Para merecer o sobrenome - usado pela última vez no aclamado 458 Speciale -, o novo Ferrari 296 Speciale precisava combinar três pontos indispensáveis: mais potência, redução de peso e aerodinâmica ainda mais eficiente.
E ele entrega exatamente isso: são mais 50 cv em relação ao 296 GTB, chegando a 880 cv; menos 60 kg (1410 kg a seco); e 435 kg de carga aerodinâmica no eixo traseiro a 250 km/h (contra 300 kg do 296 GTB e 360 kg do Assetto Fiorano).
V6 híbrido impõe-se nas pistas
Antes de entrar em detalhes, vale começar pelo motor - o verdadeiro centro de gravidade emocional de qualquer superesportivo. O 296 GTB foi o primeiro Ferrari de rua com motor V6. Até então, em Maranello, falar de menos de oito ou 12 cilindros era praticamente impensável - não combinava com o histórico da marca.
Ainda assim, a Ferrari já havia produzido V6, só que sob o emblema Dino e, mais tarde, em aplicações para Maserati e Alfa Romeo.
O contexto mudou: atualmente, é justamente nas pistas - incluindo Fórmula 1 e 24 Horas de Le Mans - que os V6 híbridos se impõem. E com resultados: a Ferrari venceu Le Mans nas duas últimas edições.
Por isso, o 296 Speciale passa longe de ser um Ferrari “menor”. Dentro da gama atual, apenas o SF90 se coloca acima quando o assunto é agressividade, deixando para trás carros como Roma, Purosangue e até o novo 12Cilindri.
Gianmaria Fulgenzi, diretor técnico da Ferrari, descreve o modelo como “um carro especial dentro dos nossos carros especiais”. Já Enrico Galliera, responsável pelo marketing, vai além: “é o modelo de produção que proporciona maior prazer de condução de toda a nossa gama”, citando cinco pilares: aceleração lateral e longitudinal, trocas de marcha, frenagem e som.
E quando o Ferrari 100% elétrico eliminar dois desses pilares? Galliera sorri e reconhece: “Teremos de encontrar novas formas de emocionar os condutores”.
Motor mais potente, chassis mais leve
O Ferrari 296 Speciale segue com o V6 a 120º com dois turbos, agora com 700 cv - um ganho de 37 cv - obtidos nas mesmas 8500 rpm e com uma potência específica impressionante de 234 cv/l. Entre as evoluções, entram turbos com 13% mais pressão, bielas de titânio um terço mais leves, pistões reforçados e virabrequim aliviado. O resultado é uma redução de 9 kg.
O motor elétrico, instalado entre o V6 e o câmbio de dupla embreagem de oito marchas (com trocas 30% mais rápidas), também foi aprimorado: passa a entregar 180 cv (mais 13 cv) de pico com a função extraboost - no modo “normal”, são 154 cv.
Em condução 100% elétrica, o 296 Speciale pode chegar a 135 km/h e rodar até 25 km. A bateria de íons de lítio (química NMC) de 7,4 kWh recarrega apenas até 7 kW, mas também regenera energia de forma dinâmica durante a condução.
Na prática, os números são fortes: 0-100 km/h em 2,8s, 0-200 km/h em 7,0s (7,3s no Aperta) e velocidade máxima “acima dos 330 km/h”. Em Fiorano, o 296 Speciale vira 2,5s mais rápido que o 296 GTB, com tempo de 1min19s.
Aerodinâmica e chassis de competição
No visual, o Ferrari 296 Speciale assume um tom ainda mais agressivo e incorpora soluções inspiradas no 296 Challenge, a versão voltada às pistas.
O resfriamento do conjunto vem de radiadores de maior vazão posicionados nas extremidades do carro, enquanto a fibra de carbono aparece por toda parte - para-choques, capô, túnel central e, como opcional, a tampa do motor -, com as portas feitas em alumínio.
A asa traseira ativa é fundamental para gerar carga aerodinâmica variável e, na dianteira, surge um novo arranjo que os engenheiros chamam de “amortecedor aero”. Ele direciona o ar que sobe do assoalho plano para uma saída no capô, aumentando ainda mais a pressão do eixo dianteiro contra o chão.
A suspensão, 5 mm mais baixa, combina molas de titânio mais rígidas com amortecedores eletrônicos Multimatic (ou Magnaride como opção). De série, o pacote dinâmico é fechado com pneus Michelin Pilot Sport Cup2 - 246/35 ZR20 na frente e 305/35 ZR20 atrás - e freios carbocerâmicos.
Cockpit focado na condução
Por dentro, o Ferrari 296 Speciale mantém um clima de competição: fibra de carbono à mostra, Alcantara, alumínio e menos isolamento acústico, para deixar o grito rancoroso do V6 biturbo mais presente. A intensidade sonora foi elevada, mas ainda dentro dos limites legais, cada vez mais restritivos.
Chamam atenção o painel de instrumentos digital de 16” e a pequena tela de 7” à frente do passageiro. No volante ficam os comandos principais, incluindo o mannetino à direita (ajusta a resposta de suspensão, motor/câmbio, som e direção) e o e-manettino à esquerda (administra os modos de propulsão elétrica).
Os bancos podem priorizar conforto ou, opcionalmente, adotar um perfil mais esportivo em fibra de carbono. No porta-malas dianteiro, o 296 Speciale leva 169 litros - 18 litros a menos que no 296 GTB -, com mais 112 litros atrás dos bancos.
Exclusividade com preço a condizer
Os pedidos do Ferrari 296 Speciale - tanto Coupé quanto Aperta - começaram hoje, 29 de abril, mas apenas para clientes “ativos”, isto é, quem comprou um Ferrari nos últimos cinco anos.
E o preço? Em Portugal, cerca de 460 000 euros no Coupé e mais de meio milhão de euros no Aperta. Ainda assim, a produção planejada para dois a três anos deve se esgotar rapidamente, tamanho o entusiasmo gerado. E, se faltava um quarto motivo para o 296 Speciale ser ainda mais especial, ele provavelmente é esse.
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