A Toyota está a todo vapor a trabalhar numa nova Celica. Isso já estava no radar, graças a burburinhos do setor, cochichos na imprensa e, sobretudo, porque um dos grandes executivos da marca acabou deixando escapar essa informação há dois anos. Pistas discretas, como dá para perceber.
Mesmo assim, ao que parece, os chefes da Toyota ainda não podem afirmar isso às claras. Porém, durante as 24 Horas de Le Mans no fim de semana passado, o vice-presidente executivo e membro do conselho de administração, Hiroki Nakajima, trouxe um contexto valioso sobre o que pode estar (leia-se: está, sim) por trás do empurrão da empresa em direção a carros mais esportivos - Celica incluída.
A Celica no horizonte da Toyota GR
“Meu Deus!”, exclamou Nakajima-san, ao ser perguntado pela TG sobre futuros modelos GR. “Então, por meio da atividade no automobilismo, gostaríamos de entregar um carro melhor. Esse é o elemento mais importante para nós, do ponto de vista da engenharia, certo? Obter esse resultado frutífero através do automobilismo.
“De certa forma, gostaríamos de oferecer um veículo muito mais de competição. Originalmente, no GR86, fizemos parceria com a Subaru; no Supra, fizemos parceria com a BMW. Para ser sincero com você, nós gostaríamos de oferecer o novo carro por conta própria.
“Então decidimos desenvolver o GR Yaris e agora o GR Corolla. E talvez o próximo seja… você sabe o nome, a Celica?” A TG confirma com a cabeça. “Ah! Você gosta?” A TG concorda de novo. “Ah! Eu também. [É] meu sonho pessoal.
“Enfim, a Celica é… é um carro de pai, certo? Nós vamos desenvolver a Celica no futuro. Num futuro próximo, bem próximo. Meus colegas fazem um grande esforço para desenvolver…”, ele interrompe a frase. “Só uma palavra. Celica é o meu sonho!” Tradução: por enquanto, isso fica na conta da opinião dele. Entendeu o recado, piscadela e tal.
Estratégia: de parcerias ao “fazer sozinho”
No pano de fundo, a ideia fica clara: a Toyota quer que seus esportivos tenham mais “DNA Toyota” de ponta a ponta. E isso ajuda a explicar por que a marca cita as parcerias como um ponto de partida - e não como destino.
O executivo lembra que o GR86 nasceu em colaboração com a Subaru, enquanto o Supra foi desenvolvido em conjunto com a BMW. Já com o GR Yaris e, na sequência, com o GR Corolla, a sensação é de um movimento para construir mais coisas internamente.
E o Supra depois do fim da produção? E o MR2?
E o Supra? A produção desse projeto conjunto com a BMW foi encerrada no começo deste ano e, apesar do retorno (e bem-vindo) do câmbio manual mais tarde, o modelo mal chegou a acelerar os batimentos como se esperava. Será que um sucessor - desta vez totalmente marcado pelo DNA da Toyota - pode estar nos planos?
“O Supra? Não há nenhuma informação da Toyota Motor Corporation, eu acho.” Risos na sala. “GR Corolla, GR Yaris, por exemplo GR Celica - por exemplo! - isso [contribui] para ampliar o volume de vendas do Celica original, do Corolla original, do Yaris original. Isso é uma boa harmonização. Isso é uma área de produção em massa para o carro original, certo? Talvez o Supra seja outro...
“Mas pessoalmente, no futuro… um Supra. Como um Supra… pessoalmente!” A mensagem está dada: é tudo hipotético. Mas, então, o que a Toyota tem no seu catálogo histórico que seja “como” um esportivo biplace? Exatamente… o MR2. Hipoteticamente, claro.
Por que o automobilismo pesa tanto nessa decisão
Isso também esclarece por que a marca japonesa - dominando o WRC, vencendo Le Mans pela sexta vez neste fim de semana e ligada à Haas na F1 - investe tão pesado em competição.
“Automobilismo para desenvolvimento, muito empolgante para engenheiros”, explica Nakajima-san. “Esse é o ponto. Nós não nos importamos com o resultado. Não, não, não. Engenheiros focam na engenharia.
“Esse tipo de comportamento é a chave para ter sucesso, para sobreviver no mercado. Então, na medida do possível, gostaríamos de apoiar a área de carros esportivos. Essa é a minha paixão.”
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