Pular para o conteúdo

TCE debate o futuro dos automóveis na Europa e alerta para risco à soberania industrial da UE

Carro elétrico verde em showroom moderno com painéis solares e turbinas eólicas ao fundo na cidade.

O Tribunal de Contas Europeu (TCE) realizou, nesta segunda-feira, um debate intitulado “O futuro dos automóveis na Europa: o ponto de vista do TCE”. No centro da conversa, esteve a possibilidade de o Pacto Ecológico Europeu acabar pressionando a “soberania industrial” da União Europeia (UE).

Do que foi exposto na discussão, fica evidente, desde o início, que o segmento de carros elétricos na Europa ainda não atingiu um nível de maturidade suficiente.

Pacto Ecológico Europeu, carros elétricos e soberania industrial da UE

Entre os pontos levantados no debate, destacou-se que as baterias produzidas dentro da UE “continuarem a custar muito mais do que o previsto”, o que pode comprometer a competitividade das montadoras europeias diante de concorrentes de outras regiões.

Além disso, o TCE avaliou que “muitos dos países de origem são instáveis a nível interno ou representam riscos geopolíticos para a autonomia estratégica da Europa. E ainda nem começámos a falar das condições sociais e ambientais em que estas matérias-primas são extraídas”.

“Os carros elétricos podem colocar a UE entre a espada e a parede: ter de escolher entre as prioridades ecológicas e a política industrial, e entre as aspirações ambientais e o bolso dos consumidores.”

Annemie Turtelboom, membro do Tribunal Económico Europeu

Baterias na UE: custos altos e dependência de matérias-primas

Um dos principais fatores por trás da dificuldade de competir é o preço das baterias, que segue elevado - podendo chegar a representar metade do valor do carro nas faixas de entrada. Parte disso se explica pela distribuição global da produção: somente 10% da fabricação mundial de baterias está localizada na Europa, enquanto a maior parcela ocorre na China (cerca de 76%).

Somado a esse cenário, a cadeia europeia de baterias permanece fortemente dependente da importação de insumos. O TCE informou que 87% do lítio bruto vem da Austrália, 80% do manganês da África do Sul e do Gabão, 68% do cobalto da República Democrática do Congo e 40% da grafite da China.

As conclusões do TCE

Entre as conclusões apresentadas, o TCE afirmou que os carros elétricos europeus “não estão ao alcance de uma grande parte da população”, chamando atenção para os diferentes programas de benefícios e incentivos criados para estimular a compra.

Segundo os dados discutidos, foram vendidos cerca de 1,5 milhões de automóveis elétricos novos na Europa em 2023 (um em cada sete) e, como foi indicado no debate, “estudos recentes indicam que as vendas tiveram subsídios do Estado e se situavam, na maioria, no escalão a partir dos 30 mil euros”.

Para além do preço, a infraestrutura de recarga também aparece como um entrave, uma vez que, até aqui, a oferta de pontos de carregamento tem se mostrado insuficiente.

Dessa forma, o TCE chegou a uma avaliação considerada preocupante: a “soberania industrial” da UE pode ficar ameaçada, dadas as dificuldades para avançar com a indústria de carros elétricos e diante da proibição prevista da venda de automóveis novos a gasolina e a diesel a partir de 2035.

“Corremos o risco de a «revolução dos carros elétricos» na Europa depender das importações, o que acabará por prejudicar a indústria automóvel europeia e os quase 13 milhões de postos de trabalho.”

Tribunal de Contas Europeu

Fonte: Lusa

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário