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Projeções visuais do futuro das mudanças climáticas: ciência, imagens e ação

Mulher de jaleco branco analisa gráficos coloridos em tablet, com cidade e mar ao fundo.

Sensibilizar sobre os impactos das mudanças climáticas apenas com relatórios e números é uma estratégia que encontra limites. Em muitos casos, projeções visuais comunicam melhor o que está em jogo.

Com os avanços da ciência e da tecnologia, hoje conseguimos construir projeções bastante precisas do que o futuro pode nos trazer. De imagens fotorrealistas a simulações interativas, são visualizações apoiadas em estudos rigorosos que colocam diante de nós dois caminhos possíveis: um cenário mais alarmante, alinhado com a trajetória atual, e outro mais promissor - desde que consigamos reduzir de forma drástica as emissões de carbono.

Projeções e evidências científicas

O consenso científico está consolidado, e o relatório das Nações Unidas sobre mudanças climáticas publicado em 2023 não deixa margem para dúvida: estamos avançando rapidamente rumo a uma catástrofe climática.

O que os estudos mais recentes indicam

De acordo com as pesquisas mais recentes reunidas nesse relatório, limiares críticos de temperatura podem ser ultrapassados já na próxima década se continuarmos utilizando combustíveis fósseis da forma atual. Os efeitos sobre a vida seriam prejudiciais: biodiversidade sob risco, ameaça à segurança alimentar e a vida de meio bilhão de pessoas em perigo.

Um trabalho publicado em 2020 na revista Proceedings of the National Academy aponta que um terço da população mundial pode acabar vivendo em condições climáticas extremas, comparáveis às do Saara, até 2070.

Outro exemplo vem de um artigo interativo da National Geographic, que ilustra o quanto os padrões de temperatura devem mudar ao redor do planeta. Em 2070, o panorama é mais do que assustador, com cidades registrando aumentos médios de 3 a 4° C.

A força das imagens: conscientizar e mobilizar

Climate Central e o projeto Picturing Our Future

O grupo de pesquisa Climate Central lançou o projeto Picturing Our Future, que apresenta duas visões distintas do que pode nos esperar. Em uma delas, nada muda e o planeta aquece, em média, 3° C. Na outra, reduzimos nossa pegada de carbono e o aquecimento fica limitado a 1,5 °C.

Com base em simulações e imagens fotorrealistas, a iniciativa expõe de maneira bastante impactante os efeitos do aumento da temperatura e da elevação do nível do mar em diferentes pontos do mundo. Sevilha, Bremen, Alexandria e Dubai aparecem retratadas sob a ótica desses dois cenários.

Por que o visual pode ser mais convincente

É uma abordagem interessante (e um pouco assustadora), que ao menos tem o mérito de tornar mais concretas as consequências do nosso estilo de vida. Como explica Benjamin Strauss (diretor executivo e cientista-chefe da Climate Central), em um artigo: “O ser humano é um ser visual. Cerca de 30% do nosso cérebro é usado para a visão. A maioria dos relatórios científicos sobre ameaças climáticas apresenta números difíceis de interpretar: o que significaria, de fato, uma elevação do nível do mar de 30 centímetros ou de 1,50 metro?”.

Ainda que desenhem um futuro bastante sombrio, essas imagens e simulações também funcionam como um convite para agir e para tomar consciência de que ainda há espaço para mudança. Em vez de depender apenas de dados abstratos - que podem não bastar para sensibilizar -, as organizações por trás dessas visualizações esperam provocar o choque necessário por meio do impacto visual. Mas será que essa abordagem, de fato, será mais eficaz?

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