Há cerca de 9 meses, tivemos a chance de dirigi-lo em Berlim, na Alemanha. Mas foi só agora - no momento em que as vendas começam em Portugal - que o colocamos à prova pelas ruas de Lisboa. Este é o Citroën Ami, uma proposta criada para sacudir a mobilidade elétrica nas cidades.
A marca do Duplo Chevron, que está prestes a completar 102 anos, sempre acumulou histórias com veículos “fora da caixa”. A ideia é que o novo Ami seja mais um exemplo - e, de preferência, um exemplo bem-sucedido. Para isso, ele aposta em um projeto e uma construção descomplicados, medidas muito compactas e um preço chamativo, especialmente quando comparado a alternativas parecidas.
Embora a execução e o funcionamento do Ami sejam simples, a missão que a Citroën coloca sobre ele é bem mais ambiciosa: a fabricante francesa o enxerga como uma espécie de “arma” para enfrentar o desafio da mobilidade urbana do século XXI.
Talvez por esse motivo a Citroën Portugal o apresente como uma alternativa a soluções de mobilidade elétrica como “bicicletas, scooters e patinetes”. Já Rita Caninha, gerente de produto do Ami em Portugal, define o modelo como “um objeto e uma solução de mobilidade para todos”.
E, afinal, onde o Ami se encaixa? Se quisermos ser precisos, ele deve ser classificado como “quadriciclo leve”. Essa é a denominação oficial desse pequeno elétrico, que se enquadra na mesma categoria do eAixam.
Com que idade pode ser dirigido?
Essa é a pergunta que todo mundo quer responder. Neste primeiro contato com o modelo, fomos abordados duas vezes por pessoas interessadas em entender o enquadramento legal desse elétrico. E a resposta é direta.
Como se trata de um quadriciclo leve (ou L6e, de acordo com a classificação da União Europeia), o Ami pode ser dirigido em Portugal por adolescentes a partir dos 16 anos, desde que tenham carteira de motorista B1.
E o tamanho?
As imagens que acompanham este texto não enganam: o Ami é realmente bem compacto. Com 2,41 m de comprimento, ele é 28 cm mais curto do que o Smart ForTwo atual e 27 cm mais estreito. Vale reforçar, porém, que essa comparação se limita às dimensões, porque no restante são propostas bem diferentes.
Feito sobre uma estrutura tubular de aço, o Ami usa carroceria de polipropileno e chama atenção por ser totalmente simétrica: a frente é exatamente igual à traseira. O mesmo conceito aparece nas portas, que são iguais entre si - com o motorista “ganhando” uma porta no estilo “suicida”, enquanto o passageiro fica com uma porta de abertura convencional.
De novo, o objetivo é cristalino: simplificar. Com essa solução, a Citroën conseguiu reduzir a lista de componentes do Ami para menos de 250 peças, o que facilita a montagem e ajuda a manter os custos sob controle.
Você pode ver mais detalhes por fora e por dentro na live que fizemos para o nosso Instagram durante a apresentação nacional do modelo:
O resultado é um veículo com peso total na casa de 485 kg, sendo que 60 kg correspondem à bateria de íons de lítio de 5,5 kWh, instalada na traseira. Ela entrega autonomia de 75 km (WMTA, Ciclo Mundial de Testes de Motociclos) e precisa de três horas para uma carga completa em uma tomada doméstica comum.
Para mover o Ami, há um motor elétrico instalado na dianteira, com o equivalente a 8 cv e 40 Nm de torque, suficiente para levar o modelo até um limite máximo de 45 km/h.
Como é dirigi-lo?
Curiosamente, dirigir um Ami pode ser uma experiência bastante… divertida. Sim, foi exatamente isso que eu quis escrever.
Quando olhamos para ele pelo que de fato é - um quadriciclo leve para uso urbano - e focamos no que ele promete, fica claro que entrega o que anuncia. E esse é um mérito que poucos veículos conseguem reivindicar.
Dito isso, é importante lembrar: o Ami não traz itens de segurança, não tem ABS e não oferece direção assistida. Também está longe de entregar o conforto esperado de um automóvel novo. Mas, mais uma vez, o Ami não é um carro.
A “suspensão” quase não consegue amortecer e os bancos, montados sobre uma estrutura plástica e com apenas duas almofadas (uma no assento e outra no encosto), passam longe de ser confortáveis.
E já que entramos no assunto, vale registrar: o banco do motorista desliza para frente e para trás, o que ajuda a achar uma posição de condução melhor - apesar de a coluna de direção ser fixa. O passageiro, por outro lado, não tem a mesma vantagem: o banco é fixo e fica o mais recuado possível para “liberar” espaço para bagagens.
É verdade que não existe porta-malas, mas o interior oferece vários nichos e áreas para objetos, incluindo um espaço pensado especificamente para acomodar uma mala de cabine de avião.
Mas… e na rua e em vias mais rápidas?
Não é preciso rodar muito para perceber que, apesar de elétrico, o Ami está longe de ser silencioso. A explicação está no fato de a Citroën ter aberto mão de qualquer isolamento acústico. Dá para ouvir o vento, o motor e os pneus. E, com as janelas laterais abertas - que lembram o saudoso Citroën 2 CV - tudo fica ainda mais evidente.
