Aí vem mais um SUV com adereços colados…
Calma: este GLB passou mesmo pelas mãos da AMG. Não é só aquela versão “de faz de conta” com kit de carroçaria para agradar frota de empresa. E a surpresa é genuína, porque, mesmo com todo o brilho, a silhueta reta e deliberadamente antiquada do GLB não grita “desempenho” à primeira vista. Só que ele oferece 0 a 62 milhas por hora (0 a 100 km/h) em 5,2 segundos, chega a 155 milhas por hora (cerca de 249 km/h) e ainda promete consumo de 32 milhas por galão - um número baixo o suficiente para soar como certificado de autenticidade de performance, ainda que seja claramente um cenário ideal.
Desempenho do Mercedes‑AMG GLB 35: ele é rápido mesmo?
Até ao modo Sport (inclusive), motor e caixa respondem com rapidez e competência, sem aquela sensação de te prender ao banco de forma memorável. Para viagens rápidas em autoestrada, está tudo no ponto.
A personalidade muda de verdade no Sport+. É aí que o carro finalmente “se solta”. Normalmente eu não chego perto de modo Sport nem com um poste, muito menos de algo ainda mais agressivo, mas o GLB 35 parece não ficar plenamente satisfeito até você girar o seletor para esse nível. Afinal, num AMG, a expectativa é sentir os órgãos a disputar espaço dentro do corpo, não é?
Quando os nervos pediram trégua, ajustei o modo Individual para usar as configurações de potência limitadas, pensadas para condições de neve, e deixei os amortecedores adaptativos na posição mais confortável - ótimo para economia e para mostrar que ele é versátil, embora isso também seja, de certo modo, perder o foco da proposta.
Dinâmica ao volante e modos de condução
O “pó de fada” da AMG fez uma espécie de magia pouco santa no GLB. Olhando friamente, ele não é uma arma de precisão para condução, mas tente convencer o cérebro disso enquanto você o atira por uma estrada secundária, trocando marchas a ritmo forte e ouvindo o ronco de quatro cilindros - estranhamente cativante.
É divertido, sem dúvida, só que a vocação aqui é chegar depressa aos lugares, não marcar um dia de pista. E é curioso termos chegado ao ponto em que um SUV com 1,8 tonelada parece quase leve. Ainda assim, no universo dos sete lugares, o GLB 35 está entre os mais ágeis e desembaraçados.
Há, porém, uma tensão inevitável em carros assim: se você encher o carro e sair a “dar uma volta”, vai descobrir que há seis pessoas profundamente infelizes a bordo - mesmo que exista uma sétima com um sorriso meio culpado.
Mecânica: como este conjunto funciona?
O motor é o mesmo 1.991 turbo, quatro cilindros, do A35. Ele entrega 302 bhp e manda força às quatro rodas por meio de uma caixa automática de oito velocidades.
O sistema de tração integral 4Matic permite rodar tranquilamente com a potência concentrada na dianteira, mas, conforme a necessidade, consegue enviar até 50 por cento da força para o eixo traseiro.
O que vem no pacote AMG (além do emblema)
A Mercedes‑AMG decidiu não poupar esforços neste “monovolume” de postura vertical. A lista inclui teto panorâmico (que, convenhamos, não melhora desempenho), rodas de 20 polegadas, amortecedores adaptativos, faróis LED, som Burmester e o pacote AMG Night, que escurece de preto as peças plásticas externas para um ar mais ameaçador.
O sinal visual mais claro é a grelha Panamericana, que substitui o “adereço prateado” habitual do nariz por lâminas verticais inspiradas nos anos 1950. No GLB, isso funciona muito bem: a frente padrão, com aquela barra de plástico prateado, pesa no conjunto e acaba por engolir o resto do estilo do carro.
Espaço e praticidade: ele leva sete pessoas de verdade?
Leva, sim. E, como o GLB não é o maior SUV do planeta, valem os avisos de sempre: a terceira fila é, na prática, para gente pequena. Mesmo assim, trata-se de um sete lugares realmente utilizável, e o aproveitamento de espaço impressiona.
Curiosamente, a versão AMG perde 5 litros de porta‑malas em relação ao GLB “normal”: são 565 litros na configuração de cinco lugares e 1.800 litros com os bancos traseiros rebatidos. Dá para fazer três viagens ao ecoponto antes de alguém sequer chegar ao fim da rua.
Preço, depreciação e a pergunta inevitável
Pelo critério estritamente racional, comprar um destes é um ato de loucura em estado puro. Estamos a falar de um SUV de performance de £52 mil, e pensar na depreciação já dá dor de cabeça: depois de três anos e 30.000 milhas (cerca de 48.000 km), sobram 53 por cento do que você pagou no valor do carro.
Em leasing, ele sai por £748 por mês - quase £300 a mais do que a opção diesel sensata. Se você colocasse £26 mil no fogo, ao menos manteria as crianças aquecidas por um tempo.
Só que este GLB 35 é, justamente, uma celebração dessa insanidade: é obsceno, é ridículo e é divertido. Um monumento ao facto de a Mercedes não conseguir passar por um nicho, por menor que seja, sem tentar ocupá‑lo. (Como é que a empresa sequer dá lucro, quanto mais £3,5 mil milhões de lucro no ano passado?)
No fundo, é difícil encontrar algo muito mais rápido com sete lugares sem acabar num Cessna Citation. E, ao lado de um desses, o Mercedes até parece barato.
Nota: 8/10
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