Nos últimos meses, as Forças Armadas do Paraguai têm dado passos iniciais num processo de modernização de capacidades, alinhado às exigências atuais e às limitações orçamentárias do país sul-americano. Entre os sinais desse movimento estão a atualização do sistema de vigilância com a aquisição de novos radares, a chegada dos novos aviões de ataque A-29 Super Tucano vindos do Brasil e a previsão de recebimento dos primeiros veículos táticos blindados 4×4 M-ATV dos Estados Unidos.
Modernização das Forças Armadas do Paraguai e prioridades em vigilância
As iniciativas conduzidas pela administração atual também despertaram atenção no exterior. De olho nessas oportunidades, outros países e empresas vêm apresentando alternativas ao Ministério da Defesa do Paraguai - como ocorreu na recente apresentação feita por representantes da Israel Aerospace Industries (IAI) a autoridades e comandos militares, com ênfase nas plataformas e soluções que sua subsidiária, a ELTA Systems, pode disponibilizar ao instrumento militar paraguaio.
Propostas da Israel Aerospace Industries (IAI) e da ELTA Systems
No contexto dessas abordagens, ganha relevância o processo de incorporação dos blindados 4×4 M-ATV, da Oshkosh Defense, provenientes dos Estados Unidos - cuja chegada o Exército Paraguaio confirmou para 2027. Nesse cenário, a força demonstraria interesse em analisar a viabilidade de instalar e integrar, na própria plataforma, sistemas de coleta de inteligência, incluindo radares e equipamentos de vigilância.
Diante desses projetos e considerando a flexibilidade e a capacidade de adaptação dos M-ATV, o Exército Paraguaio avalia a possibilidade de equipá-los com diferentes tipos de soluções israelenses, como as que foram apresentadas recentemente pela ELTA Systems.
Integração de sistemas nos M-ATV e o foco na fronteira seca com a Bolívia
Experiências observadas no Exército dos Estados Unidos (US Army) apontam que tanto a família M-ATV quanto a JLTV se consolidaram como plataformas altamente versáteis para receber integração de sensores e sistemas: desde equipamentos de vigilância e radares voltados ao combate a drones até, inclusive, soluções de defesa aérea de curto e de muito curto alcance.
Por isso, é plausível que essa alternativa, pensando na futura entrada em serviço no Exército Paraguaio, esteja sob análise com o objetivo de reforçar as capacidades terrestres de reconhecimento e vigilância em áreas geográficas particularmente desafiadoras - como a região da fronteira seca com a Bolívia.
De forma mais específica, o próprio comandante do Exército, general Manuel Rodríguez, antecipou à Zona Militar a avaliação e os obstáculos enfrentados pela força nessa área, ao afirmar que: “Temos mais de 800 quilômetros de linha seca com a Bolívia, é uma zona muito complexa de controlar, uma parte sensível também. Essa tecnologia pode servir como um sistema de controle que pode ser integrado aos Super Tucano; será uma capacidade terrestre”.
Ainda assim, como já indicado, neste momento diferentes alternativas e propostas seguem em análise, incluindo as apresentadas dias atrás pelos representantes israelenses. Entre os recursos exibidos às autoridades paraguaias - além de outros equipamentos demonstrados - estavam: radares de vigilância terrestre, sistemas ISR táticos, sistemas eletroópticos (com possibilidade de integração em aeronaves de asa fixa e rotativa), sistemas COMINT para coleta de sinais, veículos de observação, veículos aéreos não tripulados, drones do tipo FPV, infraestrutura associada e sistemas C4ISR para funções de Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento.
Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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