Mesmo assim, o Ami consegue ser mais equilibrado do que muita gente imaginaria. E a configuração de “motor na frente e bateria atrás” certamente ajuda nisso. Fazer curvas, portanto, não vira um drama, e em linha reta ele também se vira bem… até bater nos 45 km/h de velocidade máxima.
Como potência e torque são baixos, as rodas não chegam a patinar quando “pisamos fundo” - o que acaba sendo o padrão ao dirigir este Ami. A aceleração de 0 a 45 km/h leva cerca de 10s. Parece muito no papel, mas na prática é o bastante para, muitas vezes, sair “na frente” nos semáforos.
A direção é bastante simples e não comunica o que está acontecendo com as rodas, mas coloca o Ami para onde queremos. E, mesmo sem assistência, isso não chega a incomodar, em grande parte por causa dos pneus bem estreitos. E, seja como for, o Ami pode ser bem ágil: o diâmetro de giro é de apenas 7,2 m.
Ao dirigir o Ami, não surge aquela sensação de que “somos o elo mais frágil” no trânsito. É verdade que os 45 km/h às vezes parecem “pouco” e que, em ruas de paralelepípedo, as costas sofrem, mas há vários pontos positivos.
O para-brisa vertical e as janelas amplas deixam o interior muito claro e eliminam qualquer impressão de claustrofobia. Nesse aspecto, o teto panorâmico também ajuda bastante. Ainda assim, vai ser interessante ver como isso se comporta em um dia de calor intenso, já que este Ami não tem - naturalmente - ar-condicionado.
Simples… mas conectado
O Ami abre mão de “mimos” como rádio, sistema de som ou tela central, mas “convida” os usuários a recorrerem ao smartphone para substituir essas funções - e até a usarem uma caixinha de som Bluetooth (que pode ficar “guardada” no painel do Ami).
Aqui, entra em cena o aplicativo My Citroën, acessado pelo smartphone por meio do compartimento conectado DAT@MI. Assim, o motorista consegue acompanhar em tempo real a autonomia do Ami, verificar o status da carga e ver quanto tempo falta para chegar a 100%. O aplicativo também permite consultar a localização de pontos de recarga públicos próximos.
My Ami Cargo, o profissional!
Além do Ami, a Citroën também lançou o My Ami Cargo, voltado para profissionais. A receita combina as características do Ami convencional com um volume de carga útil superior a 400 litros e capacidade de carga útil de 140 kg.
Nessa versão, a área do passageiro vira um espaço de armazenamento de 260 litros, com uma caixa modular protegida por sete divisórias em polipropileno.
Experiência de compra digital
A Citroën afirma oferecer um processo de compra 100% digital para o Ami, permitindo que o cliente o conheça, configure, agende um test-drive (se quiser), faça o pedido e pague online - tudo em ambiente digital.
Na sequência, vem a entrega, que pode ser marcada para o endereço do comprador ou outro local combinado. A entrega em casa (ou em um local escolhido) custa 200€. Já a entrega em uma concessionária Citroën é totalmente gratuita.
Disponível em 27 das 29 concessionárias Citroën no país, o Ami também pode ser comprado em lojas FNAC - sempre com entrega feita pela Citroën. O Ami também ficará em exposição nas unidades FNAC do Amoreiras (Lisboa), de Santa Catarina (Porto), de Viseu e de Braga.
E os preços?
- Ami Ami - 7350 €
- My Ami Orange, My Ami Khaki, My Ami Grey e My Ami Blue - 7750 €
- My Ami Pop - 8250 €
- My Ami Vibe - 8710 €
- My Ami Cargo - 7750 €
Nas versões My Ami Orange, My Ami Khaki, My Ami Grey e My Ami Blue, a aplicação dos kits de personalização pode ser feita pelo próprio cliente, em um processo que a Citroën chama de “Faça Você Mesmo”. Cada kit custa 400 €.
Já os kits das versões mais equipadas (My Ami Pop e My Ami Vibe), que incluem, entre outras coisas, um spoiler traseiro (sim, você leu certo!), são sempre instalados em uma concessionária.
Especificações técnicas
| Citroën Ami | |
|---|---|
| Motor elétrico | |
| Posição | Dianteira transversal |
| Tipo | Síncrono (ímã permanente) |
| Potência | 8 cv (6 kW) |
| Torque | 40 Nm |
| Bateria | |
| Tipo | Íons de lítio |
| Capacidade | 5,5 kWh |
| Peso | 60 kg |
| Transmissão | |
| Tração | Traseira |
| Câmbio | Caixa redutora (1 vel.) |
| Chassi | |
| Suspensão | FR: Independente, MacPherson; TR: Eixo de torção |
| Freios | FR: Discos; TR: Tambores |
| Direção | Não assistida |
| Diâmetro de giro | 7,2 m |
| Dimensões e capacidades | |
| Comp. x Larg. x Alt. | 2410 mm x 1395 mm x 1520 mm |
| Entre-eixos | N.D. |
| Capacidade do porta-malas | Não tem |
| Rodas | 155/65 R14 |
| Peso | 485 kg (DIN) |
| Desempenho e consumos | |
| Velocidade máxima | 45 km/h (limitada) |
| 0-45 km/h | 10s |
| Consumo combinado | N.D. |
| Emissões CO₂ | 0 g/km |
| Autonomia combinada | 75 km (ciclo WMTA) |
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