Pular para o conteúdo

Škoda Octavia vRS diesel: rápida, relaxada e eficiente, mas pouco empolgante

Carro sedan azul dirigindo em estrada com árvores ao fundo em dia ensolarado.

Desempenho e versões do Octavia vRS

A chamada de capa e a estatística para o bar são simples: o novo Octavia vRS é o Octavia mais rápido já feito, com motor 2,0 litros turbo a gasolina, 218bhp e aceleração de 0–100 km/h (0–62 mph) em apenas 6,8 segundos. Só que ele não é automaticamente o melhor da gama porque, tal como na geração anterior, também existe um vRS a diesel. E esse, como uma Rachel Riley do mundo automotivo, tem tudo para virar o objeto de desejo de quem prefere raciocinar antes de se empolgar.

No vRS a diesel, o conjunto mecânico é exatamente o mesmo do Seat Leon FR: um 2,0 litros com 181bhp e 280lb ft (aprox. 380 Nm). Isso já dá fôlego suficiente para ir de 0–100 km/h (0–62 mph) em respeitáveis 8,1 segundos. O número em si não impressiona - a maioria dos hatches esportivos “de verdade” hoje faz algo em torno de seis segundos -, mas o torque alto salva o vRSd e faz o carro parecer bem mais rápido do que a ficha técnica sugere.

E é justamente esse o ponto: não é um carro frenético, porém anda forte. Basta engatar e deixar o torque trabalhar - a proposta aqui é ritmo fácil, sem esforço. O turbo enche de forma progressiva já a 1.500rpm, mas o mais marcante é que ele não “perde o fôlego” como tantos diesels. A curva de torque fica praticamente reta até 3.000rpm e, ao volante, o recuo do empurrão só começa a ficar evidente depois de 4.500rpm. Para um diesel, é um giro bem alto.

Chassis e conforto do Škoda Octavia vRS

A mesma sensação de tranquilidade aparece no acerto de chassi, mesmo com a carroceria 15mm mais baixa que a de um Octavia comum e com molas mais firmes, além de uma barra estabilizadora mais grossa. Fica mais rígido, sim, mas sem virar desconfortável - principalmente porque o amortecimento é bem resolvido e as irregularidades são filtradas com naturalidade. No dia a dia, seria um carro fácil de conviver; um hatch esportivo pensado para um cavalheiro mais refinado.

Estilo discreto e o “porém” ao dirigir

Até o visual reforça essa personalidade: há um pequeno aerofólio traseiro (que de fato reduz a sustentação), duas saídas de escape discretas e para-choques dianteiro e traseiro levemente retrabalhados. A palavra-chave aqui é “contido”, não “agressivo”.

Dá para sentir que vem um “mas”, não dá? Pois é - embora este Octavia seja rápido, relaxante e econômico (61.4mpg e 119g/km de CO2), para um modelo vRS ele não chega a ser empolgante o suficiente. Se a ideia é acelerar o coração, você vai precisar de algo mais alinhado ao estilo clássico de um hatch esportivo. A direção do Octavia é precisa, porém não entrega exatamente um excesso de sensibilidade, e o chassi não conversa com o seu corpo tanto quanto deveria. Resultado: quando o ritmo sobe, falta aquele “tempero”.

E isso é uma pena, porque o Octavia vRS tinha potencial real para acertar em cheio o ponto ideal de um hatch esportivo: boa performance, consumo honesto, praticidade sem frescura no uso diário - uma resposta realmente diferente para a pergunta do “qual hatch esportivo escolher?”. Só que a direção anestesiada faz este carro parecer maduro demais para usar um emblema vRS. Mais conexão, por favor, Škoda.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário