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Toyota Camry CDX 3.0-litre V6: análise da TopGear (2002)

Carro Toyota Camry prata estacionado em estrada de terra com céu nublado ao fundo.

Esta avaliação foi publicada originalmente na edição 100 da revista TopGear (2002).

Aparência e primeira impressão do sedã

Sempre imaginei que pais bonitos vivem sob a pressão de gerar filhos igualmente agradáveis aos olhos. Todo mundo espera um prodígio - então dá para imaginar a cara deles quando, no lugar disso, aparece um troll vesgo.

Tudo bem: a Toyota não é exatamente o pai mais estonteante do planeta. Ainda assim, a gama atual tem o Yaris com seu ar atrevido, o Celica de formas enxutas e o Land Cruiser com jeito parrudo. Se eu mandasse na Toyota, por sinal, eu estaria pedindo um teste de DNA para o Camry completamente novo.

Na encarnação anterior, cinco milhões de Camrys foram vendidos só nos Estados Unidos, mas vai ser preciso bem mais do que uma grade no estilo Avensis para impedir que ele tenha a cabeça empurrada para dentro do vaso sanitário do mercado europeu.

No segmento executivo “local”, muitos carros exibem uma sofisticação discreta. O Camry, não: ele parece um assalariado empolgado tentando sustentar um paletó de caça e um par de culotes de montaria.

Toyota Camry CDX 3.0-litre V6: preço e posicionamento

Como modelo topo de linha, este CDX com motor V6 de 3,0 litros entra com convicção no ringue dos grandões, cobrando um salgado £25,495. Então o que ele oferece para convencer alguém a sair de uma aposta de aço, como um Audi A6 2.4 SE?

Interior e equipamentos: luxo ao estilo japonês

De cara, você recebe uma cabine absurdamente caprichada e uma lista generosa de itens. Estão lá, claro, bancos em couro, ar-condicionado, trocador automático de CDs, ajustes elétricos dos bancos dianteiros e teto solar elétrico. É um ambiente espaçoso e bem arrumado, com peças e acabamentos pescados na prateleira da Lexus e montados com a mesma preocupação com solidez.

No pacote também entram airbags frontais, laterais e de cortina, além de ABS e EBD. É conforto e refinamento - só que com o tempero japonês.

Ao volante: dinâmica, conforto e tração dianteira

Houve um tempo em que um carro desse tipo não precisava ser interessante de dirigir. Só que a BMW se dedicou tanto à dinâmica dos sedãs grandes que acabou estabelecendo a referência para comportamento e desempenho entre executivos. A partir daí, para ter alguma chance real nessa turma, a tração traseira passou a ser recomendável.

Não dá para entender bem por que não usaram uma base de tração traseira da Lexus como ponto de partida do Camry - mas não usaram, e o carro paga por isso. A aderência existe em boa quantidade, mas não há qualquer ambição dinâmica além de seguir em linha reta.

Ele não é totalmente desgovernado, porém inclina demais nas curvas e direção e freios não transmitem a mesma convicção dos rivais europeus de qualidade. Em compensação, o rodar é macio. Nos Estados Unidos, a classe executiva gosta de ser levada de um lado para o outro sem sacolejo - e o Camry entrega exatamente isso. Há pouco ruído de rodagem, pouca turbulência de vento e a parte áspera do trabalho do motor chega bem amortecida aos ocupantes.

Ainda assim, de vez em quando as rodas dianteiras mostram um arranhar pouco civilizado procurando tração quando você tenta aplicar potência na saída de curva. Somado à falta de vontade do carro de “apontar” para a próxima, isso expõe um personagem meio bidimensional.

Motor e câmbio: suavidade, mas sem empolgar

O V6 de 3,0 litros rende, para um carro desse tamanho, modestos 184 bhp. Mesmo assim, ele é o típico motor suave da linhagem Toyota. Com o pé direito cravado, leva você de 0 a 100 km/h (0–62 mph) em pouco mais de nove segundos e segue até uma máxima de 225 km/h (140 mph) embalada pelo fôlego.

Ou seja: o desempenho não é exatamente de tirar o sono - sobretudo porque não dá para aproveitar com conforto a velocidade de reta por muito tempo em uma estrada cheia de curvas. O câmbio automático de quatro marchas é tão refinado quanto o motor, mas em cruzeiro ele pede relações mais longas. Assim como acontece com o comportamento dinâmico, a experiência ao volante fica um passo atrás da oferecida pelos concorrentes.

Para quem é este Camry?

A grande interrogação do novo Camry é: quem, afinal, ele quer conquistar? O preço encosta no território do BMW 520i SE e, embora o alemão não venha com todo esse pacote de equipamentos, é bem mais envolvente, entrega desempenho equivalente e ainda guarda valor de revenda muito melhor.

Quem tentar se desfazer de um Camry depois de dois anos vai se queimar até a segunda junta do dedo. E mesmo que revenda não seja um problema, ainda seria mais sensato levar o Vauxhall Omega topo de linha. Os V6 da GM caem junto do Camry no elevador da desvalorização - só que partindo de um ponto inicial mais realista.

No fim, o Camry fica espremido entre Toyota e Lexus. Ele é caro demais para a primeira e grande e desajeitado demais para a segunda. Ao que parece, nem os próprios “pais” sabem muito bem o que fazer com ele.

Rivais:

  • BMW 520 SE
  • Audi A6 2.4 SE
  • Volvo S80 2.4 SE

Veredito: Caro, prejudicado por uma desvalorização chocante, mas confiável e bem construído.

3.0-litre V6 24v
184bhp
4spd auto, FWD
0-62mph in 9.0sec, 130mph
£25,495

Texto: Adrian Simpson
Imagens: Paul Debois

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