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Toyota: Gill Pratt alerta no G7 em Hiroshima que carros 100% elétricos exigem transição mais gradual

Carro elétrico branco Toyota Future RX exibido em showroom moderno com carregador ao fundo.

Antes do encontro do G7 em Hiroshima (19 a 21 de maio), o principal cientista da Toyota afirmou que a transição para carros 100% elétricos precisa acontecer de forma mais gradual - e que ainda é cedo demais para deixarmos os motores a combustão totalmente de lado.

Gill Pratt lidera a área de pesquisa da Toyota Motor Corporation (TMC) e é CEO do Toyota Research Institute (TRI), organização que ele também fundou.

Nos últimos anos, ele também tem sido responsável por declarações consideradas controversas sobre os próximos passos da indústria automotiva. Ainda que bem embasadas, elas não seguem a mesma direção defendida pela maioria dos fabricantes.

Por que a Toyota pede cautela com carros 100% elétricos

A declaração mais recente parte da ideia de que grande parte das montadoras está acelerando demais rumo a um cenário de carros 100% elétricos - e que isso pode ser um erro.

Capacidade de produção vs. capacidade de extração

Um dos motivos centrais, segundo Pratt, é a defasagem entre o ritmo de produção de veículos elétricos (e de suas baterias) e a capacidade de extrair e processar as matérias-primas necessárias para fabricá-las, que não cresce na mesma velocidade.

“Eventualmente, deixarão de existir limitações de recursos, mas durante muitos anos não vamos conseguir ter materiais suficientes para um mercado em que apenas existam carros 100% elétricos”.

Gill Pratt, Cientista-chefe da Toyota

O CEO do Toyota Research Institute também lembra que “a ampliação das minas de onde são extraídos os materiais vai demorar décadas”. Além disso, ele ressalta que a implantação de novas fontes de energia renovável - e a infraestrutura indispensável para armazenar essa energia - também exige tempo.

Ao menos até que essa estrutura fique minimamente compatível com as necessidades de uso. Em outras palavras, o desafio tende a aumentar se todos passarem a depender apenas de carros 100% elétricos.

Outro ponto, segundo ele, é o custo dessa transição para os motoristas. Mesmo com incentivos - que ajudam parte do público a acessar esses modelos -, para a maioria o preço de compra continua simplesmente inviável, com subsídio ou sem.

Estratégia multifacetada para neutralidade carbônica

Por isso, Gill Pratt defende uma abordagem multifacetada: não só com carros elétricos, mas também com veículos eletrificados (híbridos) e com o uso de combustíveis alternativos, como caminho para alcançar a desejada neutralidade carbônica.

Além disso, vale lembrar a fala do ex-CEO da Toyota:

“O objetivo é fazer algo em relação ao aquecimento global. O inimigo comum é o dióxido de carbono”.

Akio Toyoda, antigo diretor executivo da Toyota

Fonte: Bloomberg


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