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Preço do petróleo e do gás dispara após ataques ao Irã e tensão no Estreito de Ormuz

Homem verificando gráfico no celular enquanto abastece carro com bomba de combustível verde em posto nos EUA.

Vive-se uma disparada de preços que pode não ser passageira. Na manhã desta segunda-feira, as cotações sobem com força - inclusive a do gás liquefeito na Europa, com alta superior a 22%.

Petróleo Brent dispara após ataques ao Irã

Como já se esperava - e agora está confirmado -, o preço do petróleo acelera nesta segunda-feira, 2 de março, depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Com a possibilidade de o conflito se prolongar, o barril do Brent, referência do mercado de petróleo, chegou a passar rapidamente de 80 dólares (78 dólares no momento em que este texto é escrito).

Gás europeu e GNL sob pressão

Na esteira do petróleo, o preço do gás na Europa saltou 22% na abertura, com base na cotação do TTF holandês. As exportações de gás natural liquefeito, em especial as vindas do Catar, devem enfrentar grandes dificuldades, o que pode restringir a oferta.

Ainda assim, por enquanto é preciso pôr essa alta em perspectiva: uma única onda de frio na Europa pode levar as cotações a subir de forma semelhante. Foi o que ocorreu em fevereiro do ano passado, quando o contrato futuro do TTF também disparou para 39 dólares.

Seguros, fretes e rotas: o Estreito de Ormuz quase paralisado

O clima claramente não é de otimismo neste mercado. Após o Irã atacar dois navios neste domingo, ao largo de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, a Organização Marítima Internacional (OMI) pediu às companhias marítimas “evitar a região”, segundo a BFM. O recado foi acatado imediatamente pelos principais players, que passaram a suspender as travessias por ali.

Na Arábia Saudita, uma grande refinaria da Saudi Aramco (a unidade de Ras Tanur) também teria sido atingida por bombardeios na manhã de segunda-feira.

De acordo com Les Échos, as seguradoras também já se mexeram, cancelando coberturas contra risco de guerra para navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. As taxas para renegociação dispararam e foram de 0,25% para 0,375% do valor das embarcações. O aumento pesa especialmente para petroleiros que frequentemente valem mais de cem milhões de dólares, enquanto portos israelenses enfrentam uma inflação de custos semelhante.

Apesar disso, a Europa não está entre as regiões mais dependentes do Estreito de Ormuz para suas importações, em comparação com o resto do mundo. Em média, essa dependência é de 18%, contra 50% para China e Índia, 65% para a Coreia do Sul e 72% para o Japão.

Um risco para Donald Trump?

Em termos práticos, o transporte marítimo via Estreito de Ormuz - por onde passa perto de 20% do consumo mundial de petróleo - está quase paralisado, acrescenta a BFM. Entre analistas, o cenário alimenta temores de desfechos mais graves. O Eurasia Group avalia “que em d’interruption prolongée des livraisons via Ormuz, le pétrole brut pourrait rapidement grimper jusqu’à 100 dollars le baril (…) notamment en cas d’attaques contre les installations pétrolières dans la région”. Esse patamar não era visto desde a invasão russa da Ucrânia, que causou um forte impacto na economia mundial.

O choque comercial já é sentido: a Maersk começou a desviar sua frota para o Cabo da Boa Esperança, o que acrescenta quase dez dias à viagem. Les Échos informa que o custo de fretamento de um petroleiro de muito grande porte para a China explodiu e agora chega a 225 000 dólares por dia, contra 33 000 dólares no início de 2026. O Irã, portanto, decidiu fechar esse gargalo estratégico, por onde também passa o gás natural liquefeito.

Em meio à turbulência - e provavelmente para tentar acalmar os mercados -, os membros da organização dos países exportadores de petróleo, a Opep+ (incluindo Arábia Saudita e Rússia), decidiram elevar seus tetos de produção neste domingo, fixando o aumento em 206 000 barris por dia em abril.

Isso, porém, não é suficiente para tranquilizar Charu Chanana, da Saxo Markets. Citada pelo Le Parisien, a especialista ressalta: “L’ensemble de la région du Golfe étant touchée, la dissipation de cette prime de risque géopolitique pourrait prendre du temps, compte tenu notamment du rôle central de la région dans l’approvisionnement énergétique mondial”.

Esse movimento pode, inclusive, virar uma ferramenta económica muito poderosa para o Irã. Embora o petróleo seja uma das principais fontes de receita do regime, preços elevados tendem a influenciar Donald Trump, que sabe o quanto o eleitorado americano é sensível a esse tema. Com a aproximação das eleições de meio de mandato, ele pode buscar encurtar os combates se a pressão nesse mercado se intensificar.

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