O que é o Hyundai i10?
O que é?
O novo “caçula” da Hyundai. O i10 foi praticamente refeito do zero, com a missão de levar ao segmento de carros urbanos um nível de qualidade que normalmente se espera de modelos maiores.
Isso não soa meio como slogan de propaganda?
Soa, sim - mas hoje a Hyundai não pode mais se contentar em entregar apenas um bom custo-benefício e pronto. Há concorrentes baratos de sobra oferecendo muito carro por pouca grana; pense em Fiat Panda ou Skoda Citigo. O que eles mostraram é simples: carro urbano não pode viver só do trajeto dentro da cidade - precisa funcionar bem em qualquer cenário. Refinamento, espaço interno e um pouco de fôlego. É isso que passou a importar.
Ótimo - então já quero o meu i10 V8.
Calma… não é tanto fôlego assim.
Motores do Hyundai i10 e desempenho
De volta ao planeta do bom senso: há duas opções de motor - um novo 1,0 litro de 3 cilindros ou o 1,2 litro. Ambos são a gasolina (não existe diesel aqui). O 1,0 litro é um conjunto bem retrabalhado, enquanto o 1,2 litro é basicamente o mesmo do i10 da geração anterior.
Por isso, a nossa escolha ficaria com o menor. Ele entrega 65 bhp (cerca de 65 cv) e 69 lb ft (aprox. 94 Nm), mas a história não se resume a números que parecem modestos. Ele tem mais disposição do que o 0 a 100 km/h em 14,9 segundos sugere, e o ronronar suave típico de três cilindros acrescenta um toque simpático de personalidade. Não é exagerado e só fica áspero se você espremer de verdade - na medida certa para lembrar que nem todo carro nasce de um comitê.
Mas você não disse que carro urbano também precisa ser refinado?
Com certeza. A questão é que aqui o som do motor não vira incômodo: ele só fica ao fundo, constante, “ronronando”, sem cansar.
E, no restante, o i10 é silencioso como biblioteca. Pouco ruído de rodagem e praticamente nada de vento, o que faz o conjunto parecer mais caro - e de uma categoria acima.
Plataforma, condução e comportamento
Ele anda como um carro maior também?
Anda. Hyundai e Kia estão a simplificar as suas bases, e o i10 é o primeiro a estrear este chassi totalmente novo - o próximo Kia Picanto deve usar a mesma estrutura. A boa notícia para as duas marcas é que o começo é animador: o i10 é confortável e oferece muita aderência. A direção é certeira, os freios funcionam bem e ele nem apresenta aquela inclinação “cômica” em curvas. Em bom português de jornalista: é um carro bem normal - e bem competente.
Só que ele chega a ser normal demais. O i10 amadureceu, sem dúvida, mas deixou para trás um pouco do atrevimento do modelo antigo. Já não há graça em atirar o carro numa curva e ver aquela rolagem digna de moto, porque este novo simplesmente aponta e vai.
Para ser justo, é exatamente isso que o cliente médio - especialmente o público mais velho - provavelmente quer do i10. A maioria vai preferir a nova geração por ser mais versátil. Levar este carro para a rodovia, por exemplo, não parece nenhum sacrifício. Mas, aqui na Top Gear, a gente sempre gostaria que um carro urbano tivesse um pouco mais de “vida”.
Ainda assim, isso parece uma crítica pequena.
E é. De um ponto de vista racional, o novo i10 é um carrinho excelente. Há bastante espaço no banco traseiro (como era de se esperar, já que ele é 65 mm mais largo e 80 mm mais comprido do que o anterior), além de ser refinado e confortável.
E continua a fazer sentido no preço. A tabela começa em £8,345 e vai até £10,495. Como costuma acontecer, as versões intermediárias são as que melhor justificam o dinheiro. Se fosse com a gente, a escolha seria o 1,0 litro com câmbio manual na versão SE por £9,295. Assim, você leva travas elétricas com controle remoto, vidros elétricos nas quatro portas e retrovisores externos com aquecimento - e a entrada USB é item de série em toda a linha.
Então, fica aquele veredito de sempre depois do primeiro contato com um Hyundai ou Kia: os coreanos seguem a melhorar.
7/10
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