Então, ficou bem elegante...
Ficou mesmo. Conversíveis com teto rígido retrátil muitas vezes ganham um traseiro mais “pesado”, sobretudo quando têm quatro lugares - é o preço de ter de esconder um teto grande. Ainda assim, a traseira do Série 4 Conversível é baixa e com proporções bem enxutas. E o restante da carroçaria, tal como no Série 4 Coupé, não dá motivo para reclamações.
BMW Série 4 Conversível: visual e linhas da capota
Só que, com o teto fechado, essas linhas pretas por todo o lado estragam um pouco. O que é isso?
O teto divide-se em três partes para conseguir caber por baixo da tampa do porta-malas. Só que, quando ele está no lugar, essa solução cria várias linhas de corte aparentes. No carro branco das fotos, o efeito fica ainda mais evidente porque as linhas são pretas. Pinturas mais escuras ajudam a disfarçar.
BMW Série 4 Conversível ao ar livre: vento, cintos e aquecimento
E como é que ele se sai como carro aberto?
Funciona muito bem. Quando não vai ninguém no banco de trás, a rede defletora de vento reduz bastante a turbulência. Os cintos saem diretamente do assento, então não ficam batendo ao vento como acontece em alguns cabrios. Em dias frios, vale ligar os sopradores elétricos de aquecimento sob os apoios de cabeça: eles aquecem pescoço e orelhas com uma eficácia surpreendente. Se houver passageiros atrás, o defletor dobra e fica guardado de forma organizada no próprio compartimento, logo atrás do encosto traseiro. Ainda assim, como em qualquer conversível de quatro lugares, lá atrás o vento aparece com força.
Capota elétrica, porta-malas e comportamento dinâmico
Sem o teto, fica um “buraco” enorme. A carroçaria continua firme?
A BMW afirma que ele é 80% mais rígido do que o antigo conversível da Série 3, que este substitui. Mesmo assim, certas frequências de irregularidade no piso fazem a estrutura vibrar um pouco. Não chega a preocupar, mas dá para perceber.
E com o teto fechado?
A oscilação praticamente desaparece. De facto, os engenheiros dizem que, fechado, o teto ajuda a “amarrar” a estrutura. E, em velocidade, o ambiente fica com silêncio de sedã.
Imagino que a capota seja elétrica.
Claro. Ela leva 20 segundos para abrir ou fechar. Saindo da posição de teto rígido, a seção dianteira sobe e recua para encaixar sobre a parte central; em seguida, o vidro traseiro e as colunas C avançam e se apoiam por cima das duas. Com o vidro traseiro já fora do caminho, a tampa do porta-malas abre ao contrário do normal - articulada na parte traseira - e todo o conjunto do teto desaparece ali embaixo.
Isso não atrapalha para colocar coisas no porta-malas?
Atrapalha. Mas houve um cuidado aqui: dá para abrir a tampa do porta-malas no sentido normal, com a articulação na frente, e então pressionar um botão específico. A tampa sobe ainda mais, e o teto guardado acompanha esse movimento para cima. Assim, a abertura para inserir a bagagem fica maior. Mesmo assim, o porta-malas fica com cerca de metade do volume de um Golf. Já com o teto fechado, o espaço aumenta e o acesso volta a ser livre - mais um ponto a favor de ser um carro bastante viável para uso o ano todo.
Esse “balé” do teto parece absurdamente complexo.
É mesmo. E, enquanto o mecanismo se move nos braços finos, o conjunto passa uma sensação meio frágil. Ainda assim, o que sabemos? Os engenheiros garantem que o sistema foi testado a fundo, e hoje a indústria já tem bastante experiência com esse tipo de solução.
E deve ser pesado também, não?
Sim - e dá para sentir isso quando se conduz com mais vontade. Não chega a ser um problema sério, mas, ao entrar numa curva, às vezes parece que a traseira quer inclinar mais do que a dianteira.
E ao volante, como é?
Nós guiámos o seis-em-linha de 306 cv, um motor que é sempre prazeroso, nunca cansativo. A direção é essencialmente precisa e com progressão natural. É um carro bom. Só que lembra um 435i Coupé que tomou umas taças de vinho: não está tão afiado nem tão consistente quanto passámos a esperar. E isso com o teto fechado. Com o teto aberto, é como se já tivesse dado mais alguns goles da segunda taça.
Então é mais um carro para viajar?
Sim - e, nisso, ele manda muito bem. É daqueles carros em que você olha o velocímetro e percebe que está mais rápido do que imaginava. Se você gosta de sentir uma ligação mais direta com o carro, isso não é ideal, porque indica que certas sensações estão filtradas. Mas para fazer viagens, especialmente com sol e a paisagem brilhando ao redor, ele cumpre o papel com folga.
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