuação do grupo não para por aí. Ele também trabalha com robotáxis, com um robô humanoide chamado IRON e, por meio da sua subsidiária AeroHT, com táxis voadores.
Por que a Volkswagen considera vender sua fábrica
Em meio a dificuldades, a montadora alemã está no centro de uma ampla reestruturação: até 2030, planeja reduzir sua capacidade produtiva em 750 000 veículos por ano na Alemanha e em mais 500 000 unidades em outros países europeus. Fábricas inteiras estão à procura de um novo destino. Osnabrück, repassada ao grupo israelense Rafael, é o exemplo mais simbólico.
O cenário evidencia uma virada significativa. Por décadas, foram as marcas europeias que produziram na China para conseguir acesso ao mercado local. Agora, são empresas chinesas que cogitam produzir na Europa para tentar contornar as tarifas impostas por Bruxelas sobre seus veículos elétricos - e ganhar o mercado “por dentro”.
Nossa análise
A Europa acaba ficando em uma posição desconfortável: sua própria base industrial pode passar a servir para montar os carros que pressionam as marcas históricas do continente. É um paradoxo revelador sobre a situação da indústria automotiva europeia e sobre a mudança profunda que está em curso.
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